O Alto Comissário visita centro de trânsito de emergência na Romênia

O Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres, visitou o primeiro centro de trânsito de emergência (CTE) da Europa.

BUCARESTE, Romênia, 22 de maio (ACNUR) – O Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres, visitou o primeiro centro de trânsito de emergência (CTE) da Europa, situado na Romênia, e conversou com refugiados do Sri Lanka e da Palestina.

O centro criado no final de 2008, na cidade de Timisoara pelo Governo da Romênia, pelo ACNUR e pela Organização Internacional para Migrações (OIM), foi inaugurado oficialmente em março de 2009. O mesmo fornece alojamento temporário para refugiados que precisam ser retirados urgentemente de seus primeiros países de asilo porque suas vidas estão em perigo. Os hóspedes podem permanecer no CTE até seis meses, depois dos quais deverão ser transportados a terceiros países. Em julho de 2009 foi inaugurado na Eslováquia um CTE similar.

Na quinta-feira, o primeiro dos dois dias de sua visita na Romênia, Guterres conversou com 152 refugiados originários da Palestina e do Sri Lanka que esperam ser reassentados em outros países. 99 deles acabam de chegar de uma viagem exaustiva de 26 horas procedentes do campo de Al – Walid, no deserto do Iraque, onde permaneceram durante anos.

“Esse projeto piloto responde a uma exigência posta em evidencia pela operação no Uzbequistão”, explicou Guterres referindo-se à aceitação por parte da Romênia, em julho de 2005, de 439 refugiados uzbequistaneses transportados de avião desde o Quirguistão para serem transferidos a outros países. Essa operação constituiu o primeiro passo em direção à criação do CTE.

“Naquele momento necessitávamos de ajuda e são em tempos de necessidade que vemos quem são os amigos. Como Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados desejo expressar ao governo e ao povo da Romênia nosso mais profundo agradecimento por acolher esse centro de transito de emergência” expressou Guterres antes de fechar a cerimônia plantando uma “árvore dos desejos”.

Um ancião palestino vindo do Iraque, mas dotado de uma energia surpreendente para seus 80 anos, manifestou que o único que buscava era estabilidade: “Aceito qualquer passaporte, com tanto que eu possa visitar meus filhos e filhas espalhados pelo mundo”.

Uma jovem do Sri Lanka contou que se viu obrigada a abandonar seu lar durante a fase final da guerra entre o exército e a guerrilha dos Tigres de Libertação do Eelam Tamil e atravessou a Índia, Singapura e Indonésia antes de ser transportada de avião para Romênia: “Nunca tinha ouvido falar desse país, mas agora gosto dele. Sinto-me bem na Romênia”.

Desde 2008 passaram pelo CTE de Timisoara mais de 600 refugiados. Nesse mesmo ano a Romênia aprovou uma lei que a converte em um dos poucos países do mundo dispostos a aceitar refugiados temporários. O primeiro grupo de refugiados de Myanmar chegará a princípios de junho.

No segundo dia de visita à Romênia, o Alto Comissário Guterres se reuniu em Bucareste com o primeiro ministro Emil Boc e funcionários de alto escalão do governo.

Claudia Liute de Bucarest, Romênia