ACNUR expande abrigamento para solicitantes de refúgio em Moria e pede soluções de longo prazo para lidar com a superlotação nas ilhas gregas

Refugiado sírio Mohammed Sadik Jalani e seus filhos ao lado de uma tenta montada pelas autoridades gregas e o ACNUR para prover abrigamento após destruição causada por incêndio no centro de identificação e recepção de Moria na ilha grega de Lesvos. ©ACNUR

Genebra, 15 de setembro de 2020Com cerca de 11 mil solicitantes de refúgio sem abrigo adequado na ilha grega de Lesvos após o incêndio do Centro de Recepção e Identificação de Moria na semana passada, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está aumentando seu apoio para responder às necessidades críticas e imediatas.

As autoridades gregas, que detêm a responsabilidade geral pela gestão e coordenação da resposta humanitária, identificaram agora um local em Lesvos, perto da cidade de Mytilene, na área de Kara Tepe, para alojar temporariamente as crianças mais vulneráveis, homens e mulheres que foram desabrigados em decorrência de uma série de incêndios que começaram na terça-feira da semana passada.

A pedido do governo e para responder às necessidades humanitárias urgentes, o ACNUR está ajudando na instalação desta nova instalação de tendas temporárias para acomodar aqueles que estão em maior risco e fornecendo aconselhamento técnico e compartilhando conhecimentos sobre instalação e planejamento do local.

O planejamento do local e as obras estão em andamento, incluindo cobertura da área com cascalho. Até agora, o ACNUR forneceu 600 tendas familiares, que já acomodavam cerca de 700 pessoas na noite de ontem. Também fornecemos banheiros químicos e estações de lavagem das mãos e estamos prontos para fornecer água adicional, bem como apoio com higiene e saneamento que possa ser necessário.

Para prevenir e mitigar a propagação da COVID-19, as autoridades nacionais de saúde estão oferecendo aos solicitantes de refúgio testes rápidos de COVID-19 antes de entrarem nas novas instalações.

O ACNUR também está apoiando as autoridades nacionais de saúde no estabelecimento de uma área médica no novo local, de acordo com as orientações da OMS, fornecendo três tendas, instalando um depósito de lixo e cercas para servir como áreas de isolamento. O espaço já funcional está acolhendo cerca de 20 pessoas confirmadas com COVID-19, que estão em quarentena nesta área de isolamento.

Desde a semana passada, o Exército Helênico fornece alimentos e água para os solicitantes de refúgio, inclusive neste novo local. Para apoiar os esforços, o ACNUR despachou para Lesvos mais de 6 mil embalagens de alimentos secos. A pedido das autoridades nacionais e com o apoio da Comissão Europeia, o ACNUR também concedeu um complemento de emergência único de assistência em dinheiro no valor de 50 por cento do montante mensal regular, para cobrir as necessidades urgentes das pessoas afetadas.

Em cooperação com parceiros, também estamos distribuindo itens básicos de socorro, incluindo cobertores, sacos de dormir, tapetes, galões, lençóis plásticos e itens de higiene para cobrir as necessidades essenciais de até 12 mil pessoas.

As equipes do ACNUR e os parceiros humanitários nacionais também estão continuando os esforços para identificar e ajudar os solicitantes de refúgio em situação de vulnerabilidade, incluindo famílias com crianças pequenas e mulheres solteiras, informando-os de que agora podem procurar abrigo no novo espaço temporário. Um grupo de cerca de 50 pessoas, incluindo mulheres e sobreviventes de violência de gênero, já foram transferidos para um abrigo seguro na ilha.

Uma vez que os solicitantes de refúgio vulneráveis ​​sejam gradualmente transferidos para este novo local, é importante iniciar prontamente, para os autorizados a sair, os processos para a sua transferência segura e ordenada para o continente, em alojamentos adequados.

O apoio às instalações temporárias é uma medida de emergência para fornecer abrigo imediato e proteção aos solicitantes de refúgio que, de outra forma, dormem em ocupações espontâneas, na rua, em bosques ou estacionamentos pela sétima noite consecutiva. O ACNUR também defende soluções a longo prazo, com apoio europeu contínuo e responsabilidade compartilhada.

Centros de recepção superlotados em Lesvos e outras ilhas do Egeu devem ser descongestionados e suas condições melhoradas.

A Comissão Europeia anunciou que irá antecipar o lançamento do seu novo Pacto sobre Migração e Refúgio até 23 de setembro, parcialmente como resultado dos recentes acontecimentos em Lesvos e da urgência que impõe em uma resposta coletiva na Europa.

O ACNUR vê o Pacto sobre Migração e Refúgio como um recomeço potencial para a UE e seus Estados-Membros protegerem melhor os refugiados e garantirem um Sistema Europeu Comum de Refúgio mais gerenciável, baseado em procedimentos de refúgio justos e eficientes, solidariedade e partilha de responsabilidades entre os Estados. Espera-se que esta oportunidade seja aproveitada