Brasília, 15 de outubro de 2007 – Luiz Eduardo Garzon, refugiado colombiano reassentado no Brasil, é artesão e cria manualmente produtos como máscaras coloridas, bonecos e chaveiros, além de fazer pinturas em tela e outros materiais. No começo deste mês, ele participou da IV Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária, onde teve a oportunidade de expor nacionalmente seu artesanato.
À primeira vista, os visitantes do evento poderiam se perguntar porque produtos artesanais estavam expostos em uma feira agrícola. Porém bastava observar mais atentamente as criações de Garzon para entender porque o artesanato dele faz parte tanto do universo agrícola quanto do conceito de sustentabilidade, tema do evento. O colombiano cria objetos de decoração e móveis, entre outros, a partir de produtos naturais, como casca de laranja, castanha-de-cajú, folhas desidratadas e sementes.
“Estou muito feliz com a possibilidade de mostrar meu trabalho para todo o país”, afirmou Garzon. Ele acredita que sua participação na feira irá ajudar a impulsionar seus negócios, pois além de ser uma oportunidade para fazer contatos, pôde comercializar seus produtos para pessoas de todo o país e conhecer novidades do mercado. “Estou cheio de novas idéias e quero colocá-las em prática quando voltar para minha cidade”, contou.
Garzon e sua mulher sustentam a família com o artesanato desde que moravam no departamento de Caldas, na Colômbia, antes de fugirem para o vizinho Equador em 2005 devido à perseguição de grupos armados irregulares.
A possibilidade de dar continuidade à atividade profissional que exerciam antes de chegar ao país evidencia a eficácia das políticas nacionais de reassentamento e integração local para refugiados. No Brasil, existem aproximadamente 3.500 refugiados reconhecidos pelo governo, dos quais mais de 250 foram reassentados a partir de um acordo firmado com o ACNUR em 1999. Este total não inclui os cerca de 100 palestinos que viviam num campo de refugiados na Jordânia e que foram aceitos pelo país este ano.
Garzon se candidatou ao reassentamento no Equador, pois continuou sofrendo ameaças. O ACNUR encaminhou seu caso ao Brasil, onde ele foi aceito e vive com a família há pouco mais de um ano. Foram reassentados na cidade de Natal, capital do Rio Grande do Norte, na região nordeste do país.
Para facilitar a integração no Brasil, o ACNUR e seu parceiro local, o Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP), assistiram a chegada da família de Garzon e forneceram informações importantes sobre o país, como por exemplo seus direitos. Atualmente, os colombianos estão cadastrados em um programa municipal de acesso à moradia popular e no sistema público de saúde. A filha do casal recebe uma ajuda mensal do governo brasileiro por meio de um programa social para redução da pobreza.
“Temos um resultado muito positivo na integração social e no processo de adaptação dos refugiados. Agora nosso objetivo é avançar na integração econômica dessas pessoas”, explicou o direitor do CDHMP, Aluízio Matias.
Garzon e sua esposa são exemplos positivos de integração econômica. Estão registrados como artesãos tanto na prefeitura municipal de Natal quanto no governo estadual, o que possibilita ao casal expor seus produtos e vendê-los sem a necessidade de pagar impostos.
Finalmente distante da violência e do medo, Garzon ganhou mais inspiração para o trabalho artesanal. “Comecei a aprender sobre as sementes, folhas e frutas da região para usar no meu trabalho”, contou ele. “Eu e minha família comemos muita laranja aqui, porque é uma fruta barata, então comecei a desenvolver produtos com as cascas”.
Garzon e sua esposa ganham o suficiente para sustentar a família com a venda dos produtos artesanais e as aulas que de vez em quando ministram em cidades da região. O próximo objetivo do casal é conseguir comercializar seus trabalhos em outros Estados, aumentando assim a renda mensal da família. A participação do colombiano na feira de Brasília, com o apoio do ACNUR e do CDHMP, representa um primeiro passo.
O sucesso da família de Garzon pode servir de inspiração para os palestinos que estão começando suas vidas no Brasil. O país integra o programa regional de reassentamento solidário, firmado em 2004 por 20 países da região como parte do Plano de Ação do México.
Por Valéria Graziano
Brasília, Brasi
Fecha: 16 Octubre 2007