Forçada a deixar sua casa, ativista trans pede tolerância

A solicitante de refúgio salvadorenha está começando uma nova vida na Guatemala.

Refugiado LGBTI que foi forçado a fugir da violência e da discriminação em Honduras pinta as unhas de um amigo em um abrigo em Tenosique, no México. © ACNUR/Markel Redondo

Como adolescente transgênero em San Salvador, Carolina* foi evitada pela família e ameaçada por gangues de rua. Agora, na Guatemala, ela está lutando pelos direitos humanos e ajudando outras pessoas a encontrar sua voz.

“Eu tinha 14 ou 15 anos da última vez que minha mãe me expulsou de casa”, lembra Carolina. “Ela me falou ‘saia daqui’ e disse que eu não poderia ficar. Naquele momento, eu não disse nada – peguei minha bolsa e saí”.

Em meio à insegurança generalizada no norte da América Central, centenas de milhares de pessoas foram forçadas a fugir, e lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans e intersex – conhecidas como LGBTI – são particularmente vulneráveis.

Segundo um estudo do ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, quase 90% dos solicitantes de refúgio e refugiados LGBTI da América Central com quem conversou em 2016 disseram ter sofrido violência sexual e de gênero em seus países de origem.

Um pequeno, mas crescente número de pessoas procura refúgio na Guatemala. Até o final de 2017, o país acolhia 370 refugiados, e outros 150 solicitaram refúgio naquele ano.

“Todos somos seres humanos. Merecemos ser tratados com o mesmo respeito. ”

Como mulher trans, todos os dias Carolina ainda enfrenta riscos nas ruas da capital, Cidade da Guatemala, mas o país também lhe deu uma liberdade até então desconhecida. A salvadorenha agora está solicitando refúgio e construindo uma nova vida.

“Eu me considero uma mulher trans feminista, pois todos os dias ajo por mim mesma, por outros como eu e por todas as mulheres”.

No dia 17 de maio, o ACNUR celebra o Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, com foco na importância de ser um aliado(a) na promoção da igualdade de direitos da população LGBTI. A agência está empenhada em proteger os direitos dos refugiados e solicitantes de refúgio LGBTI  e, este ano, está enfatizando a importância de redes e alianças para apoiar aqueles que foram forçados a deixar suas casas.

“Quando as pessoas são forçadas a fugir de suas casas e comunidades, suas redes de apoio se tornam frágeis, e os riscos de proteção que enfrentam muitas vezes se tornam mais graves”, afirmou Filippo Grandi, Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados.

Grandi ressaltou que os refugiados LGBTI e os deslocados internos são frequentemente confrontados com este desafio, mesmo nos países onde buscam refúgio.

“Encontrar e desenvolver redes de apoio adequadas é, portanto, crucial para a efetivação de seus direitos, permitindo que eles busquem suas aspirações nos países e comunidades em que buscam proteção”, acrescentou.

A mensagem coincide com as esperanças expressas por Carolina.

“Eu gostaria de ver a Guatemala e, ouso dizer, outros estados da América Central tornarem-se mais inclusivos”, diz. “Eu acredito que as pessoas, todos nós, somos seres humanos. Nós merecemos ser tratados com o mesmo respeito e sem discriminação”.

* Nome alterado por motivos de proteção.