Sem solução à vista, refugiados do Sudão do Sul ultrapassam a marca de 1,5 milhão de pessoas

O ACNUR faz um apelo a todas as partes envolvidas no conflito para uma resolução pacífica e urgente da maior crise de refugiados da África.

GENEBRA, Suíça, 10 de fevereiro de 2017 – O ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, está extremamente preocupado com o ritmo de deslocamento no Sudão do Sul, onde mais de 1,5 milhão de pessoas foram forçadas a deixar o país e buscar segurança desde que o conflito começou em dezembro de 2013. Mais 2,1 milhões de pessoas estão deslocadas dentro do Sudão do Sul.

O ACNUR faz um apelo a todas as partes envolvidas no conflito para uma resolução pacífica e urgente da crise, sem a qual milhares continuam a chegar aos países vizinhos do Sudão do Sul (Uganda, Etiópia, Sudão, Quênia, República Democrática do Congo e República Centro-Africana) todos os dias, no momento em que o conflito entra em seu quarto ano.

Com este deslocamento em grande escala, o Sudão do Sul tem agora a maior crise de refugiados na África e a terceira do mundo, ficando atrás da Síria e do Afeganistão, porém recebe menos atenção e tem níveis crônicos de subfinanciamento.

A luta intensa começou no Sudão do Sul em julho do ano passado, após o colapso de um acordo de paz entre o governo e as forças de oposição. Mais de 760 mil refugiados deixaram o país em 2016, uma vez que o conflito se intensificou no segundo semestre do ano – em média, 63 mil pessoas foram forçadas a deixar o país a cada mês. Cerca de meio milhão teve de fugir nos últimos quatro meses desde setembro de 2016. Mais de 60% dos refugiados são crianças, muitas chegando com níveis alarmantes de desnutrição – sofrendo o impacto devastador das brutalidades do conflito em curso.

Os recém-chegados relatam o sofrimento no interior do Sudão do Sul, com intensos combates, sequestros, estupros, temores de grupos armados e ameaças à vida, bem como falta de alimentos.

Como refletem as tendências globais de deslocamento, aqueles que fogem do Sudão do Sul estão sendo hospedados pelas comunidades mais pobres dos países vizinhos, sob imensa pressão já que os recursos são escassos.

A maioria dos refugiados foi acolhida por Uganda, onde chegaram cerca de 698 mil pessoas. A Etiópia acolhe cerca de 342 mil, enquanto mais de 305 mil estão no Sudão, cerca de 89 mil no Quênia, 68 mil na República Democrática do Congo e 4.900 na República Centro-Africana.

O ACNUR vê de maneira positiva a recepção que os refugiados do Sudão do Sul têm recebido nos países vizinhos, mas continua extremamente preocupado com a falta de recursos para lidar com uma das maiores crises de refugiados do mundo.

Estamos trabalhando com autoridades dos países vizinhos do Sudão do Sul para oferecer suporte vital e cuidar das necessidades básicas daqueles que chegam em condições dramáticas. No entanto, os nossos esforços de socorro e assistência estão prejudicados pela grave falta de recursos.

Estamos reforçando o nosso apelo aos países doadores para que intensifiquem o apoio aos esforços humanitários para a situação de crise no Sudão do Sul. Nos países anfitriões, as capacidades de resposta estão no limite e o subfinanciamento crônico está afetando os esforços necessários para salvar vidas, como o fornecimento de água potável, alimentos, instalações de saúde e saneamento. O apelo de 649 milhões de dólares de financiamento feito pelo ACNUR em 2016 alcançou apenas 33% do total.

Em 2017, a Agência busca 782 milhões de dólares para operações regionais no Sudão do Sul e nos países vizinhos que recebem refugiados.

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