Ataques no nordeste do Congo obrigam milhares a fugir para a Uganda

Refugiados congoleses que chegam a Uganda falam de ataques brutais na província de Ituri, na República Democrática do Congo.

Moses, de 8 anos, está entre os 6 mil refugiados que chegaram a Uganda neste mês depois de ataques de milícias no nordeste da República Democrática do Congo. © ACNUR

Samuel Ngabu e sua família fugiram de sua casa em fevereiro quando homens com facões atacaram sua aldeia na província de Ituri, na República Democrática do Congo. O ataque desencadeou meses de incerteza e medo enquanto eles procuravam por abrigo.


“Eles saquearam e queimaram tudo em seu caminhos, matando homens, mulheres e crianças”, diz o homem de 32 anos.

Samuel, sua esposa e três filhos pequenos passaram meses em uma cidade próxima, dormindo na rua, sem comida ou água suficientes. As condições eram tão insustentáveis que o casal decidiu enviar seu filho mais velho para viver com sua avó em uma aldeia vizinha, para que eles pudessem voltar para casa e checar se era seguro retornar. Eles encontraram a aldeia destruída, e sua casa reduzida a cinzas.

Samuel e sua esposa estavam reconstruindo suas vidas quando foram atacados novamente.

“Voltar para o mato não era mais uma opção, então nos juntamos a um grupo de pessoas que estavam fugindo para Uganda”, diz Samuel. Ele pegou dinheiro emprestado para conseguir um barco, escapando pelo Lago Albert com sua esposa e bebê. Não houve tempo para buscar seus outros filhos e ele está preocupado com o futuro deles. No momento do ataque, eles estavam vivendo com os avós em uma vila chamada Logo.

Mais de 7,5 mil refugiados chegaram em Uganda neste mês, após relatos de novos confrontos entre os grupos Hema e Lendu, no nordeste do Congo. Mais de 300 mil pessoas também estão deslocadas dentro do país e uma média de 311 refugiados cruza a fronteira diariamente, o dobro em relação ao mês anterior.

“Voltar para o mato não era mais uma opção, então nos juntamos a um grupo de pessoas que estavam fugindo para Uganda.”

A história de Samuel reflete a de dezenas de refugiados e solicitantes de refúgio que chegam a Uganda com pouco mais do que suas roupas. Todos contam histórias de brutalidade nas mãos de grupos armados que vão de aldeia em aldeia saqueando, queimando casas, matando homens, mulheres e crianças. Alguns refugiados relatam pessoas sendo detidas pelas milícias armadas enquanto tentavam fugir pelo lago.

Em Uganda, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), junto com o Escritório do Primeiro Ministro (OPM) e agências humanitárias estão aprimorando os centros de trânsito e recepção para receber e acomodar os recém-chegados.

Quando chegam às margens do Lago Albert, são levados para o centro de trânsito em Sebagoro, uma pequena vila de pescadores que fica próxima, onde são examinados pela primeira vez em busca de sinais do Ebola. De lá, os refugiados são transportados para o centro de recepção de Kagoma, a cerca de 45 quilômetros de distância.

Mas os recém chegados deixam o centro superlotado. Atualmente, o local abriga cerca de 4 mil refugiados, mas foi construído para acomodar apenas 2.500 pessoas. O ACNUR e o OPM transferem regularmente refugiados para o assentamento de refugiados de Kyangwali, onde são alocados lotes de terra, material de abrigo, itens de cozinha e ferramentas de construção para que possam construir um novo lar.

Mas o congestionamento no centro continua sendo um grande desafio. Samuel, sua esposa e filha agora estão temporariamente abrigados no centro de recepção de Kagoma. Cada um recebeu um pequeno tapete de dormir e não há travesseiros e cobertores.

“Minha família tem um teto sob suas cabeças e algo para comer. Estou feliz com isso”, disse Harriet.

Uganda abriga a maior população de refugiados na África, com mais de 1,2 milhão de pessoas. A maioria vem do Sudão do Sul, mas cerca de 27% são da República Democrática do Congo.

A resposta, no entanto, tem sido afetada pelo financiamento insuficiente. Até junho de 2019 apenas 16% dos 927 milhões de dólares necessários para o Plano de Resposta aos Refugiados em Uganda foram recebidos. Mais apoio global é urgentemente necessário para ajudar o ACNUR e as organizações parceiras a fornecer até mesmo a mais básica assistência para salvar vidas.

 

Seja um doador do ACNUR e ajude famílias refugiadas a reconstruírem suas vidas. E seus sonhos!