Declaração de Filippo Grandi, Alto Comissário da ONU para Refugiados, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher

“Acreditamos que temos uma profunda responsabilidade em garantir que as diferentes vozes de mulheres e meninas sejam ouvidas e refletidas em cada passo, em todos os aspectos do nosso trabalho”.

Em um projeto de costura financiado pelo ACNUR que reúne mulheres de diferentes comunidades em Maungdaw, estado do norte de Rakhine, Mianmar, o chefe do ACNUR, Filippo Grandi conversa com Roshida, de 18 anos. © ACNUR/Roger Arnold

Neste ano, o Dia Internacional da Mulher acontece em meio a um poderoso movimento global pelo direito das mulheres, por igualdade e por justiça.

O tema do movimento – “Time is Now” (Agora é a hora, em tradução livre) – vem no momento certo. Também ecoa o compromisso firme do ACNUR em defender os direitos das mulheres e meninas, e em assegurar que o nosso trabalho em proteger e encontrar soluções para pessoas deslocadas e apátridas leve em consideração a idade, o gênero e a diversidade.

Nosso objetivo é desenvolver as capacidades e aspirações de mulheres e meninas, e ajudá-las a perceber seu potencial – por meio de melhor acesso à educação, ao trabalho digno, e aos serviços jurídicos e de saúde.

No ACNUR, realizamos trabalhos concretos para avançar nesses objetivos. No Líbano, as mulheres representam mais de 50% dos nossos voluntários. Na República Centro-Africana, três centros estão agora ajudando mulheres deslocadas a melhorar suas habilidades de leitura, a abordar a violência sexual e de gênero, a se sustentarem e sustentarem suas famílias. Na Malásia, investimentos apoiados em liderança, comunicação, e treinamento em igualdade de gênero aumentaram em 43% o número de mulheres refugiadas que participam das decisões tomadas nas comunidades.

Nesses lugares, e em todas as nossas operações pelo mundo, o ACNUR está agindo.

Acreditamos que temos uma profunda responsabilidade em garantir que as diferentes vozes de mulheres e meninas sejam ouvidas e refletidas em cada passo, em todos os aspectos do nosso trabalho.

Temos assumido compromissos de longo prazo em relação à idade, gênero e diversidade, e os levamos em consideração ao aprofundarmos e atualizarmos uma nova política, a fim de refletir as lições que aprendemos e garantir que somos plenamente responsáveis perante as mulheres, meninas e todos aqueles que servimos. Investiremos em um monitoramento melhor, para que possamos marcar nosso progresso na busca pela igualdade de gênero em nossas operações – e para alcançar um planeta mais igual até 2030.

O Dia Internacional da Mulher também é o momento certo para redobrar nosso compromisso em acabar com a exploração sexual, com o abuso e com o assédio. Não há justificativas para esses comportamentos. Nós, no ACNUR, estamos e continuaremos na vanguarda dessa luta. Não há lugar em nossa organização para aqueles que não respeitam nossos valores fundamentais. Eu peço às vítimas para que falem e defendam seus direitos. E peço a qualquer pessoa que tenha testemunhado má conduta sexual no ACNUR para que a denuncie. Continuaremos a intensificar o nosso apoio às vítimas e nos esforçaremos para melhorar as formas de prevenir, denunciar e lidar com casos de má conduta sexual.

Sociedades que se beneficiam de todo o potencial das mulheres e dos homens, e onde os direitos das mulheres e meninas deslocadas são plenamente mantidos, não são apenas um sonho distante.

Cabe a todos nós torná-las realidade, agora.