ACNUR amplia apoio a refugiados e brasileiros para frear consequências devastadoras da COVID-19

Este é um resumo do que foi dito pelo porta-voz do ACNUR, Babar Baloch – a quem o texto citado pode ser atribuído – na coletiva de imprensa de hoje no Palácio das Nações, em Genebra

A família Mata, indígenas venezuelanos Warao da Venezuela, vivem no abrigo Pintolândia em Boa Vista. Mãe de três, Dialisa, recentemente se recuperou da COVID-19 ©ACNUR/Allana Ferreira

Genebra, 24 de julho de 2020 – A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está intensificando os esforços no Brasil para proteger dezenas de milhares de refugiados e migrantes da Venezuela e as comunidades que os acolhem, enquanto o país luta contra a pandemia da COVID-19.

O Brasil se tornou o segundo país mais afetado do mundo, com mais de 84.200 mortes confirmadas e um aumento contínuo de casos confirmados.

Considerada um epicentro da pandemia na América Latina, a situação está afetando os mais vulneráveis ​​- incluindo as populações indígenas mais pobres e outros povos originários, além de refugiados. Todos foram impactados desproporcionalmente.

O Brasil abriga mais de 345.000 refugiados e solicitantes de refúgio, para os quais as consequências da pandemia são especialmente severas.

Embora o número total de refugiados que contraíram o vírus no Brasil seja desconhecido, o ACNUR está ciente de pelo menos 19 mortes relacionadas à COVID-19 entre os refugiados dos quais nove eram refugiados indígenas venezuelanos.

Desde o início da pandemia, o ACNUR tem apoiado as autoridades locais e nacionais nos esforços de prevenção e resposta. A agência está ampliando seu apoio para ajudar a mitigar a ameaça do vírus entre refugiados, migrantes e comunidades locais que os acolhem, fornecendo infraestrutura para fortalecer o sistema nacional de saúde, assistência em dinheiro, itens de higiene e informações para salvar vidas, como sessões sobre medidas preventivas.

Desde março, o ACNUR apoia um hospital de campanha em Boa Vista, capital do estado de Roraima, que tem capacidade para tratar e isolar até 1.782 pacientes confirmados e suspeitos de COVID-19.

“Em coordenação com a Operação Acolhida, começamos a agir muito rapidamente, assim que foi declarada a pandemia. A experiência global do ACNUR já nos dava indícios da dificuldade de evitar a disseminação do novo coronavírus entre uma população deslocada forçosamente e com as limitações do sistema de saúde local”, diz José Egas, representante do ACNUR no Brasil.

Até o momento, 625 venezuelanos e muitos brasileiros – incluindo indígenas – receberam atendimento no hospital. Mais de 570 pessoas se recuperaram e muitas outras isoladas já terminaram o período de quarentena. Vinte pessoas – incluindo refugiados, migrantes e brasileiros, no entanto, infelizmente, perderam suas vidas.

Este hospital também conta com 65 profissionais de saúde venezuelanos que contribuíram para os esforços de salvar vidas, utilizando suas experiências e habilidades, juntando seus pares brasileiros na resposta.

O ACNUR também está atendendo às crescentes necessidades humanitárias e de saúde entre os refugiados que vivem nas ruas, abrigos superlotados e em condições insalubres nas regiões norte do Brasil, incluindo nos estados do Amazonas, Roraima e Pará.

No estado do Amazonas, uma das regiões mais afetadas do país, com mais de 94.000 casos confirmados e mais de 3.000 mortes relacionadas à COVID, o ACNUR e parceiros apoiaram as autoridades locais com a realocação de moradias para mais de 170 refugiados venezuelanos indígenas. Suas novas acomodações oferecem abrigos e instalações sanitárias mais adequadas, protegendo-os melhor contra o risco do vírus.

Em um esforço para limitar a propagação e o impacto do vírus, o ACNUR está aprimorando os esforços de conscientização da comunidade, inclusive através de campanhas e sessões preventivas de informação nos diferentes idiomas indígenas. A promoção da higiene também foi ampliada em abrigos temporários: estações de lavagem de mãos foram instaladas e a distribuição de sabão continua ocorrendo desde o início de março.

À medida que as condições socioeconômicas pioram entre as comunidades de refugiados e solicitantes de refúgio, o ACNUR tem garantido assistência financeira às pessoas mais vulneráveis, incluindo mães solteiras, pessoas que enfrentam despejos, problemas graves de saúde e sobreviventes de violência.

Na primeira metade do ano, o ACNUR distribuiu US$ 325.000 para mais de 3.100 refugiados e solicitantes de refúgio. Ao mesmo tempo, o ACNUR está conectando refugiados e migrantes vulneráveis ​​ao programa de emergência do governo federal.

Devido aos recursos limitados e às necessidades exponencialmente crescentes, o ACNUR só pode fornecer assistência financeira para 24% dos que consideram necessário.

Dado o início do inverno, que agrava drasticamente a vulnerabilidade das populações deslocadas, o ACNUR está oferecendo abrigo, assistência domiciliar e de inverno. Cerca de 15.000 refugiados receberam colchões, redes, kits de limpeza e higiene, redes mosquiteiras, baldes, bidão, lâmpadas solares e outras formas de assistência. Entre os beneficiários estão cerca de 2.300 venezuelanos indígenas, representando quase metade da população indígena venezuelana existente no país.

Mais de uma tonelada de roupas de inverno doadas ao ACNUR foram distribuídas com a ajuda de parceiros para pessoas deslocadas e afetadas nos estados do centro e sul do país.

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