Na Bélgica, adolescente afegã sonha em empoderar meninas de seu país

Em novo projeto online, Madina, de 16 anos, compartilha seus desejos de buscar a igualdade para todas as mulheres de seu país natal, o Afeganistão.

Na Bélgica, adolescente afegã sonha em empoderar meninas de seu país natal, Afeganistão. © ACNUR/Humans of Amsterdam/Fetching_Tigerrs

BRUXELAS, Bélgica, 22 de janeiro de 2018 (ACNUR) – “Lá em casa, as pessoas me diziam para trocar de calçados porque eram sapatos de homem”, diz Madina, de 16 anos, nascida no Afeganistão. Agora na Bélgica, onde encontrou a segurança longe do conflito de seu país natal, somente existe uma coisa que Madina quer mudar.

“Aqui na Bélgica as pessoas não se importam se uso meus sapatos debaixo do meu vestido”, ela diz. “No Afeganistão, as meninas não recebem o mesmo tratamento que os meninos. Meu maior sonho na vida é poder abrir uma escola para mulheres, onde possam aprender a ler e a escrever. Quero que todas as mulheres no Afeganistão saibam que podem fazer as mesmas coisas que os homens fazem”.

Madina faz parte de um grupo de 12 jovens refugiados e solicitantes de refúgio na Europa em um novo projeto que dá asas para a imaginação. Chamado de “Diários de Sonhos”, o projeto ilustra como jovens refugiados e solicitantes de refúgio demonstram suas ambições e esperanças a partir de seus novos lares na Áustria, Bélgica, Alemanha, Holanda e Suíça, países que lhes garantem segurança.

A série foi produzida pela fotógrafa do coletivo “Humans of Amsterdam”, Debra Barraud, seu colega Benhamin Heertje, a designer gráfica Annegien Schlling e o cineasta Kris Pouw em parceria com o ACNUR, Agência da ONU para Refugiados.

Neste projeto, Madina compartilha suas esperanças na construção de uma escola para empoderar meninas no Afeganistão. Ao lado de sua mãe, ela vive há dois anos e meio em Bruxelas, na Bélgica, e ganhou a confiança para sonhar alto e acreditar em si mesma.

“No Afeganistão, tinha muitas coisas que eu não podia fazer, como jogar futebol ou usar um determinado tipo de roupa”, diz Madina. “Agora que moro em Bruxelas, tudo é diferente. Posso ser amiga de quem quiser, posso jogar futebol e posso usar o que quiser. As pessoas não sei importam se uso meus tênis com um vestido”.

Em 2017, mais de 12.000 solicitantes de refúgio conseguiram a condição de refugiado na Bélgica. A maioria das pessoas foi forçada a deixar o conflito e a perseguição em países como Síria, Afeganistão e Iraque.

Mais da metade dos refugiados do mundo são crianças e é muito provável que passem sua infância longe de suas casas. Contudo, as crianças são resilientes e com ajuda podem encontrar formas de enfrentar situações e se mobilizar por um futuro melhor.

“Quando crianças são forçadas a deixar seus países de origem, deixam tudo para trás, exceto suas esperanças e seus sonhos”, diz Barraud do Humans of Amsterdam – que tem mais de 400.000 seguidores no Facebook. “Por meio do projeto, vimos a força destas crianças e notamos que com o apoio adequado, podem conseguir qualquer coisa”.

Quando questionada sobre o que a deixava feliz, a resposta de Madina foi simples.

“Liberdade religiosa, liberdade de pensamento, liberdade de expressão. Vejo que as meninas estão alcançando os meninos no mundo inteiro”.

Citações são das histórias completas de @humansofamsterdam