Angelina Jolie faz declaração sobre oito anos da crise na Síria

Enviada especial do ACNUR, Angelina Jolie, fala com crianças sírias no campo de refugiados Za’atari, na Jordânia, em janeiro de 2018. © ACNUR / Ivor Prickett

A violência e a destruição na Síria continuam a infligir sofrimento a milhões de pessoas sírias, alertou a enviada especial do ACNUR, Angelina Jolie, nesta sexta-feira (15), no marco do oitavo ano da crise na Síria.

Desde o início da crise, em março de 2011, metade da população da Síria foi deslocada à força. Mais de 5,6 milhões de sírios vivem como refugiados em toda a região e milhões estão deslocados internamente.

Nesta importante data, a enviada especial fez a seguinte declaração:

“Ao chegarmos a mais um ano desse conflito devastador, meus pensamentos estão com o povo sírio. Penso, especialmente, nos milhões de sírios que sofrem com a condição de refugiado na região, nas famílias deslocadas no interior do país e em todos que sofrem com ferimentos, traumas, fome e a perda de familiares.

Milhões de sírios não participaram da guerra, mas vivem suas consequências.  É impossível descrever a resiliência e a dignidade das famílias sírias que conheci. Todos os refugiados sírios com quem passei tempo nos últimos oito anos, jovens e idosos, falaram ansiar pela paz na Síria, para que possam voltar em segurança para casa. Famílias deslocadas internamente e refugiados, em menor escala, já começaram a retornar ao país. É fundamental que os retornos sejam de iniciativa própria dos refugiados, baseada em suas decisões e não em pressões políticas. Ouvir os refugiados e suas perspectivas e preocupações é vital para o planejamento dos seus futuros retornos – é uma questão de direitos.

Nos últimos anos, a lacuna entre o que os refugiados sírios e os deslocados internos precisam para sobreviver, e a assistência humanitária disponível para eles, cresce a cada dia. Há sírios dentro do país que estão tentando reconstruir suas vidas rodeados por escombros, sem o apoio necessário. Milhões de famílias refugiadas estão vivendo abaixo da linha da pobreza, e acordam todos os dias sem saber se vão encontrar comida ou remédios para seus filhos. Elas também lutam diariamente com o acúmulo de dívidas contraídas durante os oitos anos de exílio.

Mulheres e meninas enfrentam desafios adicionais, incluindo as limitadas oportunidades de trabalho, e a violência sexual e de gênero, como o casamento forçado e prematuro, os abusos, a exploração sexual e a violência doméstica. Os países vizinhos – Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito – têm feito muito para ajudar os refugiados, mas seus recursos são limitados e precisam de financiamento para continuar a apoiar milhões de refugiados e ajudar suas populações locais a lidar com as pressões econômicas e sociais.

Enquanto o conflito continua e até que os sírios sejam capazes de retornar às suas casas, o mínimo que podemos fazer é tentar atender as mais urgentes necessidades humanitárias: minimizar o máximo possível o sofrimento humano e tentar mitigar alguns dos danos causados por esses oito anos perdidos neste conflito sem sentido.

Esse é o mínimo que podemos fazer para um povo que merece muito mais: o direito de viver em paz, com segurança e dignidade em seu país”.