Corredores do Sudão do Sul levam Equipe de Atletas Refugiados ao atletismo da Rio 2016

As provas de atletismo dos Jogos Rio 2016 iniciam amanhã com a participação de três integrantes da Equipe Olímpica de Atletas Refugiados.

Rio de Janeiro, 11 de agosto de 2016 (ACNUR) – As provas de atletismo dos Jogos Rio 2016 iniciam amanhã (12/08) com a participação de três integrantes da Equipe Olímpica de Atletas Refugiados. Os atletas são originários do Sudão do Sul e vivem atualmente no Quênia. 

A partir das 09:30hs, o refugiado Yiech Pur Biel competirá na prova de 800 metros. À noite, a partir das 20hs, Anjalina Nadai Lohalith competirá pelos 1.500 metros, e James Nyang Chiengjiek fechará a participação dos refugiados neste dia ao competir pelos 400 metros. 

Esta será a primeira participação na Rio 2016 dos atletas sul sudaneses, que disputam as provas de atletismo. Forçados a fugir dos conflitos no seu país ainda quando eram crianças,  eles foram acolhidos no campo de refugiados de Kakuma, ao norte do Quênia, gerenciado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Pur Biel chegou sozinho ao campo de refugiados de Kakuma, no Quênia, aos 10 anos de idade. Lá, começou a jogar futebol, mas ficou frustrado por ter que depender tanto do desempnho de seus companheiros de time. Acabou escolhendo o atletismo pois sentia que tinha um maior controle sobre seus resultados.

Anjaline deixou o Sudão do Sul quando tinha apenas seis anos, e desde então nunca mais viu ou falou com seus pais. Ela já sabia que era boa de corrida após vencer competições escolares no campo de refugiados de Kakuma, onde vive. Mas foi só quando treinadores profissionais chegaram para selecionar atletas para um centro de treinamento que ela percebeu o quão veloz estava. “Foi uma surpresa”, diz ela.

Aos 13 anos, James teve que fugir de sua casa para evitar ser sequestrado por grupos rebeldes que faziam recrutamento forçado de crianças. Vivendo como refugiado no Quênia, ele frequentou a escola em uma cidade serrana famosa por seus corredores e se juntou a um grupo de treinamento de meninos mais velhos para treinar corridas de longa distância. “Foi quando percebi que eu podia ser um velocista”, disse.

Todos os atletas sul-sudaneses são treinados atualmente por uma fundação dirigida pela corredora, ex-campea olímpica queniana e recordista mundial de maratona, Tegla Laroupe.

Outros atletas da equipe já concluiram sua participação na Rio 2016, como os nadadores sírios Yusra Mardini e Rami Anis, e também os judocas congoleses Yolande Makiba e Popole Misenga. Em todas as competições, os atletas têm recebido uma calorosa recepção do público, mesmo sem haver conseguido avançar rumo a uma medalha olímpica.  

O nadador sírio Rami Anis, que ontem participou da competição 100 metros borboleta, comentou seu desempenho os Jogos Rio 2016. "A prova foi boa, mas não pude melhorar meu tempo. Talvez por causa da pressão e porque esta é minha primeira olimpíada”, disse. “Representar a equipe de refugiados é uma honra para mim. Estou muito orgulhoso”, afirmou o nadador.

A Equipe Olímpica de Atletas Refugiados é uma iniciativa do Comitê Olímpico Internacional que conta com o apoio do ACNUR. As duas organizações atuam juntas há mais de 20 anos, promovendo os esportes como uma ferramenta de desenvolvimento e bem-estar dos refugiados, particularmente em relação às crianças.

A equipe reúne dois nadadores sírios, dois judocas da República Democrática do Congo e seis corredores africanos – um da Etiópia, maratonista, e cinco do Sudão do Sul. Todos eles deixaram seus países devido a conflitos, perseguições e violações dos direitos humanos, e encontraram refúgio na Alemanha, Bélgica, Brasil, Luxemburgo e  Quênia.

Fotos e vídeos do ACNUR sobre a participação da Equipe Olímpica de Atletas Refugiados nos Jogos Rio2016 estão disponíveis no site http://media.unhcr.org. A cobertura do ACNUR está sendo divulgada nos sites www.acnur.org.br e www.unhcr.org e em oturos canais.

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 Por Luiz Fernando Godinho e Miguel Pachioni, do Rio de Janeiro