Sobreviventes do Ciclone Idai começam a retornar para áreas próximas de suas casas em Moçambique

Este é um resumo do que foi dito pelo porta-voz do ACNUR, Babar Baloch – a quem o texto citado pode ser atribuído – na coletiva de imprensa de hoje no Palácio das Nações, em Genebra.

Moçambique começa a realocar vítimas do Ciclone Idai para comunidades próximas aos seus locais de origem. © ACNUR/ Alissa Everett

Em Moçambique, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o governo e outras organizações parceiras iniciaram a realocação de famílias que foram deslocadas pelo Ciclone Idai para áreas mais próximas de suas casas.

No sábado (20), 200 famílias deixaram os abrigos de emergência na cidade central da Beira. Espera-se que nos próximos 10 dias, cerca de 70 mil pessoas deixem os locais nos quais estiveram abrigadas no último mês. Escolas, salas comuns, bibliotecas e outros edifícios serviram como abrigos temporários.

O ciclone Idai atingiu Moçambique, Malawi e Zimbábue em meados de março. O país mais impactado foi Moçambique, onde o ciclone matou cerca de 600 pessoas e deixou mais de 1,6 mil feridos, segundo estimativas oficias. Ademais, quase 240 mil casas foram danificadas e mais de 111 mil destruídas.

As famílias que se mudaram no final de semana eram moradoras do distrito de Buzi, o epicentro da devastação em Moçambique. Lá, o ciclone Idai trouxe destruição completa. Agora, as famílias foram transferidas para um centro em Guara Guara, a cerca de 55 quilómetros das suas áreas de origem, em Buzi.

Guara Guara está situada em uma maior altitude e é um local adequado para que as famílias comecem a retornar às suas vidas normais, perto do seu lar, até que elas consigam resgatar suas antigas casas.

Ao chegar no assentamento, equipado com água potável e latrina, as famílias também receberam tendas de emergência fornecidas pelo ACNUR e pela Agência do Governo de Moçambique para a Gestão de Desastres Naturais (INGC). Além disso, outros organismos estão atuando no fornecimento de ajuda humanitária: o governo nacional – com o apoio do Programa Mundial de Alimentos da ONU – está fornecendo alimentos e o Médicos Sem Fronteira está operando um centro de saúde no local.

As famílias ficarão em Guara Guara por até três dias e receberão um terreno de 20 x 30 metros, totalizando 600 metros quadrado, ferramentas para construir suas novas casas e sementes para iniciar a lavoura.

O ACNUR está disponibilizando seus estoques de itens de socorro – incluindo mosquiteiros, lâmpadas solares, colchões de dormir, cobertores, utensílios de cozinha, galões e baldes – para serem distribuídos a essas famílias. A prioridade é dada aos idosos, pessoas com deficiência, mulheres solteiras e crianças desacompanhadas.

Estamos trabalhando com outros parceiros humanitários para assegurar que os padrões internacionais de realocação sejam respeitados, incluindo os movimentos das populações, que devem ser sempre voluntários.

Com cerca de 1,8 milhões de pessoas precisando de assistência humanitária em Moçambique, as organizações humanitárias enfrentam imensos desafios devido aos danos provocados na infraestrutura e ao baixo financiamento da operação. Até agora, as agências humanitárias conseguiram atingir apenas 30% da população-alvo.