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Comida árabe feita por refugiados palestinos no Fórum Social Mundial
Sexta Feira 29. Janeiro 2010 12:00 Tempo: 2 yrs
BRASÍLIA, 29 de janeiro (ACNUR) - A décima edição do Fórum Social Mundial, que terminou hoje no Rio Grande do Sul, contou com a participação especial de um casal de palestinos com uma história de vida singular. Refugiados no Brasil e atendidos pelo Programa de Reassentamento Solidário, eles produzem doces e pães árabes como forma de complementar a renda familiar.
Faez Abbas e Salha Nassar participam da Casa da Palestina, na cidade de Canoas (RS), um espaço do Fórum Social Mundial que abriga mostras de artesanato, música, vestimentas e filmes sobre a história do povo palestino. “É uma grande oportunidade de falar sobre a causa palestina e divulgar nossa cultura para outras pessoas”, afirma Faez, 65.
Faez e sua mulher estão casados há 38 anos. Em 2003, fugiram juntos do Iraque para a Jordânia, onde viveram durante quatro anos no campo de refugiados de Ruweished. Em 2007, vieram para o Brasil com parte de um grupo de 108 refugiados palestinos atendidos pelo Programa de Reassentamento Solidário, implementado pelo governo federal, como o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e da sociedade civil.
Na Casa Palestina, o casal gerencia um estande com os quitutes, que incluem folhados, bolinhos e biscoitos de tâmaras. Abbas e a mulher preparam os quitutes usando tradicionais receitas de família. Quando viviam em Bagdá, cozinhar era apenas um passatempo: ele tinha uma pequena fábrica de confecção e ela trabalhava como psicóloga. Hoje, a produção de comida é uma fonte de renda para o casal.
Reassentados no Rio Grande do Sul, logo foram acolhidos pela comunidade palestina local, que soma cerca de 20 mil pessoas. “Apesar da idade avançada, eles sempre se mostraram interessados em encontrar um meio de sustento próprio, desde que chegaram ao Brasil”, conta Karin Wapechowski, coordenadora da Associação Antonio Vieira (ASAV), ONG parceira do ACNUR no sul do país e responsável pela assistência aos refugiados na região.
Aos poucos, o plano de fabricar doces e pães foi se concretizando. Usando recursos próprios e com o apoio do Programa de Reassentamento Solidário, Faez e a esposa compraram um forno industrial. Há seis meses, ganharam estufas, formas e embalagens para alavancar o negócio.
Os quitutes são vendidos para a comunidade palestina na cidade de Sapucaia do Sul (RS), onde o casal mora, e para mercados de cidades vizinhas. No entanto, é a primeira vez que os produtos ganham uma exposição internacional, como no Fórum Social Mundial – que este ano contou com a participação de 27.350 inscritos, de 39 países.
Os palestinos são o maior grupo de refugiados recebido de uma só vez pelo programa brasileiro de reassentamento, criado para receber refugiados que escapam de conflitos armados ou violência generalizada e que não podem continuar no país de primeira acolhida. No Brasil, colombianos e palestinos foram acolhidos, estes últimos reassentados nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.
O Programa foi desenvolvido no contexto do Plano de Ação do México, uma estratégia conjunta de proteção aos refugiados na América Latina e assinado em 2004 por 20 países da região, inclusive o Brasil. Atualmente, o Brasil possui cerca de 4.200 refugiados, vindos de mais de 76 países, sendo aproximadamente 400 deles reassentados.
Por Carolina Montenegro, em Brasília

