Conferência sobre o Afeganistão: De volta ao lar, mais desafios

quarta 02. maio 2012 12:00 Tempo: 2 yrs

© ACNUR/M.Farhad
Anciões na vila de Mahajer Qashlaq, no norte do Afeganistão, discutem progressos alcançados pela iniciativa conjunta do governo afegão com o ACNUR para o apoio da reintegração sustentável de refugiados.

MAHAJER QASHLAQ, Afeganistão, 1º de maio de 2012 (ACNUR) – Uma nova iniciativa do Alto Comissariado da ONU para Refugiados e do governo do Afeganistão busca a reintegração sustentável de ex-refugiados. O plano tem como foco apoiar os retornados a se tornarem autossuficientes.

Na vila de Mahajer Qashlaq, norte do país, anciãos da aldeia discutiram a estratégia e a aplicação do plano em conjunto com o chefe do ACNUR para operações na região.

“Estamos entrando em uma nova fase de retorno e reintegração de refugiados afegãos”, disse Martin Bucumi, oficial do ACNUR. “Sabemos que encontrar um plano de trabalho adequado é a chave do processo”. 

Inicialmente, o trabalho será concentrado nas 19 províncias onde existe grande número de afegãos que voltaram após muitos anos de refúgio, e onde espera-se receber mais levas de pessoas. Os projetos de reintegração visam fornecer serviços essenciais de saúde, saneamento, educação e água, além de fomentar oportunidades econômicas para as regiões, apoiar jovens na busca de emprego e ajudar as comunidades a conviver harmoniosamente.

Há quatro anos, quando aproximadamente 200 famílias retornaram do Paquistão para Mahajer Qashlaq, o cenário era desolador: infértil, sem água potável, moradia, escolas ou postos de saúde.

“Agradecemos pela ajuda inicial que recebemos do ACNUR naquela época”, disse Mullah Ghulam Rasoul, chefe da shura (conselho local). “Porém, ainda não era o suficiente, pois precisávamos de trabalho e ter certeza de que poderíamos sustentar nossas famílias”.

Jamaher Anwary, ministro afegão para Refugiados e Reintegração, afirmou que tais necessidades motivaram a revisão das políticas de reintegração no país, feita em conjunto com o ACNUR.

Mahajer Qashlaq tornou-se uma das 48 áreas indentificadas pelo ACNUR e pelo ministério afegão. Desde 2011, quando o trabalho começou, mais de 100 novos abrigos, um poço, dois reservatórios de água, uma escola e uma rodovia foram construídos na vila. As cerca de 200 mulheres retornadas aprenderam a fiar, e um novo centro comunitário garantiu a elas um espaço de debate de temas importantes para a comunidade.

As notícias sobre as melhorias na vila estão se espalhando. “Sei de pelo menos 150 famílias de Mahajer Qashlaq ainda refugiadas no Paquistão qua acompanham o que está acontecendo por aqui”, afirmou Haji Sahib Khan. “Elas estão pensando em voltar até o fim do ano”.

Com o respaldo do ACNUR, o ministro afegão para Refugiados está em contato com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para aproveitar a experiência da agência na criação de projetos de desenvolvimento a longo prazo.

Outros ministérios e ONGs participam da iniciativa. “Agora é hora de o governo afegão fazer um esforço coletivo, unindo parceiros da sociedade civil e da comunidade internacional no apoio a programas voltados especialmente para os retornados e suas comunidades de origem”, afirmou Peter Nicolaus, representante do ACNUR no Afeganistão.

Em janeiro de 2012, o governo afegão assinou em Dubai um acordo com os governos do Irã e Paquistão para buscar soluções duradouras para os refugiados afegãos e aqueles que já retornaram ao país. A estratégia será anunciada durante a Conferência sobre o Afeganistão, que acontece hoje e amanhã em Genebra.

“O mais urgente é obter o apoio financeiro dos principais países doadores para investimentos a longo prazo em programas nacionais de desenvolvimento. As maiores necessidades são de moradia, alimentação, abrigo, educação, saneamento e infraestrutura básica”, afirmou o ministro Anwary. “Fazendo isso, conseguiremos melhorar a volta e a reintegração dos refugiados afegãos”.

By Mohammed Nader Farhad em Mahajer Qashlaq, Afeganistão

Por: ACNUR


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