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Violência na República Centro-Africana força milhares a irem para o Chade

Calcula-se que mais de 5.000 refugiados chegaram no sul do Chade desde o fim de dezembro, escapando dos enfrentamentos entre os grupos armados na cidade de Paoua. 20.000 mais foram deslocados para outras partes do país.

GENEBRA, Suíça, 11 de janeiro de 2018 (ACNUR) – O ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, está registrando e ajudando milhares de novos refugiados que chegam no Chade, em sua maioria mulheres e crianças que foram forçados a deixar a República Centro-Africana (RCA) devido à recente escalada da violência no noroeste do país.

Calcula-se que mais de 5.000 refugiados chegaram no sul do Chade desde finais de dezembro, escapando dos enfrentamentos entre os grupos armados Mouvement National pour la Libération de la Centrafrique (MNLC) e Révolution et Justice (RJ) na cidade de Paoua, localizada na prefeitura de Ouham-Pendé. Vinte mil habitantes da cidade foram deslocados para outras partes do país.

Ao lado de sócios governamentais no Chade, o ACNUR registrou até o momento cerca de 2.350 novos refugiados na aldeia de Odoumian, localizada a cerca de 15 quilômetros da fronteira da RCA.

Muitos deles caminharam a pé para cruzar a fronteira até os departamentos de Montañas Nya-Pende e Lam no Chade. As autoridades locais dizem que chegaram aproximadamente 5.600 refugiados desde 27 de dezembro de 2017, quando começou o recente enfrentamento. Também foi informado que mais de 1.000 refugiados chegaram em acampamentos para refugiados da República Centro-Africana já existentes perto da cidade de Goré.

Trata-se do maior movimento de refugiados na República Centro-Africana, superando o total de 2017, ano em que cerca de 2.000 pessoas foram forçadas a deixar o Chade. Muitos deles denunciaram violações generalizadas de direitos humanas cometidas por grupos armados nas aldeias fronteiriças entre a República Centro-Africana e o Chade.

A fronteira com a República Centro-Africana está oficialmente fechada. O ACNUR celebra o gesto humanitário das autoridades do Chade ao permitir a entrada de refugiados que buscam proteção internacional, apesar do fechamento da fronteira.

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados também está ajudando às autoridades do Chade no registro dos recém-chegados, além de proporcionar assistência; com o apoio de organizações parceiras, o ACNUR também garante assistência médica para muitos refugiados que chegam com problemas de saúde (alguns incapazes de caminhar, por exemplo).

O Chade acolhe mais de 75.000 refugiados da República Centro-Africana – de um total de 538.000 abrigados conjuntamente com os países vizinhos.

A situação humanitária na República Centro-Africana sofreu um grande agrave durante o segundo semestre de 2017.

A violência armada e os ataques contra trabalhadores humanitários e agentes de paz provocaram o aumento de 50% no número de deslocados internos, o que elevou o total de 400.000 em maio para 600.000 ao final do ano. O número atual de refugiados e deslocados internos é o maior já registrado para a República Centro-Africana, quase um quarto da população de aproximadamente 4,6 milhões de pessoas.