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ONGs parceiras são mais cruciais do que nunca, diz Alto Comissário do ACNUR

Filippo Grandi enfatiza o papel vital da defesa de organizações não-governamentais na abertura de um evento anual de consulta com 300 parceiros em Genebra, de 3 a 5 de julho.

5 Jul 2019

Os sírios deslocados internamente coletam itens de socorro distribuídos pelo ACNUR e por ONGs locais na vila de Babnes, perto de Aleppo. © ACNUR / Antwan Chnkdji

O Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, convocou organizações não-governamentais de todo o mundo a trabalharem juntas para combater discursos “tóxicos” que representam um perigo não apenas para os refugiados, mas também para “as próprias fundações de nossa sociedade global”.

“Precisamos fornecer uma resposta moral e estratégica a essas tendências”, disse Grandi a 500 representantes de cerca de 300 organizações da sociedade civil que trabalham em mais de 80 países. Ele estava falando na sessão de abertura das Consulta Anual da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) com Organizações Não-Governamentais, na última quarta-feira. Essa é uma reunião de três dias em Genebra, na Suíça.

Grandi salientou o papel crucial que essas organizações desempenham, observando que sua defesa era mais crucial do que nunca no atual clima político.

Ele também apontou para o moderador da sessão de abertura – o ex-refugiado Guled Mire, que foi forçado a fugir da Somália quando criança e desde então se tornou um proeminente defensor dos refugiados em sua terra natal adotiva na Nova Zelândia – como um exemplo do tipo de contribuições positivas que os refugiados podem fazer.

“Nós, refugados, enriquecemos sociedades”.

“Você é a prova de que as soluções são possíveis e você é a prova de que os refugiados contribuem para as sociedades que os abrigam”, disse Grandi.

Mire respondeu dizendo que ele está constantemente “tentando lembrar as pessoas que minha experiência não é única”.

“É a experiência de refugiados, a experiência global”, disse Mire, de 28 anos, co-fundador de uma organização chamada Third Culture Minds, com foco em saúde mental. “Os refugiados como um todo enriquecem as sociedades.”

Mire lamentou o fato de que transmitir essa mensagem se tornou cada vez mais difícil em face da crescente retórica anti-refugiados em muitas partes do mundo.

O ACNUR possui mais de 1 mil organizações parceiras – dois terços das quais são ONGs locais e nacionais, em oposição às internacionais. Em cooperação com o ACNUR, esses parceiros implementam programas apoiados 1,4 bilhão de dólares em financiamento de doadores anualmente, disse Grandi, acrescentando que a agência reconheceu que “as ONGs nacionais precisam de mais apoio”.

 

A Consulta Anual é um importante fórum para o debate e fornece novas oportunidades para colaborar em questões de advocacia e operacionais com participantes de todo o mundo.

Este ano, os principais tópicos do encontro incluem o uso de dados nas respostas dos refugiados; processo contínuo de regionalização do ACNUR; a necessidade de continuar a focar na integridade; e o inaugural Fórum Global sobre Refugidos, que será realizado em Genebra nos dias 17 e 18 de dezembro de 2019. Esse evento tem como objetivo fazer um balanço da atual situação global e fortalecer uma resposta internacional.

Durante uma sessão de perguntas e respostas, Grandi respondeu a perguntas do público sobre vários desafios, como o êxodo da Venezuela e a situação na Líbia, incluindo o ataque de terça-feira no Centro de Detenção Tajoura, que deixou dezenas de mortos e feridos.

Em resposta a uma pergunta sobre a situação do Mediterrâneo Central, ele disse: “É muito claro que o resgate no mar é um imperativo absoluto e enfraquecer esse procedimento, como a Europa está fazendo, é absolutamente inaceitável”.

Grandi conectou a situação no Mediterrâneo Central a uma preocupante tendência global de discussões cada vez mais politizadas em torno da situação dos refugiados.

“Trazer a política para o discurso humanitário de uma maneira que deprecie, estigmatize, marginalize os refugiados… é uma ladeira muito escorregadia”, disse Grandi.

A Consulta Anual é um importante fórum para o debate e fornece novas oportunidades para colaborar em questões de advocacia e operacionais com participantes de todo o mundo.

Este ano, os principais tópicos do encontro incluem o uso de dados nas respostas dos refugiados; processo contínuo de regionalização do ACNUR; a necessidade de continuar a focar na integridade; e o inaugural Fórum Global sobre Refugidos, que será realizado em Genebra nos dias 17 e 18 de dezembro de 2019. Esse evento tem como objetivo fazer um balanço da atual situação global e fortalecer uma resposta internacional.

Durante uma sessão de perguntas e respostas, Grandi respondeu a perguntas do público sobre vários desafios, como o êxodo da Venezuela e a situação na Líbia, incluindo o ataque de terça-feira no Centro de Detenção Tajoura, que deixou dezenas de mortos e feridos.

Em resposta a uma pergunta sobre a situação do Mediterrâneo Central, ele disse: “É muito claro que o resgate no mar é um imperativo absoluto e enfraquecer esse procedimento, como a Europa está fazendo, é absolutamente inaceitável”.

Grandi conectou a situação no Mediterrâneo Central a uma preocupante tendência global de discussões cada vez mais politizadas em torno da situação dos refugiados.

“Trazer a política para o discurso humanitário de uma maneira que deprecie, estigmatize, marginalize os refugiados… é uma ladeira muito escorregadia”, disse Grandi.

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