O ACNUR celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente

O ACNUR marca o Dia Mundial do Meio Ambiente com uma amostra em Genebra de algumas práticas adotadas com sucesso em suas operações internacionais.

CAMPO DE REFUGIADOS DE NAYAPARA, Bangladesh, 4 de junho (ACNUR) – A pequena Noor Sumi, uma sorridente menina de três anos de idade acostumada a correr nua em volta de sua casa, adora agarrar-se à mãe enquanto ela prepara o almoço. Por anos, Hosan Jamal cuidou para que Noor e seus outros filhos não se queimassem com as chamas do fogão e, vigilante, afastava-os enquanto cozinhava.

Nos últimos tempos, entretanto, ela prepara refeições em um especial eco-fogão fechado de cerâmica usando um combustível alternativo – cascas de arroz compactadas. Além das vantagens ambientais, ela está alegre com o fato de não haver perigo de queimaduras.

"A principal vantagem é que se você usa as cascas de arroz compactadas, nenhuma chama sai e o calor produzido é maior", diz Hosan, ocupada, preparando as panelas que colocará nas duas bocas do fogão.

Uma das marcas características dos velhos e escurecidos abrigos, de um só quarto e teto baixo, utilizados pelos refugiados, era a intensa poluição interna. "Algumas vezes meus olhos ardiam, lacrimejavam, minha casa ficava enevoada e meus filhos sofriam", relembra Hosan (31), mãe de seis crianças.

À medida em que o ACNUR substituiu a maioria das moradias dos 28.000 muçulmanos de Myanmar refugiados em Rohingya por dois campos em Bangladesh nos últimos três anos, a agência de refugiados também proveu fogões energeticamente eficientes para aqueles que desejassem – aproximadamente metade da população. Juntamente, a agência ofereceu treinamento para seu uso.

Esse foi apenas um dos esforços ambientais realizados nos dois campos nos últimos anos, incluem-se ainda a coleta de água da chuva para latrinas comunitárias e uso doméstico, o incentivo à criação de jardins nos quintais, o estabelecimento de uma planta de biogás para a conversão de resíduos das latrinas em gás que abastece as cozinhas comunitárias, e o uso de lâmpadas solares no sentido de proteger as mulheres de ataques durante o uso de banheiros e latrinas.

"Pessoas em todos os cantos do planeta se mobilizam pelo Dia Mundial do Meio Ambiente no dia 5 de junho", afirma Jean-François Durieux, diretor do programa de apoio do ACNUR, que comanda os programas ambientais da agência. "Mas, nas operações em mais de 100 países, o ACNUR preocupa-se com o meio ambiente diariamente".

O ACNUR marca o Dia Mundial do Meio Ambiente com uma amostra em Genebra de algumas práticas adotadas com sucesso em suas operações internacionais. Na Etiópia, refugiados realizarão ações de plantio de árvores coletivas e campanhas de limpeza, e no campo de refugiados de Girba, no leste do Sudão, refugiados participarão de transmissões especiais sobre conservação em televisão e rádio.

Em Bangladesh, a proteção de refugiados e meio ambiente estão intrinsecamente ligadas. De fato, muitas medidas inicialmente voltadas para a proteção de refugiados – iluminação solar e substituição de lenha por cascas de arroz compactadas destinada a evitar a saída do campo para obtenção do material – contribuíram com elementos da estratégia de proteção ambiental.

"Há décadas, o ACNUR reconheceu que a presença de refugiados e deslocados internos poderia prejudicar o meio ambiente, particularmente se grandes contingentes se reunissem por um longo tempo em uma área ecologicamente frágil", observa Durieux em referência a muitas situações ao redor do mundo.

Por essa razão, o ACNUR apóia o plantio e cuidado de mais de 10 milhões de árvores em todo o mundo anualmente, bem como muitas outras atividades. No Chade, Sudão e Nepal, por exemplo, o ACNUR promove o uso de energia renovável na forma de iluminação solar e fogões em campos de refugiados.

Aqui no campo de Nayapara, ao sul do Cox’s Bazar, dois sistemas de coleta de água da chuva foram construídos nos últimos dois anos para abastecer os 17.000 residentes do campo durante a temporada de seca. A água é utilizada para latrinas, chuveiros e para lavar roupas. Em Nayapara e no campo próximo de Kutupalong, abrigo para outros 11.000 refugiados, 143 lâmpadas à base de luz solar foram instaladas, não apenas diminuindo o índice de atentados contra mulheres, mas também mantendo longe os elefantes selvagens, que em outros tempos ocasionaram mortes entre os refugiados.

Os refugiados contribuem com esforços próprios, com seus jardins nos quintais e plantando variedades de abóboras que crescem como vinhas cobrindo os telhados de seus abrigos. A proteção ajuda a manter suas casas resfriadas no calor, provê complemento alimentar e confere tons de verde aos campos empoeirados.

Algumas operações ao redor do mundo têm mais sucesso que outras, Durieux admite, dependendo das condições climáticas, da fragilidade do meio ambiente e da permissão para expandir a plantação de árvores e culturas além dos limites do campo de refugiados.

"O que é impressionante em Bangladesh é que muito foi feito para envolver os refugiados [na proteção ambiental]" ele diz, adicionando que "em Bangladesh eles fazem muito por si próprios".

Kitty McKinsey, do campo de refugiados de Nayapara, Bangladesh