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Doadores garantem 857 milhões de dólares para proteção e assistência de refugiados em 2018

Embora esse número represente o maior valor já prometido pelos Estados, a lacuna entre os fundos recebidos e as necessidades dos refugiados e pessoas deslocadas continua crescendo.

GENEBRA, 06 de dezembro de 2017 - Países doadores comprometeram-se, nesta terça-feira (05), a disponibilizar o valor inicial de 857 milhões de dólares para que o ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, financie operações destinadas a ajudar as cerca de 67 milhões de pessoas deslocadas ou apátridas em todo o mundo em 2018.

 

O valor, prometido em uma reunião anual em Genebra, equivale a cerca de 11% do financiamento necessário para 2018, que supera 7,5 bilhões de dólares. A quantia assegurada este ano é consideravelmente maior que a do final de 2016, quando foram arrecadados 701 milhões de dólares.

 

Ainda que o total prometido hoje não cubra todas as necessidades de financiamento do próximo ano, o valor pode ser visto como um indicador capaz de antecipar o nível de financiamento e suporte necessários, permitindo que a organização planeje e continue as operações que oferecem assistência e proteção humanitária essenciais, incluindo algumas das principais situações emergenciais do mundo como no Iraque, Síria, Iêmen, República Democrática do Congo, Sudão do Sul, Afeganistão e Bangladesh.

 

Embora esse número represente o maior valor já prometido pelos Estados nesta conferência, a lacuna entre os fundos recebidos e as necessidades dos refugiados e pessoas deslocadas continua crescendo, em um contexto de novas crises e de níveis recordes deslocamento forçado.

 

"Um ano sem paz e de muitas guerras está prestes a terminar", disse o Alto Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi. "Cresce a crise dos refugiados. Crescem também as necessidades dos refugiados”. Grandi disse que o ACNUR é frequentemente perguntado a respeito do significado desses números e o impacto das lacunas de financiamento. "Isso significa que frequentemente o ACNUR precisa priorizar, às vezes de forma impiedosa", explicou. "Isso pode significar que alguns (refugiados) terão que se defender sozinhos durante os duros meses de inverno, e que outros não receberão a assistência que precisam para se reintegrarem quando puderem retornar a seus países de origem".

 

Em todo o mundo, o trabalho do ACNUR é financiado quase que inteiramente por contribuições voluntárias de governos, instituições intergovernamentais e, cada vez mais, de indivíduos, corporações e fundações. O Alto Comissário Grandi agradeceu particularmente os países e comunidades que acolhem as pessoas refugiadas. "Em termos de espaço, em termos de recursos, em termos dos custos políticos e socioeconômicos referentes ao acolhimento de refugiados, eles são uns dos maiores doadores em termos de assistência a essas pessoas".

 

Para 2018, o ACNUR pede aos doadores que mantenham e aumentem o apoio, por meio de contribuições variáveis e antecipadas que evitem a incerteza e permitam direcionar fundos para onde as necessidades são maiores.