Atletas sul sudaneses da Equipe Olímpica de Refugiados almejam mais após competir pelas Olimpíadas Rio2016

O dia de ontem ficou marcado na vida dos jovens atletas refugiados que, pela primeira vez, competiram nas provas de atletismo de uma Olimpíada.

Rio de Janeiro, 13 de agosto de 2016 (ACNUR) – O dia de ontem ficou marcado na vida dos jovens atletas refugiados que, pela primeira vez, competiram nas provas de atletismo de uma Olimpíada. Embora a participação na Rio 2016 não tenha sido satisfatória em termos de rendimento, os atletas refugiados já almejam resultados mais competitivos ao manter a rotina de treinamentos.

“Muito embora meu tempo de corrida tenha sido alto, eu fiquei muito feliz por estar aqui e conseguir competir nos Jogos Olímpicos. Ainda que eu tenha sido a última da minha prova, eu acredito que na próxima vez estarei na frente de outras atletas”, disse a atleta refugiada Anjelina Lolalith, de 23 anos, que disputou a prova dos 1500 metros. 

Mais que resultados, a participação inédita de uma equipe de atletas refugiados nos Jogos Rio2016 é uma oportunidade única na vida destes atletas que competem para inspirar aos jovens, para almejar novas perspectivas profissionais em suas vidas e também como uma forma de visibilidade para que reencontrem suas famílias, separadas devido aos diferentes conflitos e perseguições que enfrentaram.

“Eu nunca pensei que eu competiria em uma Olimpíada em minha vida. Eu já tinha ouvido falar sobre o Rio quando eu era jovem, e também sobre os Jogos Olímpicos. Mas agora é uma realidade. Passei a maior parte da minha vida em um campo de refugiados, mas agora eu tenho a chance de mudar a minha vida”, disse Yiech Pur Biel, de 21 anos, atleta refugiado que, sob aplausos, disputou a prova dos 800 metros.

Mesmo jovens, estes atletas refugiados que passaram a maior parte de suas vidas no campo de refugiados de Kakuma, no Quênia, trazem consigo uma intensa experiência de vida que foram obrigados a enfrentar.  A participação nestas Olimpíadas representa um novo ciclo, um recomeço não só para eles, mas para todos os mais de 20 milhões de refugiados do mundo.

"É um momento muito bom para todos os refugiados, não só para mim. Apesar de não conseguimos obter grandes resultados, isso faz parte da vida. Foi muito importante estar aqui hoje, competindo. Vou continuar treinando para disputar novas conquistas para todos aqueles que eu represento", afirmou James Chiengjiek, de 24 anos, atleta refugiado que disputou os 400 metros.

Assim como os demais atletas refugiados sul sudaneses, que estarão novamente competindo na pista de atletismo do Estádio Olímpico na próxima semana, James chegou ainda criança ao campo de refugiado, abandonando sua casa para que não fosse recrutado e treinado para ser uma criança soldado. Foi no campo de refugiados que James passou a ter o primeiro contato com esportes, ainda que em condições bastante diferente dos atletas de ponta. “Todos nós tínhamos lesões por causa dos tênis errados que usávamos. Se alguém tinha dois pares de tênis que davam para ser usados, emprestava  a quem não tinha nenhum”.

Sob tais circunstâncias, a sincera mensagem que se os atletas refugiados têm dado após muitas entrevistas e coletivas de imprensa representa a humildade de suas trajetórias: “em tudo o que você está fazendo, você deve ter um objetivo, você deve ter paixão. Você também deve trabalhar duro para alcançar os resultados e ter fé para estar no caminho certo”, disse Yiech. E este caminho já tem um novo traçado, construido a partir dos Jogos Rio 2016.

Para apoiar os refugiados com apenas um clique, visite www.comosrefugiados.org ?

Por Miguel Pachioni e Luiz Fernando Godinho, do Rio de Janeiro.