República Centro-Africana atinge marca de 200.000 deslocados e condições ficam mais difíceis

Este é um resumo do que foi dito pelo porta-voz do ACNUR, Boris Cheshirkov – a quem este texto pode ser atribuído – durante a Conferência de Imprensa realizada na última sexta-feira (29) no Palácio das Nações, em Genebra

Uma mãe refugiada da República Centro-Africana se senta com seus filhos próximo a um abrigo improvisado em Ndu village, na República Democrática do Congo © ACNUR/Fabien Faivre

A insegurança na República Centro-Africana (RCA) já deslocou mais de 200.000 pessoas dentro do território e para Estados vizinhos em menos de dois meses. O ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, alerta que dezenas de milhares estão em condições extremas.

A chegada de refugiados na República Democrática do Congo (RDC) atingiu a marca de 92.000 pessoas, segundo autoridades locais. Além disso, cerca de 13.200 pessoas atravessaram a fronteira rumo a Camarões, Chade e a República do Congo desde que a violência eclodiu em dezembro de 2020 antes das eleições na República Centro-Africana. Refugiados continuam chegando nestes países.

Cerca de 100.000 pessoas permanecem como deslocadas internas dentro da República Centro-Africana, de acordo com os números compilados pelo Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

A volatidade contínua tem dificultado a resposta humanitária e tornado mais complicado o acesso aos deslocados internos. A entrada principal utilizada para levar mantimentos também foi fechada.

Grupos armados estão presentes em Batangado e Bria, locais onde as comunidades deslocadas estão abrigadas, violando a natureza humanitária e civil destes espaços. Tal presença representa um grave risco de proteção para os deslocados, desde o risco de recrutamento forçado, restrição do movimento, extorsão até mesmo ameaças.

Na República Democrática do Congo, os recém-chegados atravessaram os rios Ubangi, Mbomou e Uele, que formam a fronteira natural do país com a RCA e em 40 localidades nas províncias do Norte de Ubangi, Sul de Ubangi e Bas Uele.

Os refugiados afirmaram ao ACNUR que fugiram em pânico quando ouviram tiros de armas, deixando seus pertences para trás. A maioria deles está vivendo sob condições extremas em áreas remotas e difíceis de serem alcançadas: perto dos rios, sem abrigo básico e enfrentando carência alimentar. Eles dependem da pesca e do que os aldeões locais conseguem compartilhar. Infelizmente, as comunidades de acolhimento nestas áreas remotas possuem recursos extremamente limitados.

Para muitos, o rio também é a única fonte de água para beber, lavar e cozinhar. Desta maneira, malária, infecções das vias respiratórias e diarreia tornaram-se comuns entre os refugiados. Os parceiros do ACNUR estão tratando dos doentes e distribuindo medicamentos, mas as necessidades estão aumentando.

As grandes distâncias e as condições extremamente degradadas das estradas significam que a assistência humanitária leva tempo para chegar às pessoas necessitadas. O ACNUR já está fornecendo recursos de emergência às famílias mais vulneráveis na província de Ubangi do Sul; na semana passada, materiais adicionais foram entregues às províncias de Ubangi do Norte e Bas Uele.

Os refugiados necessitam urgentemente de alimentos, abrigo, água potável, recursos de primeiros-socorros, saneamento e materiais de saúde para prevenir a propagação da COVID-19 e outras doenças. Eles também necessitam de documentação.

O ACNUR está registrando biometricamente até 1.000 recém-chegados por dia, permitindo a identificação precoce de pessoas com vulnerabilidades. Além disso, a Agência da ONU para Refugiados está trabalhando com o governo local aumentando as atividades de registro e atualizará os números da população com base em registros reais.

O ACNUR está pré-posicionando os recursos de emergência em Yakoma, província do Norte de Ubangi, antes que vastas áreas se tornem inacessíveis devido a iminente estação das chuvas. Em seis semanas, as chuvas impedirão a entrega de assistência em bas Uele e norte Ubangi, a menos que os abastecimentos sejam transportados por via aérea a um custo considerável, para o qual o ACNUR precisará levantar fundos.

O financiamento para a resposta humanitária do ACNUR já é criticamente baixo e está sob forte pressão, uma vez que o número de refugiados e suas necessidades continuam aumentando. As nossas necessidades de financiamento para a situação da RCA em 2021 equivalem a 151,5 milhões de dólares. Até o momento, apenas 2% foi arrecadado. É provável que as necessidades cresçam com a nova onde de deslocamento.

O ACNUR faz um apelo urgente à comunidade internacional para mobilizar fundos, de modo que as organizações humanitárias possam prestar assistência para salvar vidas de refugiados e deslocados internos da República Centro Africana e também de seus anfitriões.

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