Equipe Olímpica de Refugiados irá competir nos Jogos de Tóquio em 2020

O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou que a equipe de refugiados voltará a competir após estreia histórica nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

Atletas refugiados dividem o palco com o presidente do COI, Thomas Bach, no Fórum Olympism in Action em Buenos Aires © ACNUR / Lorey Campese

A Equipe Olímpica de Refugiados competirá nos Jogos de Tóquio 2020, após a estréia inédita de atletas refugiados nos Jogos Olímpicos de Verão de 2016, no Rio de Janeiro.

A confirmação da participação da equipe de refugiados no maior evento internacional esportivo veio durante a 133ª Sessão do Comitê Olímpico Internacional (COI) na capital da Argentina, Buenos Aires, nesta terça-feira (9). Dirigindo-se à sessão do COI antes da votação, Yiech Pur Biel, apoiador do ACNUR e membro da Equipe Olímpica de Refugiados de 2016, pediu às delegações que aproveitassem “a oportunidade única de avançar a partir do que já foi alcaçado e ter uma segunda Equipe Olímpica de Refugiados em Tóquio 2020”. Desde que as Olimpíadas modernas começaram, em 1896, mais de 200 equipes nacionais disputaram os Jogos de Verão e de Inverno. Em 2016, pela primeira vez, uma equipe de refugiados também competiu.

 Dez atletas refugiados de quatro países se reuniram no Rio de Janeiro, como a Equipe Olímpica dos Refugiados. Entre eles, dois nadadores, dois judocas, um maratonista e cinco corredores de meia-distância competiram sob a bandeira do COI, evidenciando o contínuo compromisso do Comitê Olímpico Internacional com a causa do refúgio.

A declaração de que os refugiados competirão em Tóquio foi bem recebida pelo Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi.

“Em 2016, a equipe de refugiados do Rio prendeu a atenção do mundo todo e mostrou o lado humano da crise global de refugiados por meio do esporte”, disse Grandi em um comunicado.

“Eu estou muito feliz que esta tradição continuará em Tóquio. Dar a esses jovens excepcionais a oportunidade de competir nos mais altos níveis é admirável ”, concluiu.

Em um momento em que o número de pessoas deslocadas pela violência e pela perseguição atinge o o mais alto nível desde a Segunda Guerra Mundial, a habilidade atlética e a capacidade de resiliência da Equipe Olímpica dos Refugiados no Rio de Janeiro inspirou coragem e perseverança nos refugiados ao redor do mundo. Esta semana, durante o Fórum de Olimpismo em Ação do COI, a Equipe Olímpica de Refugiados se reuniu em Buenos Aires pela primeira vez desde 2016. Eles aproveitaram a reunião para defender o esporte como uma ferramenta para a paz, e lembraram que seus esforços inspiram esperança aos refugiados do mundo todo. Yusra Mardini, Atleta Olímpica Refugiada e Embaixadora da Boa Vontade do ACNUR, disse que a decisão de terça-feira dará aos refugiados uma nova chance de sonhar.

“Eu estou orgulhosa de ter representado a Equipe Olímpica de Refugiados e estou muito feliz que a equipe possa competir em Tóquio novamente”, disse ela. “Vou trabalhar o máximo que eu puder para ganhar uma vaga na equipe. Desejo boa sorte a todos os outros atletas refugiados do mundo”.

Após a votação, o presidente do COI, Thomas Bach, disse em comunicado: “Em um mundo ideal, não precisaríamos ter uma Equipe de Refugiados nos Jogos Olímpicos. Mas, infelizmente, as razões pelas quais criamos uma Equipe Olímpica para Refugiados para os Jogos Olimpícos do Rio 2016 persistem”.

“Esta é a continuação de uma jornada excitante, humana e olímpica e um lembrete aos refugiados de que eles não são esquecidos”, acrescentou.