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Um ano da emergência rohingya: a crise de refugiados mais recente da Ásia merece solidariedade internacional e avanço nas soluções

Este é um resumo do que foi dito pelo porta-voz do ACNUR, Andrej Mahecic – a quem o texto citado pode ser atribuído – na coletiva de imprensa de hoje no Palácio das Nações em Genebra.

Centenas de milhares de refugiados rohingya chegando em Bangladesh. © ACNUR / Roger Arnold

24 Aug 2018

GENEBRA, 24 de agosto de 2018 – O ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, convoca a comunidade internacional a aumentar seu apoio a cerca de 900 mil refugiados rohingya apátridas em Bangladesh, e a mostrar solidariedade aos países que os acolhem e que têm agido de forma generosa. A responsabilidade internacional coletiva de proteger e encontrar soluções para esses refugiados deve continuar sendo uma prioridade para todos os países da região e além.

No Campo de Refugiados de Kutupalong, em Bangladesh, Hamida, 22, (centro) e seu filho Mohammed, de um ano de idade, esperam para receber ajuda alimentar junto com centenas de outros refugiados rohingya. © ACNUR/Andrew McConnell

 

Desde agosto do ano passado, mais de 720 mil refugiados rohingya apátridas fugindo da violência e da discriminação sistêmica no estado de Rakhine, em Mianmar, encontraram abrigo e segurança no distrito de Cox’s Bazar, em Bangladesh. Lá, eles se juntaram a cerca de 200 mil refugiados rohingya de ondas anteriores de deslocamento.

No início da emergência, o ACNUR enviou imediatamente mais funcionários para Bangladesh e transportou por via aérea mais de 1.500 toneladas de itens de ajuda humanitária. Mais ajuda foi e continua a ser enviada via terrestre. No último ano, nossas equipes têm trabalhado 24 horas por dia em apoio às autoridades de Bangladesh para garantir que os refugiados sejam protegidos. Nosso trabalho inclui aconselhamento psicossocial, prevenção à violência sexual e de gênero, contagem de famílias, identificação e assistência a menores separados e desacompanhados e outros refugiados vulneráveis.

O assentamento de Kutupalong, no distriro de Cox’s Bazar, abriga hoje mais de 600 mil refugiados, e é o maior e mais densamente povoado assentamento de refugiados do mundo. Isso traz desafios diários em relação ao fornecimento de abrigo, água, saneamento e acesso a serviços básicos, bem como desafios de proteção, como a segurança de mulheres e meninas.

Em uma corrida dramática contra o tempo, preparativos intensos aconteceram nos últimos meses para que os assentamentos de refugiados enfrentassem as fortes chuvas do período de monções. Trabalhos de engenharia imensos foram implementados para ajudar a reduzir o risco de deslizamentos de terra e inundações. Centenas de voluntários refugiados foram mobilizados e treinados para atuar como socorristas em caso de desastre natural. Esses esforços se mostraram inestimáveis ​​durante as fortes chuvas em junho e julho, uma vez que os assentamentos de refugiados resistiram em grande medida ao clima adverso.

À medida que fazemos um balanço do que foi alcançado até agora, o ACNUR encoraja a renovação do compromisso internacional e apoio aos refugiados e comunidades anfitriãs em Bangladesh, a fim de expandir a resposta das operações diárias de salvamento para enfrentar também desafios como educação e autonomia para os refugiados rohingya. Reparar o impacto ambiental causado pela acolhida de centenas de milhares de refugiados na área de Cox’s Bazar também requer ação urgente, inclusive por meio de reflorestamento e uso de combustíveis alternativos para preparo de alimentos e aquecimento. Esta semana começamos a distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP) para as primeiras sete mil famílias de refugiados. O ACNUR planeja entregar este novo combustível para 100 mil famílias (aproximadamente 500 mil refugiados) até o final do ano.

O Plano de Resposta Conjunta (JRP, em inglês), lançado em março de 2018, pediu US$ 950,8 milhões para o período de março a dezembro de 2018. Em meados de agosto, pouco mais de 33% do valor havia sido arrecadado. Isso é profundamente preocupante, pois estamos nos aproximando dos últimos quatro meses de 2018. É vital que as agências humanitárias recebam financiamento antecipado e flexível para continuar prestando assistência que salva vidas e melhora as condições de vida dos refugiados e das comunidades anfitriãs em Bangladesh.

Neste contexto, é vital não perder de vista que as soluções para esta crise estão em Mianmar. O apoio internacional é necessário para ajudar o Governo de Mianmar a abordar as raízes da crise, alinhado com as recomendações da Comissão Consultiva do Estado de Rakhine, liderada pelo falecido Kofi Annan. Isso deve incluir a garantia da liberdade de movimento para todas as pessoas no estado de Rakhine, independentemente da etnia, religião ou status de cidadania, e um caminho claro e voluntário para a cidadania. A disposição das autoridades de Mianmar para assumir a liderança neste processo é fundamental.

 

Para mais informações sobre este assunto, por favor contate:

  • Em Cox’s Bazar: Caroline Gluck, [email protected], +880 1872 699 849
  • Em Cox’s Bazar: Firas Al-Khateeb, [email protected], +880 1885 934 309
  • Em Bangkok: Keane Shum, [email protected], +66 92 275 2585
  • Em Yangon: Aoife MC Donnell [email protected], +962 7 9545 0379
  • Em Genebra: Andrej Mahecic, [email protected], +41 79 642 9709

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