Primeira consulta regional na América do Sul encaminha propostas para o Fórum Global para Refugiados

Iniciativa reuniu pessoas refugiadas, ONGs, acadêmicos e o setor privado para discutir educação, proteção, emprego, fortalecimento de redes e soluções para refugiados, pessoas deslocadas e apátridas na região

A primera reunião de consulta regional para o Fórum Global para Refugiados contou com a participação de diversos interlocutores do ACNUR © ACNUR/Miguel Pachioni

Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2019 (ACNUR)  – A primeira consulta regional de ONGs e sociedade civil sobre o deslocamento na América do Sul aconteceu no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 21 e 22 de novembro. O ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, e seus parceiros HIAS e CEPRI (Centro de Proteção a Refugiados e Imigrantes da Fundação Casa de Rui Barbosa) sediaram a reunião.

Mais de cem representantes da sociedade civil do continente americano, incluindo a ampla participação de refugiados de diferentes nacionalidades, ONGs, acadêmicos e empresários, abordaram temas de interesse comum, entre outros, o acesso a educação para as crianças refugiadas e a necessidade de combater a xenofobia.

A sociedade civil reafirmou o seu compromisso com a proteção dos refugiados e reiterou a necessidade de fortalecer o acesso asseguro ao território e facilitar a inclusão social e econômica dos refugiados no continente. Representantes do setor privado compartilharam suas experiências e reiteraram a necessidade de que as empresas ofereçam mais oportunidades laborais para as pessoas refugiadas.

“Esse encontro é muito importante para o intercâmbio de boas práticas e para fortalecer a voz da sociedade civil na região. A três semanas do Fórum Global para Refugiados, essas consultas reconhecem que a sociedade civil na América Latina segue fazendo um grande trabalho e que tem muito a contribuir para a proteção dos refugiados na região e no mundo”, destacou Renata Dubini, Diretora do ACNUR para as Américas.

A América Latina recebe mais de 12 milhões de pessoas deslocadas, incluindo cerca de 4,6 milhões de refugiados e migrantes venezuelanos que fugiram de seu país em busca de proteção ou melhores condições de vida, sem perspectivas de retorno a curto ou médio prazo. Nesse sentido, a sociedade civil desempenha um papel fundamental para garantir que os refugiados tenham acesso à ajuda humanitária, sistemas de proteção e soluções efetivas.

“Ninguém pode enfrentar esses desafios de forma isolada. A tradição e o espírito de solidariedade nas Américas segue sendo um exemplo a nível mundial. Devemos seguir construindo juntos para avançar na proteção das pessoas refugiadas”, disse Dubini. “Temos a sorte de trabalhar com uma sociedade civil muito comprometida com os refugiados e a reunião do Rio é apenas um primeiro passo para assegurarmos que a voz da sociedade civil continue sendo ouvida em voz alta”.

O Representante do ACNUR no Brasil, Jose Egas, reforçou a importância das diferentes interlocuções entre os parceiros do ACNUR dos setores público e privado. “A consulta realizada permitiu a troca de práticas e conhecimentos entre ONGs e o setor privado sobre a integração dos refugiados na sociedade, apresentando ações de treinamento e empregabilidade, assim como ações de convívio pacífico e de efetiva garantia de direitos da população que busca proteção internacional. É preciso que, cada vez mais, o setor privado e as organizações da sociedade civil atuem de forma integrada e articulada para promoverem respostas efetivas aos desafios já postos, sendo que esta realidade está em curso no Brasil e nos demais países da região”, afirmou.

O ACNUR depende de seus parceiros para a execução de muitos projetos, incluindo a distribuição de ajuda humanitária, proteção, logística, abrigamento saúde, água, saneamento, nutrição e projetos educativos. As consultas anuais com ONGs incorporam as participações de organizações nacionais e internacionais em todo o mundo. Essas consultas fornecem um fórum importante para a sociedade civil crie redes, estabeleça diálogos e troque informações com o ACNUR.