Mais refugiados chegam ao Iraque após semana de violência no nordeste da Síria

Declaração do porta-voz do ACNUR, Andrej Mahecic, durante coletiva de imprensa no Palácio das Nações, em Genebra

Equipe de proteção do ACNUR presta assistência aos refugiados sírios recém-chegados ao campo de refugiados de Domiz, na região do Curdistão, no Iraque © ACNUR/Firas Al-Khateeb

Pelo quarto dia consecutivo, o ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, recebeu centenas de refugiados que cruzaram a fronteira rumo ao Iraque a partir do nordeste da Síria. Os refugiados vêm principalmente das cidades sírias de Kobani, Amoda e Qamishly e aldeias vizinhas.

Até esta manhã, mais de 1,6 mil refugiados sírios foram levados das áreas de fronteira para o campo de refugiados de Bardarash, a cerca de 150 km da fronteira entre Síria e Iraque. O local foi preparado para receber todas as pessoas que chegavam após escapar dos combates no norte da Síria.

Os refugiados recém-chegados disseram à nossa equipe que levaram dias para chegar à fronteira enquanto fugiam em meio a bombardeios e combates. A maioria dos recém-chegados são mulheres, crianças e idosos. Sua condição física geral parece ser boa, mas alguns necessitavam apoio psicossocial.

Em apoio à resposta liderada pelas autoridades locais, nossas equipes, outras agências e parceiros têm trabalhado dia e noite para transportar refugiados para o campo de Bardarash e atender às suas necessidades imediatas. Tendas familiares estão sendo montadas para fornecer abrigo, e sistemas de água, juntamente com outras instalações básicas, serão implementados.

Na chegada, os refugiados recebem refeições, água, itens básicos de ajuda, incluindo colchões, cobertores, utensílios de cozinha, galões de água e outros itens. Equipes médicas com ambulâncias e uma unidade médica móvel estão presentes para fornecer assistência médica, se necessário. Nossas equipes estão trabalhando com parceiros para fornecer os serviços necessários, incluindo suporte psicossocial e serviços de proteção. Os refugiados são registrados usando a identificação biométrica da íris e suas necessidades específicas são avaliadas para determinar o tipo de assistência que precisam.

Enquanto isso, na Síria, depois de uma semana de violência no nordeste do país, nós e nossos parceiros conseguimos, até o momento, prestar assistência para salvar cerca de 60 mil sírios recém-deslocados, bem como para aqueles que foram forçados a fugir de um campo para outro. Quase 23 mil pessoas receberam itens essenciais de inverno e assistência nos campos. O ACNUR também prestou a mesma assistência a outros 35,7 mil que vivem em abrigos coletivos e comunidades anfitriãs.

Atualmente, a ONU estima que cerca de 166 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas nos últimos sete dias. As famílias recém-deslocadas continuam a procurar abrigo em acampamentos, locais improvisados ou em abrigos comunitários com familiares, amigos ou conhecidos. Muitos delas foram deslocadas várias vezes de uma área para outra em Al-Hassakeh, Tal Tamer e Raqqa.

Sempre que possível, as equipes do ACNUR oferecem condições para que as pessoas se sintam protegidas. Nossos parceiros de proteção identificam aqueles que precisam de cuidados e atenção especializados todos os dias.

A violência causou caos entre os civis, atingindo os mais vulneráveis ​​com mais força. Nossas equipes relataram a história de uma criança, um menino de 13 anos de Ras-Al-Ain, que fugiu para salvar sua vida em meio a lutas intensas e se separou de seus pais. Ele seguiu a multidão e alcançou um dos abrigos comunitários em Al-Hassakeh, onde voluntários do ACNUR passaram incansavelmente por abrigos comunitários até conseguirem reunir o garoto com sua família.

Dadas as novas e significativas necessidades humanitárias, o ACNUR reitera seus apelos à proteção de civis e infraestrutura civil. Também é fundamental que os trabalhadores humanitários tenham acesso irrestrito para alcançar os recém-deslocados e ajudá-los sempre que necessário.

Para mais informações sobre este tópico, favor entrar em contato com:

O ACNUR tem apoiado os refugiados sírios desde o início da crise, em 2011. Precisamos da sua ajuda para continuar oferecendo proteção e assistência que salvam vidas. Doe agora!