Mulheres refugiadas produzem bolsas, tecem sonhos e estreitam laços

Oficina de costura e roda de conversa possibilitam momentos de criatividade, trocas culturais e novas perspectivas para refugiadas que vivem em Brasília.

Brasília, 15 de maio de 2017 – Em um ateliê de costura, em meio a linhas, agulhas e retalhos, o barulho das máquinas de costurar se mistura com conversas em diversos idiomas. As traduções simultâneas improvisadas não impedem que as risadas e a afinidade prevaleçam entre onze mulheres refugiadas que compartilham e colocam em prática seus conhecimentos enquanto aprendem novas técnicas de costura.

A tarefa exige atenção e certa habilidade. Medir e cortar panos, alinhavar estampas, coordenar o ritmo do pedal na inscrição e da linha no tecido, e assim por diante. Dessa maneira, cada uma com seu ritmo e estilo vai completando as etapas do processo criativo. Aos poucos, elas montam um conjunto de tiras de pano que, costuradas, se tornam belas e coloridas bolsas de algodão.   

Esta peculiar oficina de costura aconteceu na útlima quarta-feira (10), em Brasília, como parte do projeto “Mulheres que Inspiram o Mundo”, implementado pelo Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), organização parceira do ACNUR (Agência da ONU para Refugiados). Outras atividades como roda de conversa e almoço também fizeram parte da programação, que durou a tarde toda.

Durante a abertura do evento, a diretora do instituto, Irmã Rosita Milesi, conversou com as mulheres que estavam presentes. “Nós podemos inspirar o mundo através das nossas atitudes de cada dia, a cada momento da nossa vida. E nós sabemos o quanto vocês têm sido e são capazes de ter essa atitude, de inspirarem coisas boas, esperança e confiança de um futuro melhor”.

A costura, assim como diversas outras atividades manuais, é frequentemente vista como uma atividade realizada por mulheres, que costumam passar adiante a habilidade como uma forma de tradição familiar. Gifty, refugiada de Gana, herdou de sua mãe o conhecimento desta arte ainda pequena. “Lá em Gana, minha mãe costurava. Foi ela que me ensinou”, afirmou enquanto mostrava, orgulhosa, a versatilidade da bolsa feita por ela, que pode ser usada dos dois lados.

Refugiada há dois anos e meio no Brasil, a ganesa se encontra em um estágio avançado do processo de integração local e ingressou recentemente no mercado formal de trabalho. “Há um ano consegui meu visto permanente, graças ao trabalho da irmã Rosita”, diz ela, agradecida.

No entanto, Gifty não deixa de participar dos encontros com outras mulheres refugiadas ou solicitantes de refúgio. “Não é todo mundo que tem a oportunidade de estar empregada e ter um salário no final do mês. Encontros como esse geram boas oportunidades para muitas de nós”, afirma.