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Duas mulheres refugiadas e uma mesma luta

A colombiana Sonia, refugiada no Peru, e a mexicana Patrícia, refugiada no Uruguai, têm mais de um traço comum: são mulheres, mães, batalhadoras e tiveram que deixar seus países devido à violência.

10 Oct 2016

BUENOS AIRES, Argentina, 10 de outubro de 2016 (ACNUR) – A Colômbia é o país com maior número de deslocados internos do mundo. No final de 2015, estimava-se que quase sete milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar seus lares por razões de segurança. Sonia e seu marido cresceram em um contexto marcado pela violência, em meio a um conflito armado que devastou a Colômbia por mais de 50 anos. Devido a isso, e também para que seus filhos não crescessem neste ambiente de violência, eles tiveram de deixar tudo para trás e recomeçar uma nova vida em outro país.

Como outras 1.800 pessoas, Sonia e sua família viajaram ao Peru em busca de novos horizontes. Ao chegarem, o que mais a surpreendeu foi a tranquilidade. “Eu me sentia como se estivesse passeando por uma cidadezinha”, recordou. Conforme relatou, teve muita sorte porque, logo no primeiro dia no Peru, encontrou-se com pessoas que a ajudaram a se acomodar na nova cidade. Questionada sobre o que mais sente saudades de seu país, ela responde sem hesitar: “da comida e do meu pai, claro”.

Sonia trabalha no Peru vendendo pães nas ruas, mas sonha conseguir um trabalho como consultora de saúde para exercer sua vocação de ajudar aos outros. “Esta seria uma maneira de devolver à sociedade toda a ajuda que recebemos, tudo o que nos deram”, afirmou.

A guerra civil na Colômbia já custou a vida de pelo menos 220 mil pessoas em cinco décadas e provocou o refúgio de 340 mil colombianos para os países vizinhos. A continuidade das negociações para o acordo de cessar fogo entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) é um passo crucial para a construção da paz duradoura na região.

A história de outra mulher tem traços semelhantes à de Sonia. Depois de ter sido sequestrada e torturada por causa de seu ativismo em favor dos direitos dos indígenas, Patrícia também decidiu deixar seu país, o México, e toda a sua família. Ela atravessou o continente por terra com um único objetivo: salvar-se. “Restava-me um raiozinho de luz, uma esperança de chegar ao Uruguai, a um lugar seguro”, comentou ela, emocionada.

Graças à cooperação internacional e ao trabalho de organizações como o ACNUR, Patrícia teve a oportunidade de recomeçar sua vida. “Disseram-me que o Uruguai era o país mais tranquilo de toda América Latina, um país com futuro e de pessoas gentis em todos os aspectos. Não estavam errados”, afirmou.

Como a colombiana Sonia, a mexicana Patrícia também tem uma forte vocação para a solidariedade. Por isso, aprecia seu trabalho de cuidadora de pacientes no período da noite, que a ajudou a seguir adiante e que lhe permite colocar em prática seus conhecimentos profissionais como trabalhadora social.

Patrícia adora a cultura uruguaia. Diz ter se “viciado” em mate, a infusão típica do Uruguai, Argentina e sul do Brasil, feita com folhas de erva mate, e apreciar o ritmo candombe, de origem africana. “É impossível não se dar conta de que o Uruguai é carregado de candombe de carnaval, de que a cultura afro-uruguaia está bem enraizada, e isso me agrada”, disse Patrícia.

Durante o dia, Patrícia dá continuidade ao seu ativismo em favor dos direitos dos indígenas e assessora diferentes comunidades da América Latina por meio das redes sociais. Além disso, ela faz parte da Assembleia de Migrantes Indígenas, no Uruguai, um grupo com o objetivo de tornar a cultura desses povos mais conhecida.

As histórias destas mulheres são únicas, mas têm variantes dramáticas no resto do mundo. Segundo o relatório “Tendências Globais”, do ACNUR, 24 pessoas foram deslocadas de seus lares em cada minuto de 2015, totalizando 65,3 milhões de pessoas que foram deslocadas de forma forçada em todo o mundo. Nestes tempos de crise humanitária, torna-se mais importante os países reforçarem seus compromissos humanitários com a proteção de refugiados, deslocados e apátridas para buscarem soluções duráveis que permita a essas pessoas viver com dignidade.

Por Jazmín Bergel Varela e Magui Masseroni

Agradecimentos: Serviço Ecumênico para a Dignidade Humana (SEDHU), Encontros, agências parceiras do ACNUR no Uruguai e no Peru.

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