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Refugiado afegão vira dono de peixaria famosa na Noruega

O caminho para o sucesso não tem sido fácil, mas Asif diz que a Noruega é um bom lugar para os refugiados dispostos a aprender a língua e trabalhar duro.

Por Caroline Bach, de Mo i Rana, Noruega   |  30 Apr 2018

© ACNUR/Max-Michel Kolijn

Quando ofereceram a Asif a chance de comprar uma peixaria famosa no norte da Noruega, ele achou que era uma piada. “Eu não sabia nada sobre peixes!”, ele ri. “Agora eu sou o dono da Fiskebua e todos os meus amigos acham divertido que um refugiado do Afeganistão tenha se tornado um especialista em peixes”. O caminho para o sucesso não tem sido fácil, mas Asif diz que a Noruega é um bom lugar para refugiados dispostos a aprender a língua e trabalhar duro.

Antes de ser forçado a escapar da guerra no Afeganistão, Asif nunca tinha visto o oceano. Por terra, ele viajou longas distâncias pelo Irã e Turquia antes de cruzar o mar pela primeira vez quando pegou um barco da Turquia para a Grécia.

Quando chegou pela primeira vez na Noruega em 2004, Asif morou em um centro de refúgio por cinco anos, onde estudou norueguês e esperou que seu pedido de refúgio fosse processado. Ele diz que foi uma época difícil em sua vida, pois estava ansioso para sair e começar a trabalhar, ganhar a vida e trazer sua esposa para a Noruega.

Em 2007, Asif mudou-se para Mo i Rana, uma pequena cidade ao norte da Noruega, ao sul do Círculo Polar Ártico, onde finalmente recebeu refúgio. Seu primeiro trabalho foi na mercearia local.

“Quando comecei a trabalhar, meu empregador disse que não poderia me oferecer mais do que um trabalho de meio período, mas logo ele estava me dando muitas horas a mais e fiquei muito feliz com isso. Eu queria trabalhar muito para economizar dinheiro. Queria comprar uma casa e trazer minha esposa para a Noruega”, Asif lembra. “Eu não tinha medo de trabalhar por muitas horas e os clientes gostavam de mim”.

Merete Torsteinsen, diretora do centro de educação de adultos Mo i Rana, trabalha com refugiados há anos. A região luta para encontrar pessoas que estejam dispostas a morar e trabalhar lá, então o município fez uma pesquisa perguntando aos refugiados o que eles desejavam para ficar na cidade. “A pesquisa encontrou três coisas principais que as pessoas precisavam para se estabelecer: a oportunidade de trabalhar, a oportunidade de comprar uma casa e o acesso a bons jardins de infância e escolas para as crianças”, afirma Merete. “É fácil esquecer que essas pessoas são como nós, mas acho que você poderia fazer a mesma pesquisa com quase qualquer família no mundo e ter as mesmas respostas”.

Depois de trabalhar na mercearia local por seis anos, Asif conhecia muito bem os clientes e os moradores de Mo i Rana e finalmente se sentia feliz. Em 2011, ele comprou uma casa na cidade e conseguiu trazer sua esposa Freshta do Afeganistão por meio do programa de reunião familiar.

Um dia, Rolf Skjærvold, proprietário da Fiskebua, a famosa peixaria vizinha, se aproximou de Asif e perguntou se ele estaria interessado em assumir o negócio de pescados. Rolf e sua sócia Inger-Lise Kristiansen decidiram que, depois de trabalhar tantos anos, queriam começar a pensar em se aposentar.

“No começo, eu achava que ele estava brincando – eu não sabia nada sobre peixes!”, Asif diz rindo. “Mas então ele explicou que acreditava que eu seria uma boa opção para a loja, então minha esposa e eu decidimos que iríamos tentar comprá-la juntos”.

Diversas pessoas interessadas já tinham se aproximado de Rolf e Inger-Lise com ofertas para comprar a peixaria, mas nenhum deles parecia a pessoa certa para os proprietários. Nenhum, até que Asif apareceu.

“Ser dono de uma peixaria é um trabalho árduo que requer um tipo especial de dedicação que Asif tem. Ele aprende rápido, é uma pessoa gentil e muito bom no atendimento ao cliente. Trabalhar com ele foi realmente um prazer”, diz Inger-Lise Kristiansen.

Asif e Inger-Lise Kristiansen em Fiskebua, Mo i Rana. © ACNUR/Max-Michel Kolijn

 

Hoje, a peixaria Fiskebua está prosperando. Com Asif e Freshta atrás do balcão, contando com o apoio dos antigos proprietários que lhes ensinaram tudo o que sabiam sobre peixe e sobre a gestão de uma empresa na Noruega, as vendas aumentaram e os clientes locais estão mais felizes do que nunca.

Solbjorg Ulriksen, senhora idosa que morou a vida toda em Mo i Rana, é uma cliente regular na Fiskebua há anos. “Quando queremos comprar peixe, a gente vem aqui”, diz. “Asif é sempre gentil conosco e sabe muito sobre peixes. O fato de ele ser do Afeganistão o torna ainda mais especial. Ele aprendeu muito!”

Asif e sua esposa Freshta atrás do balcão em Fiskebua. © ACNUR/Max-Michel Kolijn

 

Desde que chegou à Noruega como refugiado de um Afeganistão devastado pela guerra há 14 anos, Asif tornou-se um proprietário de negócios de sucesso, especialista em peixes e membro respeitado e muito apreciado da comunidade de Mo i Rana. Ele também é uma grande inspiração para outros refugiados na Noruega.

“A Noruega é um país que é muito gentil com os refugiados”, afirma. “Para aqueles que desejam viver aqui, tenho três dicas: aprender a língua o mais rápido possível e não ter medo de usá-la, trabalhar duro e construir uma rede de bons amigos noruegueses. Essas são coisas essenciais se quisermos ter sucesso aqui”, conta.

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