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Festival Rio Refugia atrai multidão e celebra integração entre brasileiros e refugiados

Evento no Dia Mundial do Refugiado lotou o Sesc Tijuca com quase 4 mil pessoas, que fizeram fila para participar das oficinas culturais

Por Caroline Durand  |  26 Jun 2019

Brasileiros e estrangeiros de vários países se misturaram na multidão que celebrou o Dia Mundial do Refugiado no Sesc Tijuca. © CARJ / Luciana Queiroz

O dicionário define: um dos significados da palavra “troca” é “transformação”. Por meio da partilha, as pessoas mudam, crescem, evoluem. Foi o que aconteceu na terceira edição do festival Rio Refugia, realizado na última quinta-feira (20), no Sesc Tijuca.

Com um público estimado em quase 4 mil visitantes, o evento de homenagem ao Dia Mundial do Refugiado reuniu pessoas em situação de refúgio e brasileiros que celebraram juntos suas semelhanças e compartilharam experiências através de trocas transformadoras na arte e na gastronomia.

O objetivo do Rio Refugia, organizado em parceria entre o Programa de Atendimento a Refugiados (PARES) da Cáritas RJ, o Sesc RJ, o Abraço Cultural e a feira Chega Junto, com o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), é valorizar os talentos das pessoas refugiadas e chamar atenção para os desafios que elas enfrentam, como a integração econômica e social.

Segundo o representante adjunto do ACNUR no Brasil, Federico Martínez,  o festival oferece também uma oportunidade para agradecer e reconhecer o trabalho que as comunidades de acolhida fazem.

“Um evento como o Rio Refugia permite reunir pessoas para compartilhar na diversidade, na riqueza, e para ter momentos mais tranquilos a fim de fortalecer esse relacionamento. E comprova grandes avanços em termos de convivência pacífica, integração cultural e reconhecimento do outro”, diz Martínez.

Foram oferecidas cinco oficinas: turbantes, tranças, tatuagem de henna, caligrafia árabe e brinquedos populares da Venezuela. O tamanho das filas era a mostra do interesse dos participantes. Quem estava escrevendo o nome das pessoas no alfabeto árabe era Mohammed el Jazouli. Além de fazer a transliteração, ele explicava como a leitura tinha que ser feita: da direita para a esquerda.

Sua simpatia o tornou uma celebridade – todo mundo queria tirar uma foto com o artista. O marroquino, há quase 10 anos no Brasil, classifica a diferença entre as culturas como uma riqueza, e comemora o sucesso do trabalho. “Eu passo um pouco da cultura, com amor, fico mais próximo do outro e me lembro de casa, em uma rica mistura”, celebra.

A oficina de caligrafia árabe com o marroquino Mohammed el Jazouli foi concorrida do início ao fim do evento. © CARJ / Luciana Queiroz

Muitos visitantes quiseram aprender a arte de amarrar turbantes à cabeça. Já as tatuagens de henna chamaram a atenção de um grupo de estudantes que estava gravando um documentário para uma matéria da escola sobre os refugiados. De acordo com Gabriela Costa, de 17 anos, é necessário falar sobre o assunto para acabar com preconceitos e tabus.

Outra aluna do grupo, Carina de Souza, de 16 anos, aproveitou a chance para conversar – e aprender – com a venezuelana responsável pela oficina, e ficou impressionada com a história da refugiada. “Ela disse que conseguiu falar português em apenas seis meses, mesmo vindo para cá com quase nada, sozinha, se virando. Acho isso incrível porque mostra a capacidade de sobrevivência dela”, relatou.

Oficina de turbantes chamou a atenção do público. © CARJ / Luciana Queiroz

Sabores do mundo

Claro que as comidas típicas não podiam ficar de fora. Entre os visitantes, quem era refugiado matava a saudades de casa e quem era brasileiro aproveitava para conhecer as iguarias apresentadas em tendas de países como Venezuela, Síria, Nigéria, Colômbia e República Democrática do Congo.

Entre os pratos vendidos, fazia sucesso o nigeriano arroz jollof com curry e pimenta, acompanhado de carne ou frango, banana da terra e salada. Foi a escolha da professora Márcia Andrea Nascimento, de 54 anos. “O que eu puder comprar para ajudar e manter esse trabalho, estou junto. O Brasil tem tudo para receber essas pessoas. Faz parte da nossa natureza ser hospitaleiro”, acredita.

Geração de renda e sensibilização. Para o congolês Yves Abdallah, de 27 anos, o Rio Refugia oferece essa dupla oportunidade para as pessoas refugiadas. Apesar da origem, ele se apaixonou pela culinária haitiana no Brasil e hoje ajuda a promovê-la em eventos gastronômicos no Rio de Janeiro.

“Fazemos bolinho de mandioca, banana frita, comida totalmente vegana, saudável, boa para o coração e para a memória. E aproveitamos para explicar ao mundo o que é um refugiado, o que o refugiado está fazendo aqui. Não estamos aqui para roubar emprego de ninguém. Estamos aqui com um propósito. Refugiado não é fugitivo”, explica.

Refugiados e brasileiros se unem para dançar durante o Rio Refugia. © CARJ / Luciana Queiroz

O Rio Refugia apresentou ainda artesanato colombiano e africano, aula de dança, música de ritmos africanos e show do Coral do Rei, que levantou o público e fez o Sesc Tijuca parecer um grande festival de música. Para a venezuelana Norma Carillo, o evento teve um gostinho especial. Ela aproveitou para comer as típicas arepas do seu país e celebrou um feliz reencontro com amigos com os quais havia compartilhado os desafios dos primeiros meses no Brasil.

​”Para nós, esse evento tem muita diferença em relação ao ano passado. No último Rio Refugia, eu e as pessoas que haviam chegado comigo em março de 2018 estávamos todos desempregados, sem dinheiro, preocupados. Agora a maioria está trabalhando, empregado ou empreendendo”, comemora.

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