ACNUR pede apoio contínuo à proteção global de deslocados à força contra novo coronavírus

Crianças venezuelanas esperam em um centro de atendimento a refugiados e migrantes em La Paz, Bolívia © ACNUR/Javier Di Benedictis

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está pedindo $745 milhões de dólares enquanto se prepara para a prevenção de surtos de COVID-19 entre refugiados e outras populações deslocadas ao redor do mundo. Esta é a parcela do ACNUR do Plano Global de Resposta Humanitária da ONU revisado, que apela por $6,7 bilhões de dólares, lançado no dia 7 de maio.

Com base nas avaliações mais recentes das necessidades globais para conter o impacto da pandemia entre pessoas forçadas a se deslocar, esta é uma revisão adicional aos $255 milhões de dólares iniciais solicitados no apelo anterior do ACNUR em 25 de março.

Com o novo coronavírus agora presente em todos os países, incluindo aqueles que hospedam os 71 milhões de refugiados e pessoas deslocadas à força do mundo, essas populações se encontram entre as mais expostas e vulneráveis ​​à ameaça do vírus.

Embora até o momento não tenham sido relatados surtos em grandes assentamentos de refugiados e deslocados internos, o ACNUR está respondendo rapidamente ao novo contexto de pandemia em 134 países que acolhem refugiados que reportam transmissão local da doença.

“A pandemia está causando feridas profundas em todo o mundo, principalmente para mulheres e idosos. Para as pessoas que fugiram de guerras e perseguições e as comunidades que os acolhem, o impacto tem sido devastador, especialmente naquelas que só conseguem buscar o suficiente para viver um dia de cada vez”, disse o Alto Comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi. “Juntamente com ONGs parceiras, a ONU está determinada a manter o rumo e dar assistência às pessoas forçadas a fugir e aos seus anfitriões, para garantir sua inclusão nas respostas à saúde pública e acesso às redes de segurança social.”

Até hoje, a COVID-19 já infectou mais de quatro milhões de pessoas em todo o mundo e tirou quase 280 mil vidas. Como não se espera que a doença chegue aos países mais pobres do mundo por mais três a seis meses, as equipes do ACNUR em todo o mundo estão se preparando rapidamente – e esperando o pior.

A evidência do impacto econômico profundo e contundente da crise nos refugiados é esmagadora. No Oriente Médio e na África, centenas de milhares de refugiados pediram assistência financeira urgente para cobrir suas necessidades essenciais diárias desde que os bloqueios e outras medidas de saúde pública entraram em vigor em muitos países em março. No Líbano, páis que estava enfrentando uma crise econômica antes mesmo da pandemia, mais da metade dos refugiados consultados ​​pelo ACNUR no final de abril relatou ter perdido meios de subsistência, como trabalho diário. Entre os refugiados consultados, 70% relataram que precisavam pular refeições.

O impacto nas mulheres refugiadas é profundo, com quase todas que trabalhavam dizendo que viram sua fonte de renda interrompida.

O ACNUR está preocupado que a perda de salários e meios de subsistência diários possa resultar em dificuldades psicossociais. Na Jordânia, os parceiros relatam um aumento significativo nas consultas de saúde mental e psicossocial desde março.

Grupos com um risco particular de pobreza e exploração incluem mulheres chefes de família, crianças desacompanhadas e separadas, idosos e pessoas LGBTI. Sua situação pode ser melhorada por meio de assistência emergencial, principalmente por meio de intervenções em dinheiro.

Graças a contribuições ágeis e generosas de governos e apoiadores privados, o ACNUR rapidamente aumentou sua resposta ao novo coronavírus. Em questão de semanas, o ACNUR adquiriu e entregou às operações de campo mais de 6,4 milhões de máscaras faciais, 850 mil aventais, 3,6 mil concentradores de oxigênio, 640 ventiladores, mais de 1,6 mil unidades habitacionais e 50 tendas hospitalares. Além disso, seis toneladas de equipamento de proteção individual (EPI) e suprimentos médicos foram transportados por via aérea e a assistência em dinheiro relacionada à COVID-19 de 30 milhões de dólares foi distribuída em 65 países.

Os fundos ajudarão o ACNUR a fortalecer ainda mais os sistemas nacionais de saúde e saneamento por meio do aumento do fornecimento de equipamentos de proteção individual, remédios, sabão e outros suprimentos de higiene. O ACNUR também está trabalhando para: aumentar a assistência em dinheiro para as famílias de refugiados mais vulneráveis ​​que sofrem choques econômicos; melhorar abrigos em assentamentos com alto número de ocupação para impedir a transmissão entre pessoas; e fornecer por vários meses suprimentos de ajuda e saneamento durante as distribuições, que seguem as recomendações de distanciamento físico.

Os fundos também garantirão que o ACNUR possa ampliar sua proteção e assistência, incluindo proteção à criança e serviços de violência sexual e de gênero. O ACNUR está adaptando urgentemente programas de proteção que salvam vidas para sobreviventes de violência e defendendo que os serviços de saúde, apoio psicossocial e segurança sejam designados como essenciais e permaneçam acessíveis aos refugiados e deslocados à força.

Mais de 80% dos refugiados do mundo e quase todas as pessoas deslocadas internamente no mundo estão hospedadas em países de baixa e média renda, alguns deles fortemente atingidos por conflitos, fome, pobreza e doenças.

Muitas das pessoas deslocadas à força estão em acampamentos ou áreas urbanas densamente povoadas, muitas vezes vivendo em condições inadequadas, com saúde pública limitada e frágil, além de não terem completo acesso a instalações de saneamento e sistemas de proteção social.

Consequentemente, o ACNUR está priorizando medidas de preparação e prevenção para conter a ameaça da pandemia. Essas são medidas críticas para evitar uma maior taxa de mortalidade entre refugiados e populações deslocadas devido às condições de vida em locais frequentemente superlotados e com infraestrutura limitada de saúde, água e saneamento.

Os fundos solicitados no apelo revisado do ACNUR à COVID-19 devem cobrir as necessidades orçamentárias da organização para responder ao novo coronavírus até o final do ano.

O ACNUR é grato aos doadores que já contribuíram com fundos vitais. Suporte antecipado dos Estados Unidos da América, Alemanha, União Europeia, Reino Unido, Japão, Dinamarca, Canadá, Irlanda, Sony Corporation, Suécia, Finlândia, Noruega e Austrália, bem como de doadores privados individuais de todo o mundo, permitiu-nos ampliar as atividades globalmente.