Crianças e jovens venezuelanos são protagonistas do Dia Mundial do Refugiado em Roraima

Com atividades artísticas e entregas de mochilas escolares, mais de 2.300 jovens e crianças refugiados e migrantes da Venezuela são homenageados e transmitem mensagem de paz por meio da música

A venezuelana Isabella Valentina Aparício de 10 anos recebe a mochila escolar do ACNUR durante celebração do Dia Mundial do Refugiado em Pacaraima, Roraima ©ACNUR/ Lucas Novaes

Boa Vista e Pacaraima, 22 de junho de 2020 – ‘Eu canto para andar livre e sem fronteiras”, diz trecho de “Eu Canto”, música autoral do Coral infantojuvenil Canarinhos da Amazônia. Com mensagens de sonho, esperança e resiliência, a música foi lançada no marco do Dia Mundial do Refugiado, celebrado globalmente em 20 de junho, e reflete o desejo de crianças refugiadas e migrantes da Venezuela de um futuro de paz, solidariedade e liberdade para todas as pessoas forçadas a deixar seus países por causa de guerras, conflitos e perseguição.

Enquanto o mundo presenciou um novo recorde de deslocamento forçado, afetando quase 80 milhões de pessoas até o final de 2019, o novo relatório Tendências Globais da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) revela que 40% são crianças e jovens com menos de 18 anos.

E, no marco do 20 de junho, as crianças e jovens foram o centro das celebrações do Dia Mundial do Refugiado nas cidades de Boa Vista e Pacaraima, que acolhem atualmente mais de 5.700 refugiados e migrantes da Venezuela.

Ao longo da última semana, o ACNUR presenteou as crianças e jovens nos abrigos em Roraima com mochilas escolares. Cerca de 2.300 mochilas foram entregues aos jovens refugiados e migrantes durante as atividades culturais do Dia Mundial do Refugiado adaptadas ao contexto da pandemia do novo coronavírus. “O Dia do Refugiado simboliza para mim um dia de gratidão. Ao chegar no Brasil, eu e muitas famílias da Venezuela fomos recebidas com muito carinho pelos brasileiros e pela ONU” diz Isabella Aparício de 10 anos durante a celebração e entrega de mochilas do ACNUR em Pacaraima.

“Essas mochilas são um presente do ACNUR que simbolizam não só a imensa bagagem cultural e diversidade trazida por refugiados ao chegarem no país, mas também nosso desejo de que muito conhecimento e desenvolvimento se tornem uma realidade na vida dessas crianças e jovens daqui para frente”, afirma o Representante do ACNUR no Brasil, José Egas.

Já o lançamento do clipe “Eu canto” foi uma realização do projeto cultural da Associação Internacional Canarinhos da Amazônia que conta com apoio do ACNUR desde 2017 na cidade de Pacaraima, fronteira entre o Brasil e a Venezuela. O Coral Infantil é formado por crianças e jovens venezuelanos e por brasileiros.

 “Que os sonhos se transformem em fontes de alegria, esperança, gratidão e muita paz”

Trecho da canção, ‘Eu canto’, composição realizada pelos Canarinhos da Amazônia

Em meia à pandemia da Covid-19, o ACNUR e os Canarinhos da Amazônia precisaram adaptar-se para gravar a música e produzir o vídeo seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde, OMS. Algumas ações de prevenção adotadas pelo Coral Infantil foram garantir a realização dos ensaios respeitando o distanciamento social, com número de participantes reduzido, o cuidado com higiene nas instalações foi redobrado, além da adoção de máscaras por todos os envolvidos no projeto desde março deste ano. Já a gravação da música e produção do videoclipe requereram filmagens e gravações de áudio de cada músico individualmente.

 

Outros parceiros do ACNUR que atuam na resposta humanitária em Roraima também contribuíram com a iniciativa musical. A Fraternidade Sem Fronteiras, o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados, a Associação Voluntários para o Serviço Internacional e a Fraternidade – Federação Humanitária Internacional (FFHI) colaboraram com a iniciativa compartilhando vídeos gravados antes e durante a pandemia do novo coronavírus no Brasil. As imagens dão luz ao trabalho social realizado pelo ACNUR e parceiros nos abrigos, além de mostrarem o cotidiano da população abrigada em Roraima.

Em relação ao momento de celebração do Dia Mundial durante a pandemia, Rafael Levy, chefe do escritório do ACNUR de Pacaraima, ressalta que este dia 20 de junho tem um significado especial: “estamos completando 4 semanas sem casos positivos dentro dos abrigos de Pacaraima.” Hoje, a cidade fronteiriça que é porta de entrada ao Brasil possui um abrigo temporário e um centro de trânsito para a população refugiada e migrante. Para Rafael Levy, a celebração neste ano é dupla, ‘este é um momento de alegria por comemorar tanto o Dia Mundial do Refugiado quanto esta vitória na luta contra a Covid-19’.

Para Isabella Aparício, integrante do Coral infanto-juvenil Canarinhos da Amazônia, a celebração este ano foi especialmente dedicada aos refugiados e migrantes que precisam de força para alcançarem seus sonhos.  “Em nossa canção nós falamos de paz, esperamos que nossa música ajude a inspirar todos os refugiados a continuarem caminhando mesmo com todas as dificuldades desde a chegada da Covid-19. Nós migrantes não estamos sozinhos e somos gratos por ter os brasileiros como nossos amigos”, conta Isabella.

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Garotas venezuelanas no abrigo Rondon 3 em Boa Vista, Roraima ©ACNUR/Allana Ferreira

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Arturo de Nieves, chefe do escritório do ACNUR em Boa Vista, participa da entrega de mochilas para população do abrigo Rondon 3 ©ACNUR/Allana Ferreira

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Crianças refugiadas e migrantes venezuelanas higienizam suas mãos durante celebração do Dia Mundial do Refugiado no Espaço Emergencial 13 de Setembro em Boa Vista, Roraima ©ACNUR/Lucas Novaes