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Refugiados e jovens da Costa Rica usam o rádio para combater xenofobia nas escolas
Segunda Feira 25. Janeiro 2010 12:00 Tempo: 220 days
SÃO JOSÉ, Costa Rica, 25 de janeiro (ACNUR) – Sentada em frente a um microfone em um estúdio de gravação em Costa Rica, Annye conta como um grupo armado irregular de seu país natal, a Colômbia, ameaçou a vida de seu irmão há cerca de oito anos, fazendo com que sua família fugisse do país.
“Se meu pai não lhes pagasse uma quantia específica de dinheiro, eles matariam meu irmão”, disse a refugiada de 16 anos, que faz parte de um projeto do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) cujo objetivo é ampliar a conscientização sobre os refugiados e combater a xenofobia nas escolas de ensino médio da Costa Rica.
De acordo com uma pesquisa do ACNUR realizada há dois anos, 40% dos jovens refugiados na Costa Rica afirmam ter sido vítimas de intolerância ou insultos por parte de seus colegas de classe ou professores.
Como parte do projeto, Annye e outros 13 adolescentes – refugiados e costa-riquenhos – gravaram em rádio uma série de histórias com o propósito de promover pelas escolas do país um melhor entendimento do que significa, para um jovem, ser forçado a sair de sua pátria e deixar tudo para trás por causa de violência ou perseguição.
“Para o ACNUR se tornou crucial criar uma ferramenta de combate à xenofobia nas escolas, para informar as crianças sobre quem são os refugiados e porque eles precisam de nosso apoio para se integrar a esta nova comunidade”, diz Jozef Merkx, representante do ACNUR na Costa Rica.
Fazer com que os adolescentes contem a seus colegas sobre seu sofrimento ajuda a tornar a questão mais pessoal e real. Isto também ajuda a criar simpatia e laços entre jovens de diferentes nacionalidades e passados.
As histórias de rádio, que foram desenvolvidas com o apoio da Radio Netherlands Training Centre (RNTC) e do parceiro local do ACNUR, a ACAI, farão parte de um módulo de educação que está sendo desenvolvido para combater a xenofobia nas escolas. “A ideia é distribuir o módulo em abril, como um projeto piloto, para escolas em locais com grande presença de migrantes e refugiados”, afirmou Merkx. No futuro, o modelo será usado em outras áreas também.
Os refugiados colombianos e as crianças locais que participaram dos dois dias do projeto, começaram aprendendo o básico sobre radiodifusão. Depois, as histórias foram gravadas.
“Nós ensinamos noções básicas de como fazer histórias de rádio e também abordamos os direitos dos refugiados”, explica o produtor da RNTC, Arturo Meoño. “Com a participação dos costa-riquenhos e dos estudantes do ensino médio, pudemos ouvir os dois lados da questão: as percepções dos jovens refugiados sobre sua vida na Costa Rica e a reação dos jovens locais sobre as histórias de vida, direitos e experiências dos refugiados”.
A psicóloga Maria Andrea Araya afirmou que a abordagem gerou uma gama interessante de histórias e reações. “Alguns se concentram na fuga da violência e nos desafios da integração local; outros preferiram discutir o que jovens refugiados na Costa Rica vivenciam no seu dia-a-dia.”
Leidy, uma refugiada de 16 anos, falou com entusiasmo sobre sua paixão por música latino-americana. Karen, de 15 anos, reclamou de como os refugiados eram muitas vezes injustamente estereotipados. “Quando alguém fica bravo comigo, me chamam de traficante”, notou.
Outros mencionaram incidentes de xenofobia na Costa Rica, ao mesmo tempo em que relataram experiências positivas. “Quando chegamos aqui, notamos que a educação e a saúde eram gratuitas”, conta Alexandre, 15, lembrando que na Colômbia a situação era esta: “não fique doente, pois não há dinheiro para pagar a conta do hospital”.
A Costa Rica provê abrigo para cerca de 12 mil refugiados, de aproximadamente 40 nacionalidades, sendo que mais de 80% são colombianos. O país recebe em média 80 solicitantes de refúgio por mês e ainda abriga uma grande população de migrantes. Desde 2009, foram registrados fluxos menores de migrantes africanos e asiáticos que chegam à Costa Rica, a caminho da América do Norte.
Por Andrea Vásquez, em São José, Costa Rica

