Irene sonha com o empoderamento de mulheres em seu centro de formação.

Ela fugiu da violência no Côte d’Ivoire

Irene, 40 anos: “Eu vim à Libéria em 2002, após o começo da guerra na Costa do Marfim. Era uma quinta-feira de manhã em Danané. Eu estava na casa do meu pai, me arrumando para ir trabalhar. Alguém no escritório do meu pai me ligou para dizer que os rebeldes tinham assassinado ele. Eu amava muito meu pai. Meu coração estava dilacerado e eu estava confusa. Alguns rebeldes vieram à casa do meu pai. Eles me estupraram – eram cinco. Eles queriam me matar. Eles atiraram nas minhas costas e fugiram”.

“O CICV* me levou à Libéria e eu acordei no campo de refugiados de Saclepea, onde os médicos estavam me operando para salvar a minha vida e a do bebê que eu estava gerando. Eu estava no sétimo mês de gestação. Por sorte, meu menino sobreviveu”

Liberia. Irene named her training centre thanks to her late father

“Meu pai costumava me dizer que eu era sua glória, seu tudo. Graças a ele eu consegui ter meu próprio centro profissionalizante na Costa do Marfim, o qual eu batizei de “Grupo da Glória”, por causa do apelido que ele me deu. Eu coloquei este nome no centro em sua memória”. © ACNUR/D.Diaz

Liberia. Irene teaches the basics of making dresses for women

Irene começa hoje uma aula de alfaiataria. Desde 2004, Irene tem apoiado o ACNUR a fazer com que as demais refugiadas participem de oficinas profissionalizantes. © ACNUR/D.Diaz

Liberia. Irene supervises one of her students

Irene ensina cursos de alfaiataria, cabeleireira e pedicure, tudo que ela aprendeu quando tinha 13 anos de idade. Em 2002, a guerra civil da Costa do Marfim eclodiu e ela foi levada à Libéria. © ACNUR/D.Diaz

Liberia. Irene draws a dress for her tailoring lesson

Irene desenha o que ela vai ensinar suas alunas durante a aula de costura de hoje. Ela tem contatos com grandes lojas, para onde indica as mulheres que já receberam seu certificado. © ACNUR/D.Diaz

Liberia. Irene provides feedback to her student

Depois da aula, Irene conversa com suas alunas uma por uma. “Eu quero empoderar mulheres. É importante empoderar mulheres”. © ACNUR/D.Diaz

Liberia. Irene and her students make clothes to make ends meet

Irene ensina cursos de alfaiataria, cabeleireira e pedicure, tudo que ela aprendeu quando tinha 13 anos de idade. Em 2002, a guerra civil da Costa do Marfim eclodiu e ela foi levada à Libéria. © ACNUR/D.Diaz

Liberia. Irene and her group of students stand outside of the training centre

Irene com algumas de suas alunas no seu centro de formação. Por ser refugiada e por ser mulher, muitas vezes os donos das terras locadas rescindem seu contrato antes que este termine. © ACNUR/D.Diaz

“O ACNUR me ajudou a criar um centro de formação em Monróvia. Eu ensino tanto as liberianas quanto as mulheres refugiadas porque as liberianas foram muito boas conosco, nos acolheram. Por isso, é meu dever devolver algo a elas. Eu quero que elas façam parte do centro, que isso lhes permitam cuidar de suas famílias e ser útil na sociedade.

Passei por uma série de dificuldades e sei que muitas mulheres já passaram por isso. Eu digo a elas para não perderem a coragem na vida. Hoje, eu me recompus e estou sobrevivendo. Então eu digo a elas para serem fortes e não se subestimarem. Que digam ‘Sim! Eu posso fazer isso’.”

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Questões relacionadas a cidadania, os critérios de elegibilidade presidencial, direitos de voto e representação no governo causaram a primeira guerra civil marfinense, que foi catalisada por tensões étnicas anteriores. São cerca de 750.000 deslocados internos no país, e entre 30.000 a 100.000 cidadãos marfinenses que atravessaram a fronteira para a Libéria. Irene e seu filho por nascer estavam entre estes.

Pensando na dor de ter perdido o pai e seus irmãos, durante a guerra, Irene não deseja voltar. “Sabe, aquele dia, quando ele saiu, ele disse: ‘Minha filha eu estou indo, e eu voltarei’. Você nunca espera receber uma ligação dizendo que seu pai foi morto. É muito, muito doloroso, porque eu amava muito meu pai. É por isso que eu digo que eu nunca vou voltar para a Costa do Marfim”. Irene sonha em melhorar o seu centro de treinamento para ajudar mais refugiadas e mulheres liberianas para se tornarem autossuficientes.

Mais de 50 refugiadas e liberianas já passaram pelo centro de formação, procurando superar seus obstáculos, mas também para aprenderem a costurar ou a estilizar seus cabelos, recuperando a sua confiança e autoestima que muitas perderam durante a guerra. Todas as semanas, Irene convida as mulheres para discutirem questões que as afetam e como elas podem reconstruir suas vidas como mulheres empoderadas na sociedade.

*Comitê Internacional da Cruz Vermelha

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Devido aos papéis de gênero, muitas vezes as mulheres e meninas enfrentam riscos específicos e são menos propensos que homens e meninos a ter acesso aos seus direitos. Durante o deslocamento, os riscos relacionados com a discriminação e a violência sexual e de gênero são intensificados. O deslocamento também pode significar que mulheres de todas as idades partem sozinhas, tornando-se particularmente vulneráveis aos abusos.

O ACNUR na Libéria ajuda refugiadas a se tornarem autossuficientes por meio do treinamento de suas competências e habilidades. Após o curso, todas as refugiadas recebem um certificado e um kit de iniciação.

Questões relacionadas a cidadania, os critérios de elegibilidade presidencial, direitos de voto e representação no governo causaram a primeira guerra civil marfinense, que foi catalisada por tensões étnicas anteriores. São cerca de 750.000 deslocados internos no país, e entre 30.000 a 100.000 cidadãos marfinenses fugiram para a Libéria.