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Novo relatório do ACNUR detalha mudanças nas trajetórias perigosas de refugiados e migrantes em direção à Europa

Segundo o relatório, ao longo do terceiro semestre de 2017, as três principais nacionalidades que chegaram na Europa pelo Mediterrâneo são sírios, marroquinos e nigerianos.

GENEBRA, 04 de dezembro de 2017 (ACNUR) – Novo relatório lançado no dia 23 de novembro pelo ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, aponta mudanças nas rotas utilizadas por refugiados e migrantes na tentativa de chegar na Europa durante o terceiro trimestre de 2017.

“Nos últimos meses, a rota marítima à Grécia ganhou muita atratividade, o número de pessoas que chegam na Itália pelo mar diminuiu, e temos visto o aumento de migrantes e refugiados utilizando diversos trajetos para chegar na Europa”, disse Pascale Moreau, Diretora do Escritório do ACNUR na Europa. 

O número de travessias da Líbia em direção à Itália caiu, cerca de 21.700 pessoas chegaram pela Itália por vias marítimas entre julho e setembro, o menor número desse período dos últimos quatro anos.

Segundo o relatório, ao longo do terceiro semestre de 2017, o número de pessoas aumentou em direção à Itália são oriundos da Tunísia, Turquia e Argélia. As três principais nacionalidades que chegam na Europa pelo Mediterrâneo são sírios, marroquinos e nigerianos.

A Grécia viu aumentar o número de pessoas que chegam por via marítima e terrestre desde o verão. Em setembro, em torno de 4.800 pessoas chegaram na costa do país, o maior número já registrado em um mês desde março de 2016. Mais ou menos 80 por cento das pessoas que chegam pelo mar são nacionais da Síria, Iraque e Afeganistão, dos quais dois terços são mulheres e crianças.

Ao mesmo tempo, a Espanha viu aumentar em 90% o número de pessoas que chegam por mar e terra durante o terceiro semestre de 2017 em comparação com o mesmo período do ano passado. A maioria desses 7.700 recém-chegados vieram do Marrocos, Costa do Marfim e Guiné, mas a maioria das pessoas que chegaram por via terrestre foram nacionais da Síria.

O relatório também traz detalhes das rotas tomadas da Turquia à Romênia por via do Mar Negro durante o verão – as primeiras desde fevereiro de 2015 – bem como o grande aumento de recém-chegados no Chipre desde o começo deste ano.

“Apesar da redução de travessias pela rota do Mediterrâneo Central, milhares de pessoas continuam a tentar viajar em rotas desesperadoras e perigosas em direção à Europa”, diz Moreau. Ela aponta com preocupação que desde 20 de novembro, quase 3.000 pessoas podem ter morrido ou desaparecido no mar e é confirmado que 57 pessoas morreram durante o trajeto para a Europa ou na costa europeia em 2017. Os números reais podem ser maiores, ela reforçou.

O relatório também ressalta a situação difícil de várias mulheres e meninas vítimas do tráfico e de mais de 15.200 menores desacompanhados e crianças separadas de suas famílias que chegaram na Europa neste ano.

Também é ilustrado que as trajetórias continuaram nos últimos meses, da mesma maneira que essas pessoas foram obrigadas a retornar a seus países de origem quando chegam no seu destino. Essas práticas devem ser investigadas e eliminadas, diz o relatório.

“O ACNUR continua reivindicando melhorias para caminhos seguros e legais, como reassentamento e reunião familiar na Europa. É também vital assegurar que essas pessoas tenham acesso aos canais de refúgio nos países europeus”, pontuou Moreau. “Estamos muito gratos com as contribuições dos países até agora, entretanto, é necessário que muito mais seja feito para responder aos 40.000 pedidos de reassentamento do ACNUR feitos desde setembro para os refugiados localizados em 15 dos principais países ao longo da rota do Mediterrâneo Central”, ela adicionou.

O relatório completo está disponível em: https://data2.unhcr.org/en/documents/details/60865