2 mil vidas perdidas: veja as taxas de mortalidade no Mediterrâneo em 2018

Este é um resumo do que foi dito pelo porta-voz do ACNUR Charlie Yaxley – a quem o texto citado pode ser atribuído – na coletiva de imprensa de hoje no Palais des Nations, em Genebra.

Um grupo de refugiados cansados, com frio e famintos foram interceptados pelo bote de salvamento Phoenix, em 2016, e aguardavam resgate perto de Malta. © Giuseppe Carotenuto

Cerca de 17 pessoas foram encontradas mortas nesta semana ao longo da costa espanhola, o que significa que o número de vidas perdidas no Mediterrâneo já ultrapassou 2 mil pessoas, somente em 2018. O ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, pediu repetidamente a implementação de ações urgentes para resolver a situação. O Mediterrâneo tem sido por anos a rota marítima mais fatal do mundo para refugiados e migrantes. A continuidade dessa situação deve ser inaceitável para todos.

Neste ano, cerca de 100 mil solicitantes de refúgio e migrantes chegaram à Europa até agora, representando um retorno às taxas contabilizadas em 2014. No entanto, os 2 mil afogamentos significam que as taxas de mortalidade, particularmente no Mediterrâneo Central, aumentaram significativamente. Em setembro, uma em cada oito pessoas não sobreviveu a travessia no Mediterrâneo. Isso se deve, em grande parte, à redução da capacidade de busca e de resgate das embarcações que afundam.

Neste sentido, o ACNUR continua muito preocupado com as restrições legais e logísticas que foram impostas a várias ONGs que desejam realizar operações de busca e de resgate, incluindo o Aquarius. Essas proibições tiveram efeito cumulativo do Mediterrâneo Central, onde atualmente não existe nenhuma embarcação de ONGs executando operações de busca e de resgate.

Caso as operações de resgate cessem inteiramente, corremos o risco de retornar ao mesmo contexto perigoso que vivenciamos quando a operação naval Mare Noustrum foi finalizada em 2015, na Itália, e centenas de pessoas morreram em um incidente no Mar Mediterrâneo.

O ACNUR saúda os esforços de resgate da Guarda Costeira da Líbia (GCL), já que sem eles mais vidas teriam sido perdidas. Agora, com a GCL assumindo a responsabilidade primária pela coordenação de busca e de resgate em uma área que se estende por cerca de 160 km, um maior apoio será necessário. Qualquer embarcação com capacidade de auxiliar as operações de busca e de resgate será autorizada a vir ajudar as pessoas mais necessitadas.

O ACNUR reitera que as pessoas resgatadas em águas internacionais (ou seja, além das 12 milhas náuticas das águas territoriais da Líbia) não devem ser trazidas de volta à Líbia, onde as condições não são seguras.

A maior proporção de mortes foi diagnosticada nas travessias para a Itália, que correspondem por mais da metade de todas as mortes registradas neste ano. A Espanha, no entanto, se tornou o principal destino dos recém-chegados, recebendo mais de 48 mil pessoas que chegaram por via marítima, em comparação com cerca de 22 mil pessoas que chegaram na Itália e 27 mil na Grécia.

Há uma necessidade urgente de romper com os impasses atuais e as soluções provisórias sobre onde cada barco deverá desembarcar os passageiros resgatados. O ACNUR reitera que nos últimos meses, juntamente com a OIM, tem proposto uma solução regional que proporcione clareza e previsibilidade nas operações de busca e de resgate.

O ACNUR também reitera seu pedido à comunidade internacional para que aborde as verdadeiras causas que estão forçando as pessoas a encararem jornadas cada vez mais perigosas.

 

Para mais informações sobre este assunto, por favor contate:

 

Em Genebra, Charlie Yaxley, [email protected], +41 795 808 702

Na Itália / Sul da Europa, Carlotta Sami, [email protected], +39 335 679 4746

Em Atenas, Leo Dobbs, [email protected], +30 694 866 8989

Em Atenas, Boris Cheshirkov, [email protected], +30 695 185 4661

Na Espanha, María Jesús Vega, [email protected], +34 670 66 12 63

No Chipre, Emilia Strovolidou, [email protected], +35799 58 25 29

Em Malta, Fabrizio Ellul, [email protected], +356 99 69 00 81