Embaixadora do ACNUR, Yusra Mardini, lança livro sobre sua trajetória de superação

Refugiada síria ajudou a salvar uma embarcação cheia de refugiados e partcipou da primeira Equipe Olímpica de Atletas Refugiados nos Jogos do Rio em 2016.

Yusra Mardini na sede do ACNUR depois de ser anunciada como Embaixadora da Boa Vontade do ACNUR. © ACNUR/Susan Hopper

BERLIM, Alemanha – A nadadora Yusra Mardini, que competiu na primeira Equipe Olímpica de Atletas Refugiados nos Jogos do Rio em 2016, foi forçada a fugir da Síria em 2015 e, na Turquia, embarcou em um pequeno bote cheio de refugiados com destino à Grécia.

Quando o motor do bote falhou e a embarcação começou a afundar, Yusra, então com 17 anos, sua irmã mais velha Sara e outras duas pessoas pularam na água para aliviar a carga e guiaram o barco em segurança até a ilha grega de Lesbos. Eles ficaram no mar por três horas e meia e salvaram a vida das pessoas que estavam a bordo.

A notável história de Yusra é contada em um livro intitulado “Butterfly” (Borboleta, em tradução livre), que foi lançado em Berlim na segunda-feira. A edição em inglês será lançada em Londres no final desta semana.

Um ano depois da arriscada viagem de barco, Yusra competiu na primeira Equipe Olímpica de Atletas Refugiados no Rio de Janeiro e, em seguida, foi nomeada a mais jovem Embaixadora da Boa Vontade do ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados.

A nadadora síria foi nomeada pela revista People como uma das 25 mulheres que estão mudando o mundo e uma das 30 adolescentes mais influentes da revista Time de 2016.

Ela diz que suas experiências a deixaram mais determinada a falar por aqueles forçados a fugir e que está feliz em representar o ACNUR.

Na segunda-feira, durante o lançamento do livro, Yusra falou sobre uma viagem que fez à Itália, onde conheceu refugiados africanos: “Foi de partir o coração. Realmente não tinha como não chorar. Minha história não é nada comparada às das pessoas que foram forçadas a fugir da África. Um grupo de 14 pessoas cruzou o deserto e apenas uma delas sobreviveu. O ACNUR está fazendo um trabalho fantástico. “

Treinadas pelo pai, Yusra e sua irmã eram nadadoras promissoras em casa, na cidade síria de Damasco, e tinham o sonho de competir nas Olimpíadas.

“A natação é tudo para a minha família”, disse. “Nadar é tudo que eu sempre quis, mas então uma bomba atingiu o estádio onde treinávamos e meus pais fizeram o que todos os pais fazem quando acham que as crianças estão em perigo. Então, decidimos deixar a Síria. ”

Yusra agora vive em Berlim, onde está treinando para as Olimpíadas de 2020, em Tóquio.

Ela acrescentou: “Ninguém realmente decide fugir. Nós simplesmente não tivemos escolha. Ninguém teve escolha. “