Encontro global sobre refugiados começa em Genebra após ‘década de deslocamento’

Fórum Global sobre Refugiados acontece entre os dias 16 a 18 de dezembro em Genebra

O Alto Comissário da ONU para Refugiados Filippo Grandi encontra um grupo de refugiados no Fórum Global sobre Refugiados em Genebra © ACNUR / Andrew McConnell

Um encontro global de três dias, destinado a transformar a maneira como o mundo responde às situações de refugiados, começa hoje em Genebra, na Suíça.

O primeiro Fórum Global de Refugiados reúne refugiados, chefes de estado e de governo, líderes da ONU, instituições internacionais, organizações de desenvolvimento, líderes empresariais e representantes da sociedade civil, entre outros, no Palácio das Nações, casa do Escritório das Nações Unidas, em Genebra.

O ACNUR é coorganizador do Fórum junto com a Suíça e está sendo convocado novamente pela Costa Rica, Etiópia, Alemanha, Paquistão e Turquia. O objetivo do Fórum é gerar novas abordagens e compromissos de longo prazo de vários atores para ajudar os refugiados e as comunidades em que vivem. Em todo o mundo, mais de 70 milhões de pessoas foram deslocadas por guerras, conflitos e perseguições. Mais de 25 milhões deles são refugiados, tendo sido forçados a cruzar fronteiras internacionais e impossibilitados de voltar para suas casas.

A América Latina também está vendo níveis históricos de deslocamento forçado devido a diferentes crises na região. Até o final de 2018, três em cada dez países dos quais a maioria dos solicitantes de asilo vem do mundo são da América Latina: Venezuela, El Salvador e Honduras.

“Estamos emergindo de uma década de deslocamento, em que o número de refugiados aumentou”, disse o Alto Comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi.

“Nesta semana, no primeiro Fórum Global sobre Refugiados, devemos concentrar nossos esforços na próxima década no desenvolvimento do que aprendemos e em ações para apoiar os refugiados e os países e comunidades que os hospedam. Este Fórum é uma oportunidade de atestar nosso compromisso coletivo com o Pacto Global sobre Refugiados e apoiar as aspirações dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de não deixar ninguém para trás.”

As contribuições feitas no Fórum devem incluir assistência financeira, técnica e material; mudanças legais e políticas para permitir uma maior inclusão de refugiados na sociedade; locais de reassentamento e o retorno seguro para os refugiados como parte das soluções.

“Precisamos de mais ajuda como essa”, disse Joelle Hangi, da República Democrática do Congo, que é uma das patrocinadoras de refugiados do Fórum. “Já existem muitos exemplos de cooperação – mas com o aumento do número de refugiados, precisamos de mais pessoas para nos apoiar, mais governos, empresas e comunidades para compartilhar a responsabilidade de ajudar os refugiados. É assim que iremos recuperar nossa liberdade e independência e retribuiremos aqueles que vieram para nos auxiliar.”

Os três dias de discussões, eventos especiais e diálogos de alto nível em Genebra se concentrarão em seis áreas principais: arranjos para compartilhamento de encargos e responsabilidades, educação, empregos e meios de subsistência, energia e infraestrutura, soluções e capacidade de proteção. Haverá muitas oportunidades para compartilhar uma série de iniciativas e boas práticas demonstrando como o Pacto Global sobre Refugiados pode fazer a diferença.

Como parte do Fórum, serão realizados eventos especiais sobre a situação de refugiados e migrantes da Venezuela e também sobre o quadro de resposta ao deslocamento forçado na América Central (Quadro Integral Regional para Proteção e Soluções, conhecido como MIRPS).

O Fórum também explorará como as respostas humanitárias e de desenvolvimento podem se complementar. Além disso, como exemplo da crescente relevância do setor privado, mais de 100 empresas e fundações participarão e apresentarão seus compromissos em empregos, financiamento e outros tipos de ajuda.

Clique aqui para mais informações sobre o primeiro Fórum Global sobre Refugiados, um encontro destinado a transformar a maneira como o mundo responde às situações de refugiados.