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Astro sírio da luta livre enfrenta novo desafio no Egito

Depois de ser forçado a fugir devido ao conflito na Síria, Amir abriu um centro esportivo para refugiados na Alexandria para treinar uma nova geração de competidores.

ALEXANDRIA, Egito, 11 de janeiro de 2018 – Amir Awad já não se assusta com seus adversários. Ele participou de seu primeiro campeonato de luta livre em seu país natal, Síria, aos 11 anos de idade e lutou para chegar no topo de seu esporte, tornando-se finalmente no campeão sírio, árabe e pan-asiático.

Após o início do conflito na Síria em 2011, ele enfrentou desafios completamente diferentes. Sua esposa Enas, que estava grávida, deixou sua casa na cidade síria de Idlib em 2012 para ficar com seus familiares no Egito, enquanto que Amir e seu pequeno filho Daniel ficaram para trás.

Mas depois que um foguete caiu em seu bairro, perto de sua casa, ele e seu filho deixaram a Síria e se mudaram para o Egito como refugiados. Vivendo na casa de seu sogro em Alexandria com sua esposa, seu filho e sua filha recém-nascida, Amir estava preocupado em como iria sustentar sua jovem família, alimentando a ideia obsessiva em tomar a rota marítima até a Europa.

“Meu plano era ir à Europa, chegar lá e logo trazer minha família. A ideia me perseguia”, disse Amir. “Porém, quando imaginei que teria que deixar minha esposa e meus filhos e estar longe deles, o medo era muito mais poderoso que minha vontade”.

Em troca, Amir encontrou um trabalho como caixa num restaurante local, e com o tempo virou chefe. Por coincidência, alguns de seus colegas sírios também eram esportistas, e juntos tiveram a ideia de criar um centro esportivo para refugiados sírios em Alexandria.

Em 2015, depois de conhecer locais e organizar alguns eventos esportivos, Amir e seus amigos se aproximaram do ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, e por meio da ONG parceira Caritas, tiveram o apoio necessário. O ACNUR auxiliou com fundos para equipar a instalação e ofereceu capacitação para Amir e seus sócios sobre a gestão do projeto.

“O que o ACNUR está fazendo por nós é que ao invés de nos dar o peixe todos os dias, nos ensinaram a pescar”, disse Amir. “Sugeriram que treinemos a certos grupos de idade gratuitamente durante três meses, e nos apoiaram com fundos enquanto construímos nosso nome e atraímos mais pessoas”.

O centro agora oferece aulas diárias para refugiados sírios, bem como egípcios, de luta livre, kickboxing, taekwondo, karatê e ginástica, além de dança e zumba para mulheres, essas últimas coordenadas por sua esposa Enas, ex-bailarina.

Amir espera seguir lutando no nível mais alto, e ainda sonha algum dia em competir nos Jogos Olímpicos. Mas graças a academia, agora tem outro sonho: treinar os futuros campeões e usar o esporte como uma forma de fazer com que outras pessoas não arrisquem suas vidas em perigosas travessias marítimas em direção à Europa.

“Como campeão, o que devo fazer agora é criar futuros campeões, continuar o que fiz”, explicou. “Para mostrar a eles que não é necessário estar na Alemanha ou na Inglaterra para ter sucesso, e para que as pessoas notem suas habilidades”.