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Participação comunitária fortalece prevenção à COVID-19 nos abrigos para venezuelanos em Roraima

Relatório do ACNUR revela que 54 comitês formados por refugiados e migrantes conduzem ações de alimentação, manutenção, limpeza saúde e segurança das instalações

28 May 2020

Nova rotina nos abrigos: venezuelana voluntária pulveriza produto para limpar mesa de alimentação © ACNUR / Allana Ferreira

Brasília, 28 de maio de 2020 – Entre os desafios humanitários impostos pela pandemia da COVID-19, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e seus parceiros têm continuado as atividades de proteção nos 13 abrigos temporários da Operação Acolhida, que atualmente acolhem cerca de seis mil refugiados e migrantes venezuelanos nas cidades de Boa Vista e Pacaraima, no Estado de Roraima.

Grande parte destas atividades conta com o apoio da própria população abrigada, conforme revela a primeira edição do Relatório de Registro e Abrigo em Roraima publicado pelo ACNUR e referente ao mês de abril de 2020.

O envolvimento dos refugiados e migrantes venezuelanos na gestão dos abrigos se dá por meio des Oficiais de Participação Comunitária, que complementam o trabalho das organizações parcerias responsáveis pelo manejo destes espaços. Segundo o relatório do ACNUR, cerca de 480 voluntários formam 54 comitês que promovem a participação comunitária na gestão desses espaços – são, em média, quatro comitês por abrigo.

A implementação dos comitês de é uma das estratégias do ACNUR e seus parceiros para promover a participação da comunidade no dia-a-dia dos abrigos, uma vez que seus integrantes exercem diferentes responsabilidades.

No abrigo Rondon 3, em Boa Vista, que conta com mais de 1,2 mil refugiados e migrantes, o Comitê de Alimentação tem 48 membros que realizam a distribuição regular das três refeições diárias e oferecem instrução a respeito de métodos preventivos contra a COVID-19 nas filas que se formam para distribuição de alimento.

Dezoito venezuelanos do abrigo Jardim Floresta, também na capital, são voluntários do Comitê de Saúde e desenvolvem atividades de prevenção ao novo coronavírus e monitoramento de suspeitos de contaminação.

Já em Pacaraima, são 254 pessoas da etnia Warao compartilhando o abrigo Janokoida, que na língua de seus moradores significa “Grande Casa”. Antes da pandemia de COVID-19, a população era de 511. No entanto, com as medidas de prevenção, parte dos abrigados foram tranferidos para o Janoko Yakera, “Casa Bonita”.

Os Warao também se organizaram e criaram o Comitê de Educação, que implementou atividades com professores da organização Visão Mundial para crianças de 3 a 17 anos, uma vez que as aulas do município estão suspensas por conta da pandemia.

Outros comitês instalados nos abrigos lidam com infraestrutura, com o reparo dos banheiros, pias e torneiras. Há também os comitês para água, saneamento e higiente, que desinfectam os abrigos com pulverização de creolina, e de promoção cultural, com atividades que respeitam as regras de distanciamento social.

“O trabalho dos comitês é fundamental para a prevenção contra a COVID-19 nos abrigos. Eles estabelecem melhores canais de diálogo com a população abrigada e fortalecem a proteção dessas pessoas ao identificar necessidades e soluções dentro da própria comunidade”, explica José Egas, Representante do ACNUR no Brasil.

O relatório do ACNUR, que será publicado mensalmente, traz também o perfil dos 5,8 mil venezuelanos atualmente abrigados em Roraima e mostra uma igualdade de gênero nesta população: são 2.961 mulheres e meninas e 2.935 homens e meninos.

Pouco mais da metade delas (52%) tem entre 18 e 59 anos e outras 35% têm de 0 a 11 anos. Em relação aos homens, a população se divide majoritariamente entre adultos de 18 a 59 anos (47%) e crianças de 0 a 11 anos (37%).

  • Conheça a história de venezuelanos abrigados e seu trabalho nos Comitês de Participação Comunitária

Abrigamento e proteção

A Operação Acolhida – resposta governamental ao fluxo de refugiados e migrantes venezuelanos para o Brasil – mantém em Roraima 13 abrigos, sendo 11 em Boa Vista (um específico para a população indígena) e dois em Pacaraima (um alojamento de trânsito e outro exclusivo para indígenas venezuelanos). Com parceiros da sociedade civil e com o Ministério da Defesa, o ACNUR fornece apoio ao Ministério da Cidadania (MdCid) na gestão das instalações.

Por meio de um acordo de cooperação com o MdCid, a Fraternidade Humanitária Internacional (FFHI), a Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI) e a Fraternidade Sem Fronteiras, organizações da sociedade civil parceiras do ACNUR, fazem a gestão humanitária dos abrigos juntamente com a Força Tarefa Logística Humanitária das Forças Armadas, dentro do escopo da Operação Acolhida.

A Operação Acolhida fornece serviços relacionados à assistência emergencial com infraestrutura, segurança, saúde e alimentação para migrantes e refugiados venezuelanos. A Agência Humanitária da Igreja Adventista do Sétimo Dia (ADRA) e o Instituto Pirilampos desenvolvem atividades de suprimento de água, saneamento, higiene e proteção à infância em diversos dos abrigos, que também contam com a atuação de diversas agências da ONU, como UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), OIM (Organização Internacional para as Migrações), UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas), entre outras.

As atividades do ACNUR são apoiadas por doações da comunidade internacional, empresas e doadores individuais. Neste ano, a contribuição feita pelo governo do Japão voltada às ações de abrigamento na região norte do país foi fundamental para reforçar a resposta neste setor. O ACNUR agradece às importantes contribuições de todos os seus doares, que permitem o fortalecimento de mecanismos de proteção à população refugiada em situação de vulnerabilidade.

“Nossas equipes estão trabalhando incansavelmente para evitar que o vírus se espalhe entre refugiados e migrantes abrigados em Roraima, e também para garantir atendimento adequado às pessoas suspeitas ou infectadas. O aumento das nossas atividades implica na necessidade de mais investimentos. Por isso, neste momento as contribuições dos doadores são ainda mais necessárias”, completa José Egas.

Esta ação foi realizada pelo ACNUR no marco da Plataforma R4V – Resposta a Venezuelanos, uma coordenação interagencial do sistema das Nações Unidas e da sociedade civil. A Plataforma R4V é composta por um conjunto de parceiros e tem como objetivo responder ao fluxo de venezuelanos na América Latina e Caribe. No Brasil, a Plataforma R4V é composta de 13 agências da ONU e 27 organizações da sociedade civil.

Acesse o estudo na íntegra, clique aqui.

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