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Grandi pede mais esforços para resolver conflitos

Chefe do ACNUR afirma que a comunidade internacional tem desapontado milhões de pessoas refugiadas e deslocadas internas.

GENEBRA, 02 de outubro de 2017 – Ao solicitar a renovação dos esforços internacionais para prevenir e solucionar conflitos, o chefe do ACNUR, Filippo Grandi, afirmou hoje que a comunidade internacional tem desapontado milhões de pessoas refugiadas e deslocadas internas, e frizou a necessidade de uma “rápida mudança global” para que seja adotado um novo foco em soluções e medidas de proteção.

“Sem que haja um senso comum de propósito, necessário para prevenir, estancar e resolver conflitos, o mundo continuará enfrentando novos fluxos de refugiados, por esse motivo é necessário reforçar sua capacidade de resposta”, afirmou Grandi em seu discurso na abertura do encontro anual do Comitê Executivo da Agência da ONU para Refugiados, o ACNUR.

Ao descrever os detalhes das crises, de Bangladesh ao Iêmen, Grandi apresentou um quadro sombrio sobre os números recordes de pessoas em todo o mundo que foram forçadas a deixar suas casas – 65,6 milhões até o final de 2016 – e sinalizou que a situação tende a piorar.

“Em 2017, até o momento, mais de duas milhões de pessoas foram forçadas a deixar seus países como refugiados. Eles geralmente chegam doentes, traumatizados, famintos, em regiões fronteiriças remotas de fronteiras, em comunidades assoladas pela pobreza e pelo subdesenvolvimento”, ele afirmou.

A equipe do ACNUR está trabalhando incessantemente para ajudar essas pessoas, muitas vezes em circunstâncias em que correm riscos, devido às suas imensas necessidades.

“Muitas dessas pessoas têm necessidades urgentes de proteção – crianças separadas de suas famílias, homens, mulheres, meninas e meninos expostos à violência sexual e de gênero, pessoas com deficiências ou expostas a outros tipos de riscos”, ele afirmou.

“Essa não é apenas uma questão de princípios e valores, mas também de construir uma estabilidade regional e global. A proteção e a segurança de pessoas refugiadas são objetivos complementares, e devem ser buscados conjuntamente”, ele disse.

Grandi, que esteve em Bangladesh na última semana testemunhando em primeira mão umas das emergências humanitárias que crescem mais rápido nos últimos anos, ressaltou que “em apenas cinco semanas, meio milhão de refugiados Rohingya foram forçados a fugir de atos terríveis de violência em Mianmar, e que os direitos dessas pessoas têm sofrido desgastes progressivos nas últimas décadas”.

É ainda mais angustiante imaginar que, enquanto isso estava acontecendo, outros 50 mil refugiados foram forçados a fugir do Sudão do Sul, onde os sonhos que acompanharam a independência foram dilacerados, e outras 18 mil pessoas tentaram escapar os recentes conflitos na República Centro-Africana.

“As atuais crises estão cada vez mais intensas. Para muitas pessoas refugiadas, a busca por segurança e proteção se tornou ainda mais perigosa”, declarou.

Grandi elogiou o que denominou de onda de solidariedade para com os refugiados, que está arraigada na sociedade civil, e que por diversas vezes foi reforçada por meio de fortes lideranças como prefeitos, líderes empresariais, e outras figuras públicas. Enalteceu também de que forma as atitudes de compaixão e receptividade, coletivas e individuais, contrabalancearam “medidas generalizadas de detenção e exclusão”.

“O caráter internacional da proteção de refugiados tomou novas formas – por meio de redes em cidades, organizações da sociedade civil, associações do setor privado, entidades esportivas e outras formas de colaboração que se estendem além das fronteiras”, ele disse.

Em um discurso abrangente, Grandi enalteceu a generosidade dos “países que mais recebem pessoas refugiadas – onde alguns desses líderes têm sua própria experiência de combate e exílio”, mais reforçou que é hora de tomar mais ações globalmente.

“Medidas para apoiar os esforços, fortalecer a proteção, mitigar o impacto de uma presença em larga escala de refugiados, e realmente compartilhar responsabilidades continuam sendo essenciais. Este é o desafio fundamental que está diante de nós”, ele declarou.

Leia discurso na integra (em inglês) aqui