Menina síria que fez travessia em cadeira de rodas faz planos na Alemanha

Nascida com paralisia cerebral, Nujeen foi obrigada a se deslocar da Síria em uma cadeira de rodas dois anos atrás. Agora, ela encontrou o apoio que precisa na Alemanha.

WESSELING, Alemanha, 19 de abril de 2017 – Quando foi forçada a fugir do conflito na Síria há dois anos, Nujeen Mustafa, 18 anos, não superou apenas os obstáculos do caminho. A jovem nasceu com paralisia cerebral, e ficou famosa por cruzar em sua cadeira de rodas o tortuoso caminho até a Europa. Sua resiliência e obstinação, recentemente documentadas em um livro de memórias, já inspiraram milhões. Agora refugiada na Alemanha, Nujeen tem a meta de construir um futuro ainda mais brilhante.

Dotada de uma inteligência extraordinária e uma obstinação fora do comum, Nujeen está determinada a se adaptar à sua nova vida na Europa. Além de ter começado a frequentar a escola e de aprender o alemão rapidamente, ela ainda encontra tempo para usar sua influência para proporcionar transformações positivas.

“Precisamos de um pouco de otimismo neste mundo”, afirma Nujeen, que atualmente vive com sua família em Wesseling, uma pequena cidade no oeste da Alemanha. “Eu sempre acreditei que todos tivessem uma missão na Terra, mas não havia encontrado a minha até então. Agora que encontrei minha voz, sei que posso ajudar pessoas”.

“Agora que encontrei minha voz, sei que posso ajudar pessoas”.

Nujeen nasceu em Manbij, no norte da Síria, em uma grande família curda que se mudou para Alepo quando ela era criança. Seus pais não tinham condições financeiras de pagar por uma escola que pudesse acomodá-la, o que fez com ela passasse boa parte da infância assistindo documentários dentro de casa, no quinto andar do apartamento da sua família.

Nujeen lembra de um dia ter assistido ao noticiário, seis anos atrás, quando as movimentações nas ruas abaixo de sua janela anunciavam o início do conflito na Síria. Ela nunca pode imaginar que seria o início do processo que iria desencadear em sua nova vida na Europa.

“Eu realmente aprendi a valorizar tudo que tenho nos últimos dois anos porque sei o que significa não ter nada”, ela diz, ávida por mostrar o alemão fluente que aprendeu em menos de 18 meses. “Se, lá atrás, alguém tivesse me dito que eu teria uma vida estável, eu falaria que eles eram loucos. Eu não tinha nem como ter certeza que iria acordar no dia seguinte. Nenhum de nós poderia afirmar isso”.