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Apelos de ajuda buscam mais de 3 bilhões de dólares para o Sudão do Sul, país que terá a maior crise humanitária e de refugiados do continente africano

Filippo Grandi, e o Coordenador de Ajuda de Emergência, Mark Lowcock, lançaram na quinta-feira um apelo para arrecadar 1,5 bilhão de dólares para ajudar os refugiados que são forçados a deixar a grave situação humanitária no Sudão do Sul.

NAIROBI/GENEBRA, 05 de fevereiro de 2018 (ACNUR) – O Alto Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, e o Coordenador de Ajuda de Emergência, Mark Lowcock, lançaram na quinta-feira (01) um apelo para arrecadar 1,5 bilhão de dólares para ajudar os refugiados que são forçados a deixar a grave situação humanitária no Sudão do Sul, e 1,7 bilhão de dólares para aquelas com necessidades dentro do país durante 2018.

Com o conflito chegando em seu quinto ano, aproximadamente 2,5 milhões de sul-sudaneses foram forçados a deixar o país em direção a cinco países vizinhos, incluindo Uganda, Quênia, Sudão, Etiópia, República Democrática do Congo e a República Centro-Africana. O conflito e a insegurança já forçaram 1 em cada 3 pessoas da população do país a se deslocar – seja dentro do Sudão do Sul ou em suas fronteiras. Dentro do país, 7 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária.

A previsão é que o número de refugiados irá ultrapassar a marca de 3 milhões até o final deste ano, fazendo com que o Sudão do Sul tenha a maior crise de refugiados do mundo desde o genocídio de Ruanda. “O custo humano do conflito do Sudão do Sul atingiu proporções épicas”, disse Filippo Grandi, Alto Comissário do ACNUR. “Se a guerra não terminar, o número de refugiados subirá de 2,5 para 3 milhões em 2018. O conflito está afetando as pessoas do Sudão do Sul que deveriam ser o maior recurso de uma jovem nação. Eles deveriam estar construindo o país, não sendo forçados a deixá-lo. Enquanto o povo do Sudão do Sul espera pela paz, o mundo deve ajudar”.

Uganda, o país que mais acolhe, com mais de um milhão de refugiados, poderia acabar abrigando mais um quarto de milhão de refugiados. O número de refugiados poderia exceder a marca de um milhão no Sudão.

Aproximadamente 90% dos deslocados internos são mulheres e crianças e cerca de 65% têm menos de 18 anos. As mulheres denunciaram casos de estupro e outras formas de violência, o assassinato de seus maridos e o desaparecimento de crianças durante suas travessias.

Apesar disso, o financiamento para a crise de refugiados do Sudão do Sul permanece desanimadoramente baixo, com apenas 33% dos fundos solicitados que chegaram em 2017.

As necessidades humanitárias no Sudão do Sul continuam a aumentar num nível alarmante. Quase 7 milhões de pessoas, incluindo dois milhões de deslocados internos, permanecem com necessidade urgente de assistência e proteção pelo país. Muitos estão sob o risco de desnutrição. Muitas crianças estão incapazes de irem à escola ou receber assistência médica adequada, e geralmente estão sem abrigos.

O plano de resposta humanitária para 2017 foi 73% financiado, permitindo que as Nações Unidas e seus parceiros ajudassem 5,4 milhões de pessoas.

“O conflito no Sudão do Sul chegou a um nível brutal e mortal. Milhões foram forçados a deixar o país com medo pelas suas vidas. Agora eles precisam de nosso apoio”, disse Mark Lowcock, enquanto visitava o campo de Kakuma, no Quênia, ao lado do Alto Comissário.

Apontando para a abordagem perspicaz tomada pelas autoridades quenianas para apoiar os refugiados, ele acrescentou: "É do interesse de todos continuarem a oferecer apoios generosos e contínuos às pessoas afetadas pela crise dentro e fora do país".