ACNUR fecha escritório em Timor Leste

Quinta Feira 12. Janeiro 2012 12:00 Tempo: 131 days

© ACNUR/ K.McKinsey
José Ramos-Horta, presidente do Timor-Leste, presenteia o funcionário do ACNUR, James Lynch, durante cerimônia que marcou o fechamento do escritório da agência em Dili.

DILI, Timor-Leste, 12 de janeiro (ACNUR) – Em uma cerimônia repleta de lembranças pessoais, o presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, agradeceu o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) nesta quinta-feira por ter assistido o Timor Leste durante as crises humanitárias ocorridas nos primeiros anos do país.

“Estamos sempre prontos para assumir nossas responsabilidades”, disse. “Essa é a melhor maneira de agradecer ao ACNUR e a todos os países que assistiram nossos refugiados durante todos esses anos”.

O presidente, que passou mais de duas décadas como refugiado nos Estados Unidos e na Austrália entre 1975 e 1999, disse que o fechamento do escritório do ACNUR depois de 12 anos é um sinal de que o Timor Leste superou os problemas humanitários enfrentados em seus primeiros anos. “É uma ótima notícia”, disse.

O ACNUR abriu seu escritório no país em maio de 1999, um pouco antes do violento referendo de independência da Indonésia, ocorrido em agosto, levar quase 250 mil pessoas a fugirem para o Timor Oeste. Posteriormente, o ACNUR ajudou 220 mil refugiados a retornar a suas casas e trabalhou para a reconciliação enquanto o Timor Leste caminhava rumo à independência. Em maio de 2002, se tornou o mais novo país do século XXI e o 191º membro da ONU.

James Lynch, coordenador regional do ACNUR para o sudeste asiático, parabenizou as “incríveis conquistas” do país, mencionando que Timor Leste é um dos poucos países da região que assinou a Convenção da ONU de 1951 sobre o Estatuto do Refugiado. “Embora praticamente não haja refugiados e requerentes de refúgio aqui, o país tem uma legislação nacional válida para processar essas solicitações”, disse durante a cerimônia.

Durante uma nova emergência em 2006, o ACNUR assistiu rapidamente 150 mil pessoas deslocadas dentro do frágil país devido à violência de gangues, saques e incêndios.

Tanto Ramos-Horta quando Lynch homenageram três funcionários do ACNUR – Samson Aregahegn, Carlos Caceres e Pero Simundza – assassinados em Atambua, no Timor Oeste, em setembro de 2000.

“Sempre nos lembraremos dos sacrifícios que eles e outros funcionários do ACNUR fizeram para ajudar os refugiados timorenses a voltar para suas casas”, argumentou Lynch. “Acredito que o relacionamento da agência da ONU com a população do país foi fortalecido por aquela tragédia”.

Com o fechamento do escritório do ACNUR em Dili, o escritório regional em Bangkok continuará trabalhando com o governo e a sociedade civil timorense para proteger os refugiados e solicitantes de refúgio no país.

Enquanto enfatizava as relações calorosas entre o Timor Leste e o ACNUR, Ramos-Horta disse a Lynch: “Esperamos que você não tenha que retornar mais ao país por situações de emergência”. 

Por Kitty McKinsey em Dili, Timor Leste

Por: ACNUR


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