Após fugir da violência, irmãs refugiadas rohingya se reencontram

Com o apoio do ACNUR, Huraima e Saima encontraram segurança e retomaram suas vidas em Bangladesh

Retrato de Huraima e sua meia-irmã Naima no Clube de Adolescentes Naf. © ACNUR/Vincent Tremeau

Duas irmãs estão fazendo decorações em uma aula de artesanato. Huraima, a mais velha das duas, explica suas ações enquanto corta, sem esforço, flores delicadas do pano; a jovem Saima escuta com atenção. Não há carteiras ou cadeiras, mas elas se contentam em sentar no chão da sala de aula. Como muitos outros jovens refugiados, seus estudos foram interrompidos pelo conflito.


As irmãs cresceram perto das margens do rio Mayu, em Mianmar. “A escola ficava ao lado da nossa casa”, lembra Huraima, de 20 anos. As memórias são positivas e também dolorosas.

Sua irmã mais nova, Saima, tinha apenas 10 anos e estava quase terminando a escola primária quando a violência eclodiu perto de sua casa.

Elas permaneceram lá o máximo que puderam, mas quando a vila vizinha foi incendiada, Huraima sabia que não demoraria muito para que a violência as atingisse. “Suspeitamos que eles iriam incendiar nossa aldeia também.” Colocando suas vidas – e estudos – em espera, as irmãs fugiram.

A mais velha de sete irmãos, Huraima foi a primeira de sua família a embarcar em uma difícil jornada pela selva até a fronteira com Bangladesh. Ela foi junto com o irmão: “Demorou sete ou oito dias. Tivemos que andar a pé por uma grande área.” Bangladesh é o lar de cerca de 190.000 famílias de refugiados rohingya. Metade deles têm menos de 18 anos.

Felizmente, o ACNUR estava no local para apoiá-los imediatamente. Huraima e seu irmão foram registrados para documentos de identidade e, várias semanas depois, sua mãe conduziu quatro de seus outros irmãos na mesma expedição de uma semana para esse porto seguro.

A família recebeu itens essenciais e agora mora em duas casas simples de bambu lado a lado no campo de Kutupalong, Cox’s Bazar.

Saima (12) e sua irmã Humaira (20) cortaram tecidos para fazer flores como parte de uma atividade do Clube de Adolescentes Naf

Saima (12) e sua irmã Humaira (20) cortaram tecidos para fazer flores como parte de uma atividade do Clube de Adolescentes Naf © ACNUR/Vincent Tremeau

Huraima e Saima ficaram aliviadas por se reunirem. “Todas nós, irmãs, ficamos juntas”, disse Saima com alegria.

No início, Saima conseguiu continuar seus estudos e fazer algumas aulas em um centro de aprendizagem próximo. “Eu gostava de estudar birmanês, também gostava de aprender inglês e poesia.” Para Huraima, havia poucas possibilidades.

Felizmente, o Clube de Adolescentes Naf logo foi inaugurado nas proximidades, como parte de um programa apoiado pelo ACNUR para fornecer mais oportunidades de aprendizagem para os jovens nos campos. As duas irmãs aproveitaram imediatamente a chance de se envolver.

“As meninas estão sendo educadas aqui… Ensinar as meninas é o nosso lema principal”

Enquanto Saima assiste às aulas, Huraima as conduz. “Estou aqui desde que foi inaugurado”, diz, com orgulho. Ela está feliz por contribuir para o futuro de crianças como sua irmã. “As meninas estão sendo educadas aqui… Ensinar as meninas é o nosso lema principal”.

O clube oferece uma rede de apoio e um espaço para jovens refugiadas se reunirem com segurança fora de suas pequenas casas. Huraima concorda. “Se ficarem sentadas dentro do abrigo o dia todo, aí ficam estressadas. Aqui as meninas interagem e o dia flui bem. Eles se sentem bem quando vêm aqui.”

É também um espaço seguro para as meninas discutirem suas preocupações, bem como suas esperanças para o futuro, como fariam na escola em seu país natal. “Posso compartilhar com as meninas, muitas meninas estão aqui para isso”, diz Saima.

O que Saima quer ser quando crescer? Está claro que ela seguirá os passos da irmã mais velha. “Eu gostaria de poder ensinar!” ela diz, olhando com adoração para Huraima.

Anos depois de fugir de Mianmar, sua família finalmente alcançou um certo grau de estabilidade. Mas, apesar de suas experiências marcantes, as irmãs estão ansiosas para voltar para casa e muitas vezes relembram sua antiga vida.

“Meu coração dói ao lembrar de Mianmar”, diz Saima.

Huraima concorda. “Tenho saudades da minha pátria, tenho saudades da casa… Tenho saudades das coisas que deixei para trás. Sinto falta de Mianmar do fundo do meu coração.”


Desde o início da crise rohingya, o ACNUR está atuando para fornecer comida, abrigo, saúde e soluções duradouras que os permitam reconstruir suas vidas.

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