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Famílias passam por dificuldades em zona de conflito na Ucrânia

À medida que o devastador conflito ucraniano entra no seu quarto ano, pontos de passagem entre áreas no leste do país forçam a separação de famílias.

UCRÂNIA, região de Donetsk, 16 de agosto de 2017 – Rodeados de campos minados, os pontos de controle são a única forma de viajar de um lado para o outro entre as áreas destruídas pelo conflito no leste da Ucrânia. Para muitos ucranianos, esse perigoso e inevitável caminho faz parte de suas viagens cotidianas.

Para chegar ao ponto de controle, Valentina e seu marido Gennadiy têm que caminhar cerca de 600 metros a pé da parada de ônibus e esperar na fila com os documentos necessários, antes de pegar dois ônibus para chegar ao ponto de controle do outro lado. Um percurso como este pode ser difícil para qualquer um, mas para pessoas vulneráveis, com mobilidade limitada, é angustiante. “Isso não é humano”, diz Valentina, enxugando suas lágrimas. 

Katya*, de 4 anos, e sua mãe, regularmente atravessam o ponto de controle na vila de Marinka. © UNHCR/Tania Bulakh

As autoridades ucranianas registraram mais de 6 milhões de travessias nas linhas de conflito desde o início de 2017, o que já se aproxima de 8,5 milhões de travessias desde 2016. Uma das razões para o aumento na circulação de pessoas são os processos de verificação para auxílios sociais, introduzidos pelo governo ucraniano. Para muitas pessoas vulneráveis, em territórios não controlados pelo governo, a ajuda desse auxílio social é vital à sua sobrevivência. A necessidade dessas pessoas pelo auxílio as deixa sem escolha, a não ser viajar.

“Não escolhemos viver dessa maneira”, diz Viktoria*, que leva sua filha de 4 anos, Katya*, pela linha divisória a cada dois meses para visitar seu avô. Enquanto Katya espera o ônibus com sua mãe, o som dos fuzis ecoa em torno do lugar, à medida que o combate continua.

O ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, está preocupado com as dificuldades em relação à liberdade de locomoção dos civis, particularmente quando cruzam a fronteira do conflito. “Frequentemente, existem longas filas e, consequentemente, atrasos nos pontos de controle”, disse Andrej Mahecic, porta-voz do ACNUR, numa notícia em Genebra, dia 11 de agosto. “Essas pessoas, que esperam para atravessar a linha de conflito, possuem acesso limitado a serviços básicos, como água, banheiro, abrigo e assistência médica”.

Com o apoio da Direção Geral para a Proteção Civil e Operações de Ajuda Humanitária Europeia da Comissão Europeia (ECHO) e outros doares internacionais, o ACNUR está providenciando apoio técnico e equipamento para melhorar as condições nos pontos de travessia.

Computadores e mobília foram fornecidos ao Serviço Estadual de Guarda Fronteiriça da Ucrânia para acelerar o processo dos documentos. Também há planos para instalar novas barracas aquecidas e tendas para que os pedestres se desloquem na linha do conflito. 

Desde 2015, e com a assinatura do Acordo de Minsk, o conflito no leste da Ucrânia desapareceu das manchetes, com uma diminuição dos tiroteios, muitas vezes vistos como um sinal de que a situação se estabilizou. Entretanto, as explosões e bombardeios continuam, ao lado das estruturas destruídas e da falta de segurança que expõe as pessoas em situações de risco de vida. Ademais, com muitas famílias divididas por estarem perto da linha do conflito, a esperança é baixa. “Não merecemos isso depois de todos os anos que contribuíamos ao trabalhar para este país”, diz Valentina

* Os nomes foram alterados por motivos de proteção