Senegal é bicampeã da etapa gaúcha da Copa dos Refugiados

Torneio envolveu mais de 120 jogadores refugiados, solicitantes de refúgio, migrantes e brasileiros descendentes de estrangeiros foi marcado pela superação dentro de campo e pela acolhida nas arquibancadas.

Jogadores do Senegal levantam a taça de campeões da Copa dos Refugiados de Porto Alegre, que contou com a participação de 120 jogadores representando oito países. Foto: ACNUR/MiguelPachioni

Porto Alegre, 06 de junho de 2018 (ACNUR) – Foi com muito suor, empenho e dedicação que a seleção de Senegal se consagrou bicampeã da etapa da Copa dos Refugiados em Porto Alegre, que aconteceu pela segunda vez na capital gaúcha e inaugurou o calendário deste consolidado torneio de futebol amador. A final do torneio será em setembro no Estádio Municipal do Pacaembu, em São Paulo.

Durante a final desta etapa, no último domingo (03/06), a seleção do Senegal superou o Líbano nos pênaltis, em um jogo muito disputado, em que ambas equipes buscaram o ataque incansavelmente. Aliás, a disputa esteve acirrada dentro de campo, com placares apertados e muito empenho por parte dos jogadores em todas as equipes, que representaram também Angola, Peru, Venezuela, Colômbia e Haiti.

Fora dos gramados, o destaque se deu ao coro de vozes, composto por diferentes sotaques, que estimulavam os times que estavam em campo na disputa da grande final, realizada no Estádio Beira Rio, do Sport Club Internacional – também conhecido como Clube do Povo.

“Eu vim aqui hoje pra torcer por cada um deles, para mostrar que estamos apoiando a chegada de quem busca paz em meio às guerras e insegurança, de quem vê no Brasil uma chance de recomeçar a sua vida”, disse o estudante universitário Pedro Simões, que divide a sala de aula com colegas que estavam em campo.

A integração por meio do futebol é também importante para o jovem venezuelano Blas, de 23 anos. “Saí de ônibus da Venezuela em outubro de 2017, devido a difícil situação que estamos enfrentando lá. Cheguei em Boa Vista, fui para Manaus, São Paulo, e só depois cheguei em Porto Alegre, onde me juntei novamente ao meu pai. Hoje estudo comunicação, trabalho e, aos domingos, jogo futebol com meu time, que já é mais numeroso do que no ano passado.”

 

O venezuelano Blas (à direita) disputa um lance na primeira partida da Venezuela pela Copa dos Refugiados, realizada no sábado (2), no estádio Passo D’Areia do Esporte Clube São José, em Porto Alegre. Foto: ACNUR/MiguelPachioni.

A organização África do Coração, idealizadora da Copa e parceira do ACNUR – Agência da ONU para Refugiadas – envolveu neste ano mais pessoas na organização da competição.

“A Copa dos Refugiados cresceu muito esse ano. Aqui em Porto Alegre, estamos trabalhando com oito profissionais da África do Coração de oito diferentes nacionalidades, mostrando que de fato o esporte é capaz de unir toda essa diversidade para promover a integração entre todos nós e lutar contra a xenofobia”, disse o sírio Abdo JA Rour, coordenador da Copa dos Refugiados.

A Copa dos Refugiados em Porto Alegre foi realizada pela Ponto Agência de Inovação Social que publicará, para o próximo mês, um álbum digital de figurinhas dos jogadores que disputaram o torneio com foco na empregabilidade desses profissionais, que possuem formação em diversas áreas.

“A Copa aqui em Porto Alegre terminou no campo, mas ela continuará com o resultado social que será implementado daqui para frente”, disse Rodrigo Vicêncio, sócio-diretor da agência Ponto.

A segunda edição da Copa dos Refugiados em Porto Alegre contou com o apoio da Prefeitura de Porto Alegre (por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Esporte), ASAV (Associação Antônio Vieira), Sport Club Internacional, gestora do estádio B.RIO, Esporte Clube São José, Federação Gaúcha de Futebol, ABACE (Associação Buriti de Arte, Cultura e Esporte), Beat Conteúdo e Relacionamento, Agência Matriz, Fuerza Studio, Uniritter e Sociedade Libanesa.

O envolvimento dos times com a Copa dos Refugiados indica que as diferentes nacionalidades são representadas por jogadores comprometidos e talentosos, que enxergam no Brasil um país em que se é possível realizar seus sonhos – talvez não como jogadores, mas seguramente como seres humanos que merecem ter a chance de um recomeço.

Sobre a Copa dos Refugiados: Iniciativa do refugiado congolês Jean Katumba, fundador da ONG África do Coração, a Copa dos Refugiados surgiu em 2014 na cidade de São Paulo. O evento, que é um torneio entre seleções formadas por refugiados que representam seus países de origem, busca integrar os refugiados, solicitantes de refúgio e migrantes à sociedade brasileira, promovendo sua inclusão social. Em 2018, além desta edição em Porto Alegre, a Copa passará também pelo Rio de Janeiro e por São Paulo. Os vencedores das etapas regionais disputarão as finais da Copa do Brasil de Refugiados em setembro, no Estádio Municipal do Pacaembu, em São Paulo.