Idosa escapa das gangues de rua de El Salvador

Ameaçada de morte por gangues de rua, Margarita Ramirez* foi obrigada a se deslocar para o México e recomeçar sua vida aos 72 anos de idade.

TAPACHULA, Mexico, 18 de abril de 2017 – Margarita Ramirez* já sabia quem batia com força na porta de sua casa. Ao abrir uma fresta, ela se deparou com diversos membros da Barrio 18, gangue de rua que domina seu bairro. “Onde está seu filho?” perguntaram.

Margarita, que se sustentava vendendo pão em uma rua pacata em sua cidade natal no oeste de El Salvador, reconheceu alguns dos maras que bateram na sua porta naquela noite. Ela mantinha uma relação pacífica com eles por anos, oferecendo pão em troca da política da boa vizinhança.

Mas o cenário mudou quando a gangue começou a importunar seu filho de 37 anos, José, dono de uma pequena loja de conveniência. Ele não conseguiu continuar pagando a “taxa de guerra” que eles exigiam e estava, agora, escondido na casa da mãe.

“Meu filho? Não sei. Ele não está aqui”, respondeu Margarita, tentando parecer tranquila.

José correu sorrateiramente para o quarto de trás, pulou da janela e saiu correndo pela ruela. Ele saiu do bairro e não voltou mais.

“Eu estava bem ali, mentindo para eles, mas pedi a Deus que me desse forças por mais que meu coração estivesse batendo acelerado”, ela disse, pondo a mão no peito.

Sua mentira funcionou. Mas só até o dia seguinte, quando eles voltaram com uma ameaça: “Ou você entrega ele, ou vamos nos livrar de você para nos vingar dele”.

E este foi o empasse da situação. Margarita soube naquele momento que deveria ir embora. Com apenas uma pequena mala de roupas, a senhora de 72 anos saiu de casa antes do entardecer. Dirigiu-se ao ponto de ônibus e partiu de El Salvador para nunca mais voltar. Na mesma noite, ela atravessava um rio na fronteira entre o México e a Guatemala em uma jangada improvisada.

“Eu não sabia absolutamente nada sobre o México quando eu cheguei”, ela diz. “Eu não conhecia ninguém e nem sabia que ia ter que atravessar um rio. Eu não sabia de nada!”.