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Colombiana abre as portas de sua casa para ajudar venezuelanos

Há dois anos, uma dona de casa colombiana decidiu transformar sua casa em um abrigo improvisado para refugiados e migrantes venezuelanos

Marta Duque (de camisa azul clara) com refugiados e migrantes venezuelanos que recentemente passaram a noite em sua casa © ACNUR/Hélène Caux

29 Oct 2019

Em meados da década de 1970, o pai de Marta Duque a enviou de sua casa na cidade colombiana de Pamplona, ​​escondida em um extremo leste dos Andes, para a capital venezuelana, Caracas, para trabalhar como empregada doméstica. Ela tinha 12 anos.

Desde que voltou à Colômbia, Marta abriu as portas de sua casa para milhares de venezuelanos em um momento de grande necessidade. Em 2017, ela transformou sua garagem e, em seguida, sua modesta casa, em um abrigo improvisado para refugiados e migrantes venezuelanos que estão viajando por terra, muitas vezes precariamente, para todos os destinos da Colômbia.

“Tudo começou quando vi pessoas amontoadas debaixo da ponte em frente à minha casa”, disse Marta, 56 anos, do minúsculo pátio do quintal, onde ela e sua equipe de cerca de 10 voluntários preparam panelas gigantes de sopa.

“Eles estavam ficando molhados, e estava frio, e eu percebi que poderia colocá-los na garagem para que, pelo menos, passassem a noite”.

Cerca de dois anos depois, várias dúzias de mulheres, crianças e bebês lotam todas as noites a casa de Marta, que está sempre ocupada pelos convidados temporários. Até a mobília da sala de estar foi armazenada para dar espaço aos tapetes, onde até 100 pessoas dormem lado a lado.

“Quando chegam, as mães e seus bebês estão extremamente estressados.”

“Quando chegam, as mães e seus bebês estão extremamente estressados”, disse Marta, que cuida apenas de mulheres e crianças, enquanto seu vizinho, Douglas Cabeza, abriu sua casa para homens e meninos. “O que me faz continuar é vê-los sorrir, vê-los capazes de relaxar e rir.”

A necessidade é enorme. Mais de quatro milhões de venezuelanos deixaram seu país desde 2015, fugindo de insegurança e violência, perseguição e ameaças, escassez crônica de alimentos e medicamentos e um colapso dos serviços básicos.

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Marta Duque prepara o café da manhã no quintal de sua casa em Pamplona, Colômbia © ACNUR / Hélène Caux

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Marta Duque aconselha uma mulher venezuelana com seus filhos sobre as dificuldades que eles podem encontrar em sua jornada pelas montanhas © ACNUR/Hélène Caux

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Mulheres e crianças venezuelanas passam a noite na casa de Marta Duque em Pamplona, Colômbia © ACNUR/Hélène Caux

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Venezuelanos se preparam para continuar sua jornada pelas montanhas depois de passar a noite no abrigo de Douglas Cabeza em Pamplona, ao lado da casa de Marta Duque © ACNUR/Hélène Caux

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Venezuelanos preparam sua bagagem para continuar sua jornada pelas montanhas depois de passar a noite em Pamplona, Colômbia © ACNUR/Hélène Caux

 

Estima-se que cerca de 100 a 250 venezuelanos partam diariamente rumo a uma jornada de centenas ou até milhares de quilômetros a pé por uma estrada sinuosa e montanhosa, passando por um desfiladeiro gelado até destinos como Medellín ou Cali, na Colômbia, ou rumo ao Equador, Peru ou até mesmo o Chile.

Pamplona, ​​onde Marta mora, fica a cerca de 64 km da fronteira, e os chamados “caminantes”, como são conhecidos em espanhol, chegam até ela depois de vários dias difíceis na estrada, arrastando malas, segurando bebês e crianças pequenas, comendo em cozinhas administradas por agências de ajuda humanitária e dormindo em abrigos, quando há espaço.

Dois anos depois, Marta não só não colocou o carro de volta na garagem, como também concedeu quase toda a casa de dois quartos que divide com o marido e o filho adulto ao fluxo constante de refugiados e migrantes venezuelanos em necessidade. Desde o amanhecer até tarde da noite, a casa é uma colméia de atividade constante e barulho estridente, pois Marta e seus voluntários atendem às necessidades de dezenas de mulheres e crianças e a um coro de bebês.

Marta reconheceu que sua extrema generosidade pôs em risco seu casamento de quase 30 anos, acrescentando que o marido uma vez pediu que ela escolhesse entre ele e o abrigo.

“Não tivemos um único dia de descanso, mas não acho que seja um fardo. Faço isso com amor e convicção.”

“Eu disse a ele: ‘Se você quer ir, vá, mas não vou decepcionar essas pessoas”, disse. Ele ficou. “Não tem sido fácil. Não tivemos um único dia de descanso, mas não acho que seja um fardo. Faço isso com amor e convicção e, se um dia eles não estiverem mais aqui, vou me sentir um pouco sozinha, porque isso mudou minha vida.”

Para ajudar refugiados e migrantes vulneráveis ​​da Venezuela, o ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, intensificou sua resposta e está trabalhando em estreita colaboração com os governos e parceiros locais para apoiar uma abordagem coordenada e abrangente.

Isso inclui apoiar os Estados a melhorar as condições de recepção nos pontos de fronteira onde os venezuelanos chegam em condições muito precárias, coordenar o fornecimento de informações e assistência para atender às necessidades básicas imediatas dos venezuelanos, incluindo abrigo.

A União Europeia, juntamente com o ACNUR e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), está organizando uma Conferência Internacional de Solidariedade, pedindo ações urgentes e cojuntas para refugiados e migrantes venezuelanos em Bruxelas, em 28 e 29 de outubro.

O encontro de dois dias visa aumentar a conscientização sobre a crise, reafirmar compromissos globais para países e comunidades anfitriãs, avaliar boas práticas e realizações, confirmar o apoio internacional a uma resposta regional coordenada e pedir maior cooperação técnica e financeira internacional com a região.

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