Níger se torna campeão da etapa São Paulo da Copa dos Refugiados

Após uma final muito disputada contra a bicampeã Nigéria, decisão nos pênaltis garantiu título inédito à seleção do Níger, que seguirá treinando para representar São Paulo na Copa do Brasil de Refugiados.

Capitão da seleção do Níger levanta o troféu de campeão da 5ª Etapa São Paulo da Copa dos Refugiados, sob aplausos do Secretário Municipal de Esportes e Lazer, João Farias. © ACNUR/MiguelPachioni

São Paulo, 06 de setembro de 2018 (ACNUR) – A seleção do Níger conquistou, pela primeira vez em cinco anos de torneio, a etapa São Paulo da Copa dos Refugiados, o maior torneio de futebol de refugiados das Américas. A conquista só foi consagrada após o tempo normal do jogo,  quando as seleções finalistas Níger e Nigéria empataram em 2 x 2. Nos pênaltis, o goleiro Obumaeke fez duas defesas que garantiram o título à jovem seleção do Níger, que chegou a final após eliminar na disputa as consagradas seleções do Iraque, Marrocos e Líbano.

“Quando formamos a equipe, sabíamos que nossa seleção podia ir longe, ainda que a chave dos jogos que caímos fosse difícil. Quando então passamos pela vice-campeã da Copa do ano passado (Marrocos), tivemos a certeza que nosso time estava organizado para vencer também a atual campeã (Nigéria), e foi o que aconteceu, com muito suor”, disse Danyel, de 34 anos, que há seis anos vive no Brasil.

“Quando chegamos aqui (em São Paulo) fizemos pesquisas pela internet e fomos atendidos por organizações que nos informaram sobre trabalho, estudos e cultura. Logo soubemos que havia esse campeonato de futebol para refugiados e nos inscrevemos. Embora perdemos logo no primeiro jogo, foi muito bom conhecer pessoas de outras nacionalidades e também ter o apoio dos brasileiros, que têm nos ajudado muito”, disse William Rodrigues, de 29 anos e que vive em um centro temporário de acolhimento há quatro meses.

A recém-formada seleção da Venezuela participou pela primeira vez da Copa dos Refugiados em São Paulo, reforçando o agradecimento pela acolhida de brasileiros à capital paulista. © ACNUR/MiguelPachioni

Ao todo, 16 seleções de diferentes nacionalidades disputaram a etapa São Paulo da Copa dos Refugiados. A atual campeã, Níger, estará ao lado das outras duas seleções, Senegal e Angola, que venceram respectivamente as etapas regionais em Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ). Além destas equipes campeãs, um time formado por jovens refugiados com idade inferior a 20 anos irá compor o quadrangular da inédita Copa do Brasil de Refugiados, a ser realizada em São Paulo nas próximas semanas.

Dentre as muitas fotos tiradas pelos torcedores ao longo da competição, com jogos realizados nos equipamentos municipais de esportes do Jardim São Paulo (Zona Norte), na Vila Manchester (Zona Leste) e no Parque da Aclimação (região central), os jogadores da final formaram fila para tirar selfies com um experiente nome do futebol brasileiro: o árbitro Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza, que apitou a final.

 “Essa interação entre os jogadores que disputam esse nobre campeonato é muito importante, simbolizando o elo de amizade entre os povos”, afirmou o árbitro que apitou de forma voluntária a final da quinta edição do torneio em São Paulo.

O árbitro Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza apitou a final da etapa São Paulo da Copa dos Refugiados e recebeu muitos pedidos de selfies com os jogadores da final. © ACNUR/MiguelPachioni

A Copa dos Refugiados é realizada pela África do Coração, uma organização feita por refugiados para atender pessoas em situação de refúgio no Brasil. São parceiros da Copa dos Refugiados a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), as Secretarias Municipais de Esportes e Lazer, dos Direitos Humanos e Cidadania, e das Relações Internacionais, assim como a empresa Sodexo On-site, que há dois anos fornece os kits de alimentos aos jogadores participantes do torneio.