Campo de refugiados na Jordânia se torna o primeiro no mundo a funcionar com energia limpa

A nova instalação solar é a primeira a funcionar em um campo de refugiados e vai transformar a vida de milhares de sírios que vivem nas difíceis condições do ambiente no deserto.

CAMPO DE REFUGIADOS AZRAQ, Jordânia, 23 de maio de 2017 – De agora em diante, milhares de famílias sírias poderão ter luz em suas casas, carregar seus celulares e armazenar suas comidas com energia solar. Desde a semana passada, o campo de refugiados de Azraq se tornou o primeiro campo do mundo a ser movido por energias renováveis.

O ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, instalou a nova central solar fotovoltaica de dois megawatts na quarta-feira (17). As placas solares fornecerão energia limpa e gratuita a cerca de 20.000 refugiados que viviam em abrigos ligados a redes de eletricidade desde janeiro. O novo sistema de energia deve expandir-se até o começo do ano que vem a todos os 36.000 refugiados que residem atualmente no campo.

A instalação foi construída com 8,75 milhões de euros e foi inteiramente financiada pela campanha da Fundação da IKEA “Brighter Lives for Refugees”. A planta levará a uma economia de 1,5 milhão de dólares ao ano – que o ACNUR poderá reinvestir em outras necessidades imediatas – além de fazer uma redução de 2.370 toneladas de CO2.

A nova rede de energia vai transformar a vida dos refugiados sírios que vivem em condições complicadas no campo, localizado no norte do deserto na Jordânia. Nos últimos dois anos, os residentes de Azraq dependiam de lanternas solares portáteis para iluminar suas casas, e não tinham meios de conservar comida ou refrigerar seus abrigos no calor extremo do deserto.  A introdução de eletricidade no começo do ano melhorou o cotidiano deles.

Fatima, uma mãe solteira de 52 anos que veio da área rural de Damasco, está no campo desde 2015 com seus dois filhos adultos. Ela descreveu os benefícios práticos e psicológicos que a eletricidade trouxe ao campo e a seus residentes.

“Na Síria, estávamos acostumados a um estilo de vida particular, e fomos separados disso no momento em que nos tornamos refugiados”, ela conta. “Quem está acostumado a ter eletricidade não tem ideia do quão difícil é viver sem”.

Fatima e seus dois filhos já investiram em uma geladeira de segunda mão, em uma máquina de lavar e em ventiladores elétricos, que dividem entre três abrigos.

“Antes disso, quando cozinhávamos uma refeição, tínhamos que jogar fora os restos porque não havia como guardá-los ,” explica Fatima. “Quando ficávamos com muito calor, tínhamos que jogar água nas nossas roupas para poder se esfriar. Agora podemos ouvir música e tomar um copo de água gelada, e a nossa rotina não acaba quando o sol se põe”.

 A construção da instalação solar também forneceu renda e treinamento a mais de 50 refugiados no campo, que foram empregados sob supervisão da companhia solar jordaniana Mustakbal para ajudar a construir a central.

Mohammad, de 20 anos, é do subúrbio de Ghouta, em Damasco, e veio ao campo em março de 2014, um mês depois de ter sido estabelecido. Ele foi forçado a sair da escola aos 14 anhos, depois que o conflito na Síria estourou, e está agora no sétimo ano. 

Apesar de não ter qualificações, Mohammad recebeu treinamento metalúrgico no campo e foi um dos escolhidos para montar as estruturas que dão apoio aos painéis solares, além de instalar os circuitos eletrônicos. Como resultado, ele ganhou novas habilidades que já o ajudaram a encontrar trabalhos ocasionais fora do campo.