Alaa tem um sonho: ajudar a reconstruir a Síria

Ela quer ser arquiteta para contribuir na reconstrução do seu país

Alaa, refugiada síria: “A estadia em Portugal mudou totalmente uma série de coisas dentro de mim”, diz Alaa. “Eu via muitas diferenças na comida, na cultura e na maneira como as pessoas reagem e pensam. Ensinaram-me que a vida não é sobre certo e errado; trata-se, na maior parte das vezes, de diferentes pontos de vista”.

Quando a guerra se intensificou na sua cidade, destruindo cada vez mais vidas e infraestruturas, teve de interromper o seu curso de arquitetura. Agora, em Portugal, uma bolsa a ajuda a completar a sua licenciatura. Frequenta o terceiro ano no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE) e está muito orgulhosa dos objetivos alcançados.

Sozinha, deixou Damasco rumo a Istambul. Mas a pressão para aprender uma nova língua, encontrar trabalho para sobreviver e, ao mesmo tempo, encontrar formas de continuar os estudos universitários, era enorme. Determinada, não desistiu. Tentou tudo de novo, desta vez no Cairo, mas foi a mesma história.

Então, em setembro de 2013, viu um anúncio na internet que mudou a sua vida:  a abertura de candidaturas para uma iniciativa intitulada “Plataforma Global para Estudantes Sírios”, que oferecia bolsas para completar estudos universitários.

“Eu me candidatei, mas todas as pessoas me diziam que aquilo só poderia ser falso – não podia ser verdade haver uma bolsa de estudo desenhada exatamente para o meu caso…, mas eu não queria perder aquela oportunidade e enviei a minha candidatura”.

Quatro meses mais tarde, Alaa soube que a sua candidatura tinha sido aprovada. Mas seus pais recusaram. Persuadi-los a deixá-la viajar sozinha para a Turquia tinha sido muito difícil, mas para a Europa, segundo eles, estava fora de questão. Incapaz de enfrentar os seus pais, Alaa informou a “Plataforma Global para Estudantes Sírios”.

“Gostei da ideia de integrar novas pessoas no bairro, misturando a comunidade local com estudantes”, afirma Alaa. Apontando para uma área verde em frente aos edifícios, acrescenta “E este espaço aberto é onde ambas comunidades podem se encontrar, se conhecendo umas às outras e se integrando”.

 

Alaa-pt-1000x650_001

Alaa em casa, com os seus anfitriões portugueses, Luís e Teresa, que ela vê como a sua segunda família (© ACNUR/ Bruno Galán Ruiz)

Alaa-pt-1000x650_002

Helena Barroco, secretária-geral da “Plataforma Global para Estudantes Sírios” (© ACNUR/ Bruno Galán Ruiz).

Alaa-pt-1000x650_003

Alaa trabalhando no seu último projeto de arquitetura na Universidade de Lisboa, onde ela frequenta o terceiro ano com uma bolsa de um programa para estudantes síros (© ACNUR/ Bruno Galán Ruiz).

Alaa-pt-1000x650_005

Alaa com os seus colegas da Faculdade de Arquitetura. Ela fez rapidamente verdadeiros amigos e desfruta de uma ativa vida social sempre que as obrigações escolares a permitem (© ACNUR/ Bruno Galán Ruiz).

Helena Barroco, secretária-geral da Plataforma, decidiu não fechar a sua vaga: ‘Percebi que Alaa estava muito interessada, mas eu também sabia que este era um projeto-piloto ainda no seu primeiro ano e que, talvez mais tarde, depois de alguns depoimentos de estudantes do sexo feminino, a partir do primeiro grupo, e mais conhecimento público do programa, talvez seus pais a deixassem participar.

No ano seguinte, quando uma segunda chamada para bolsas de estudo foi anunciada, os pais de Alaa concordaram. Meses mais tarde, ela estava em Portugal, juntando-se a estudantes de todo o mundo e a viver uma cultura completamente nova.

Alaa está em Portugal há dois anos e vê Lisboa como a sua segunda casa. Vive com um casal português aposentado, Luis e Teresa Henriques, que decidiu acolher refugiados. Com todos os seus filhos casados e fora de casa, eles queriam encontrar uma maneira de ajudar os refugiados sírios.

Alaa ainda tem mais um ano para completar a licenciatura e espera no próximo ano poder candidatar-se a um grau de mestrado integrado em arquitetura. Ela tem ambições claras para o seu futuro: “Como arquiteta e mulher com uma sólida formação, vou poder trabalhar em todos os lugares, mas é claro que a Síria será o meu primeiro objetivo, porque é o meu país. Mas também Portugal é o meu país, ‘o meu segundo país’, porque eu não posso esquecer o que estas pessoas fazem para mim”.

Mostre a sua solidariedade com os refugiados como Alaa assinando a petição #ComOsRefugiados agora.


Achou interessante? Compartilhe com os seus amigos!

Right sidebar PT

Mostre a sua solidariedade #ComOsRefugiados

Subscreva a nossa petição

Assine nossa petição agora mesmo

O conflito na Síria perdura há mais de cinco anos. António Guterres, ex-Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, alertou diversas vezes para o risco de uma geração perdida, dado que as crianças e os jovens nos diversos graus de ensino tinham interrompido os seus estudos devido à guerra. A situação era ainda mais preocupante, na perspectiva de reconstrução da Siria após a guerra, por falta de quadros com formação superior. Jorge Sampaio, ex-Presidente da República Portuguesa, respondeu ao apelo de Guterres, criando a ‘Plataforma Global de Apoio aos Estudantes Sírios’, englobando diversas universidades de vários países. Alaa frequenta a Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa.